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Opinião... Amy Matthews * A Beleza dos Dias Simples

Que leitura perfeita esta. O livro certo, lido na altura certa. Adorei cada detalhe deste livro!

"A Beleza dos Dias Simples" é um romance que aquece o coração. Tem personagens que gostamos de gostar, tem história e ainda tem um mote muito interessante!

Zoe e a sua filha Florence (a pequena Flo, uma personagem cativante!) estão a braços com um problema, vão ter que abandonar a casa onde vivem agora e o que Zoe ganha não lhes permite alugar um outro lugar com espaço e dignidade. 

Quase por acaso (ou destino?), deparam-se com a possibilidade de comprar uma Treasury House, muito em voga no Tiktok, casas que foram de acumuladores e que, por isso, perdem valor no mercado.

Assim que visitam uma dessas casas, Flo fica de imediato apaixonada por ela e por tudo o que contém e Zoe, embora muito assustada, vai acabar por aceitar mudar de estado e aventurar-se no desconhecido.

A partir daqui é toda uma nova realidade, uma descoberta de quem foi a pessoa que viveu naquela casa e porque a deixou chegar ali. Pelo caminho vão ser acolhidas pelos poucos habitantes daquela terra, que é incrível de assistir! E ainda teremos direito a uma história de amor, claro!

Um livro que nos deixa o coração quentinho, que nos dá vontade de viver uma aventura semelhante! Adorei!

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Opinião... M. K. Oliver * Há um Cadáver na Minha Sala

Se procuram uma protagonista louca, não precisam de procurar mais! 

Este livro conseguiu fazer-me gostar de uma mulher moralmente reprovável, fez-me divertir enquanto o lia e isso é tão necessário, por vezes!

Contado na primeira pessoa, conta-nos a história de uma mulher que não olha a meios para atingir os seus fins. E os seus fins serão sempre em função de uma vida de riqueza, custe o que custar. Mas ela acredita tanto no que diz e faz que se torna convincente e aqui está o ponto chave do livro que tanto prendeu a minha atenção.

Obviamente que não vamos tirar daqui lições (espero!) mas é, sem dúvida, uma leitura que entretém e que, no seu género, está muito bem escrito, porque conseguiu não cair no excesso (teria sido fácil de acontecer!).

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Opinião... Katy Birchall * Ricos, Jovens e Sangue Azul

O título do livro já nos diz muito sobre o seu conteúdo. Aqui iremos conhecer os meandros da realeza, através dos seus elementos mais jovens. 

Partimos de Ruby, uma jovem que perdeu a mãe recentemente e, não sabendo quem é o pai, é acolhida por uma tia algo excêntrica. Ela move-se nos meandros da alta sociedade e pretende ensinar esta sobrinha a estar entre os ricos e poderosos.

Mas Ruby tem outro objectivo em mente, já que crê que a mãe não sugeriu esta tia por acaso, mas sim porque o seu pai estará por perto. E é assim que se vê, de repente, no meio dos grupos de elite a conviver com a própria princesa. 

Aquilo que poderá parecer um sonho para qualquer rapariga, rapidamente se torna num problema para Ruby, por tudo o que está envolvido.

É um livro muito levezinho, interessante nesta perspectiva dos meandros da alta sociedade, das festas, dos pareceres (em vez de ser), do que é verdade e mentira. É leve na forma como é contado, com muitos diálogos juvenis, mas não deixa de ser interessante e Ruby revela-se uma personagem amorosa de quem é fácil gostar.

Se procuram uma leitura leve, jovem e animada, esta poderá ser uma boa opção.

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Opinião... Victoria Scott * O Segredo da Casa May Day

Este livro fez-me lembrar muito o Monte dos Vendavais, não porque a história seja semelhante, mas porque senti o mesmo ambiente. Meio soturno, cheio de expectativa, neste caso numa ilha de onde a fuga (se necessária) pode ser bastante difícil.

E é precisamente deste ambiente que parte a narrativa, quando Meredith e Phil decidem comprar uma casa há muito desabitada, localizada numa ilha. O terreno circundante à casa pertence-lhes também, pelo que são os únicos habitantes daquele espaço.

O passado deste casal encerra momentos muito infelizes e eles pensam ter encontrado o caminho para uma nova vida ao renovarem esta casa a precisar de tantos cuidados.
Não imaginavam era todos os obstáculos com que se iriam defrontar...

Gostei muito desta história. E, se a dada altura, temi que seguisse um caminho que não aprecio, com seres do oculto, felizmente essa não foi a opção da autora, o que tornou esta leitura muito prazerosa para mim.

A escrita é simples, com bastantes diálogos, mas com muita coisa a acontecer a todo o momento. Os pontos de tensão estão bem conseguidos, prendendo o leitor. Os temas abordados são também pertinentes, como a infertilidade, os traumas do passado, o luto, ainda que não tenham sido muito aprofundados. Gostei muito.

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Opinião... Marius Gabriel * A Filha do Alemão

"A Filha do Alemão" leva-nos numa viagem ao passado, mais precisamente a dois momentos da história da Europa, a Segunda Guerra Mundial e ao Muro de Berlim que separou a Alemanha.

A história centra-se em três mulheres, Liv, que, durante a guerra, decide oferecer-se para gerar vida, craindo a raça ariana pura com que Hitler sonhava. 

Avançamos no tempo e vamos conhecer Agnes e Karolina. Agnes vive em Inglaterra e Karolina na Alemanha do Leste. Vidas e realidades completamente diferentes que, obviamente, se vão interlaçar.

Gostei muto desta história, da forma como foi desenvolvida, das personagens e das suas camadas. Gostei menos do final, que achei muito à medida do esperado, previsível e ligeiramente forçado. 

Não estragou, contudo, o todo, que gostei muito.

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Opinião... Evie Woods * A Misteriosa Padaria na Rue de Paris

Começo pelo fim, dizendo que gosto muito da escrita de Evie Woods. Depois de "A Livraria Perdida" que me deliciou, chegou a vez deste "A Misteriosa Padaria na Rue de Paris". Que continua a ter todos os ingredientes que me deliciam: boas personagens, uma história bonita e moralmente positiva e um toque de magia na quantidade perfeita.

Edith passou a sua vida com a mãe doente. Desde nova que tem consciência que a doença da mãe a irá levar cedo da sua vida, pelo que toma a decisão de estar sempre com ela, enquanto pode.

Agora que a mãe faleceu, Edith sente que precisa de ganhar asas e voar. Para tal acaba por aceitar um emprego em França, na Rue de Paris, tudo o que sempre sonhou. Viajar da Irlanda para França e cumprir um sonho.

O que ela não esperava é que a Rue de Paris não ficasse em Paris, e que a patroa fosse uma pessoa muito pouco afável... Mas Edith é resiliente e a sua persistência trarão frutos!

É um romance muito bonito, que me deliciou ler. Edith é uma personagem cativante, bonita por dentro e que queremos muito que termine bem. Toda a história em redor desta padaria é igualmente interessante e a conclusão da história, ainda que não tenha sido inesperada, foi a certa para deixar o leitor saciado.

Evie Wood é uma autora que irei certamente continuar a acompanhar. Gosto muito do estilo dela!

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Opinião... Deidra Duncan * Doentes de Amor

Chamada para os fãs de Anatomia de Grey! Aqui está um romance fofinho, com dois jovens simpáticos e amorosos, que são, nada mais nada menos, que internos de um hospital na especialidade de obstetrícia.

Um ponto fundamental neste tipo de romances é termos duas personagens que, ao primeiro impacto, se odeiam, para depois, progressivamente irem percebendo que nem sempre as primeiras impressões são as mais acertadas.

Foi o caso de Saphire Grace e de Julian, uma antipatia quase visceral, que foi dando lugar a uma interajuda bonita. Isto porque, graças ao seu nome, Grace foi alvo de rumores ainda antes de ter entrado no hospital, que lhe abalaram em muito a confiança e as possibilidades de progressão. Julian acabou por se revelar um colega incrível, apoiando-a e defendendo-a e é fácil perceber para onde segue a história...

É um romance fofo, com personagens de quem gostamos de gostar, que proporciona bons momentos de descontração. Um livro que me soube muito bem ler, numa altura em que o cérebro estava mais cansado!

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Opinião... Maria Inês Almeida * O Que Fazemos com Este Amor?

Maria Inês de Almeida oferece-nos agora um livro para um público diferente do que está habituada. Conhecida autora de livros infantis e juvenis, temos aqui um young adult (julgo que o podemos classificar para esta faixa etária) com uma capa muito tentadora!

E começo por dizer isto, precisamente porque esta já não é a minha faixa etária há longos anos… 😊 Ainda assim, li-o com gosto e colocando-me no lugar da leitora que fui com aquela idade.

“O Que Fazemos com Este Amor?” é um livro com uma linguagem muito simples e actual, que utiliza recursos modernos que apreciei muito. Que dizer dos QR codes nas páginas dos poemas, que nos permitem ouvir a própria autora a lê-los? Adorei!

Quanto à história, temos aqui os muitos pontos de interrogação que a vida nos coloca, os “e se” que tanto nos perseguem. Maria e Marta são melhores amigas. Numa ida a um bar, Maria conhece Erik, e ficam os dois encantados um com o outro ao primeiro olhar. Mas Maria carrega um passado mal resolvido e a sua cabeça não lhe permite seguir o coração.

Vamos então acompanhar Maria nas suas opções, nas escolhas a cada “se” e onde isso a leva.

Sendo um livro bastante adequado ao público-alvo, achei, a dada altura, que a autora pretendia passar uma mensagem muito bem definida e optou por o fazer através dos diálogos. Estes, na minha opinião, ficaram um tanto forçados. Não imagino jovens a falar daquela maneira.

Ainda assim, é um livro que faz reflectir sobre a vida, e portanto, merece ser lido e discutido!

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Opinião... Holly Ringland * As Sete Peles de Esther Wilding

Como eu me delicio com livros como “As Sete Peles de Esther Wilding”. Livros com uma história boa, desenvolvida de forma exímia, com personagens bem construídas, sem pressas. Com imensos detalhes e informações que enriquecem o todo. Até papagaios do mar vamos encontrar aqui!

Se eu já tinha gostado muito de “As Flores Perdidas de Alice Hart”, voltei a adorar a escrita de Holly Ringland. A capa já denuncia muita da magia que o interior esconde, com pitadas de mitologia, histórias locais, tradições e costumes. Para mais, a acção desenrola-se entre a Tasmania (!), Austrália, Dinamarca e Ilhas Faroé, tudo destinos incomuns na literatura.

A história base é triste, mas é um percurso de luto que leva estas personagens sofridas à compreensão, tão necessária e importante.

Aura e Esther Wilding são irmãs. Aura entre mar adentro e nunca mais é encontrada e a irmã sente a sua vida condicionada por esta dúvida. O que aconteceu à irmã que a levou a esta decisão drástica? É em busca de respostas que parte para a Dinamarca, país onde Aura viveu durante 3 anos e meio e de onde regressou sem alma...

Adorei cada página deste livro, que para mim foi um daqueles para saborear, devagar. Acontece tanto nestas páginas!

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Opinião... Buzzy Jackson * A Rapariga de Cabelo Vermelho

Hannie Schaft destacou-se pela sua ousadia e coragem, durante a Segunda Guerra Mundial.

Holandesa, Hannie, apesar de não ser judia, rapidamente viu a sua liberdade condicionada pela vontade alemã, ao mesmo tempo que assistia à perseguição a duas das suas melhores amigas, elas sim, judias.

Hannie não se conformou com a situação e decidiu aliar-se à resistência, assumindo um importante papel nesta organização. A sua coragem e bravura fizeram história, agora retratada neste “A Rapariga de Cabelo Vermelho”, isto porque Hannie era ruiva e foi assim que ficou conhecida entre os oficiais nazis.

Tratando do tema que trata, obviamente que temos aqui um livro muito duro, com situações limite, quer físicos, quer mentais. Hannie é, sem dúvida, um exemplo do que é lutar pelo que se acredita. Nesta perspectiva, gostei muito deste livro, assim como da forma como está escrito, com muito detalhe, de forma nua a crua, como o tema exige.

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Opinião... Cho Nan-Joo * Kim Jiyoung, nascida em 1982

Kim Jiyoung tem 33 anos e está à beira do colapso. Mãe de uma menina de pouco mais de 1 ano, começa a ter comportamentos estranhos, adquirindo a personalidade de pessoas que lhe estão próximas.

O marido, preocupado, leva-a ao médico, e faremos com eles uma viagem retrospectiva do que foi a vida de Kim até ao momento, ficando claro o porquê das suas atitudes.

Trata-se de um livro duro que expõe o que é o papel da mulher na sociedade coreana, toda a luta das mulheres que têm à sua responsabilidade família, trabalho, filhos, sendo simultaneamente alvo de assédio descarado, numa total falta de respeito.

Gostei particularmente da forma como trata o tema da depressão/esgotamento, numa perspectiva pouco convencional, com um final que é um soco no estômago. Afinal, os círculos viciosos repetem-se infinitamente…

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Opinião... Elena Fischer * A Viagem de Billie


“A Viagem de Billie” foi uma excelente surpresa! Quando li a sinopse, ainda que tenha ficado interessada na leitura, também fiquei um pouco receosa que fosse demasiado juvenil, já que a Billie, a protagonista que dá título ao livro, tem apenas 15 anos.

Mas não foi nada disso. Billie, por conta das suas circunstâncias de vida, foi obrigada a crescer demasiado depressa e isso reflete-se na maturidade da história.

O livro começa de forma trágica, no funeral da mãe de Billie. Esta jovem vive dias negros depois de uma vida dura, e a perspectiva de futuro também não é risonha. Ao longo destas páginas vamos conhecer o seu passado, quando vivia sozinha com a mãe, de origem húngara, passando muitas vezes necessidades financeiras. Não sabe sequer quem é o seu pai. Vamos também conhecer o que levou à morte da sua mãe e a forma como isso condicionou as suas acções futuras.

É um livro extremamente duro, sem ser lamechas. E, sendo o romance de estreia da autora Elena Fischer, mais relevante se torna a forma como a história é descrita e como, logo desde as primeiras páginas, se entranha no leitor. Senti, desde início que já conhecia Billie, sofri com ela e torci para as coisas lhe corressem bem. Na biografia da autora refere que foi nomeado para Livro do ano na Alemanha, e compreendo bem porquê.

É um romance muito bem desenhado, que nos faz acreditar que o amor pode ser sempre redentor, mesmo quando não se trata de sangue do seu sangue. E a Billie é uma personagem que se quer acarinhar, abraçar e dizer que vai ficar tudo bem!

Opinião... Daniel Hurst * A Mulher do Médico


“A Mulher do Médico” é Fern. O médico é Drew. A sua amante é a Alice. E o marido da amante do médico é o Rory.

E estas são as quatro personagens principais deste thriller levezinho, que nos oferece uma história clássica de traição e vingança, contada de forma simples, onde é fácil entender cada personagem e a suas motivações.

Por isso mesmo, é também relativamente fácil entender o rumo da história, que não se revelou muito surpreendente para mim. Consegui antecipar cada volte-face, e parece-me que acontecerá o mesmo a todos quantos costumem ler este género literário. A verdade é que, para quem lê muitos thrillers, vai ficando cada vez mais difícil inovar e oferecer uma acção que deixe o leitor de queixo caído.

Ainda assim, achei uma leitura divertida e que me distraiu sempre, com um fluxo constante e moderado de acção que cumpre o propósito.

Drew decide mudar de Manchester para uma pequena aldeia com o argumento que já não aguenta tanto trabalho no hospital e a sua mulher Fern, acaba por aceitar a mudança. Drew não quer, contudo, mudar de local de trabalho, ele apenas tem em mente estar próximo da sua amante, mas o que Drew não sonha é que Fern sabe de tudo…

As personagens estão bem delineadas e descritas, os locais são bastante reais, é fácil imaginar a acção a ocorrer em cada um deles e tudo é coerente. Na minha opinião faltou algo mais chocante e/ou fora da caixa, para o tornar especial, ainda assim é uma leitura agradável, ainda que falemos de traições e vinganças!

Opinião... Rebecca Serle * Prazos de Validade

 


Imaginemos que, para cada relação amorosa que temos, sabemos qual vai ser a sua duração. Todas elas têm um prazo de validade conhecido… Como iriamos viver estas relações? De forma intensa, porque iriam ter um fim ou de forma leviana, pela mesma razão?

É esta a premissa de “Prazos de Validade”, um romance que achei muito interessante, principalmente pelo rumo que tomou. Confesso que a dada altura da primeira metade não estava a ver de que maneira a autora iria conseguir fechar esta história de forma coerente e lógica, mas um elemento que introduziu, depois do meio do livro, veio trazer uma nova luz sobre o assunto e gostei bastante do rumo, ainda que tenha percebido antecipadamente qual era.

Daphne sempre recebeu bilhetes, cartas, o que seja, com indicação da duração do seu próximo caso amoroso. Até ao dia em que o bilhete apenas tem o nome do feliz contemplado, sem data. O que significará isso? É desta que terá um: “felizes para sempre”?

É isso que vamos descobrir, em conjunto com esta personagem peculiar. Ela é amorosa, todos gostam dela (incluindo o leitor!) e torcem para que a vida lhe sorria. Ela tem um novo emprego, onde se sente bem, dá-se bem com a chefe e com a ex-colega que lhe apresentou Jake. Tem um ex-namorado que se tornou melhor amigo, o Hugo, com quem tem uma relação estreita e é o único que sabe da existência das datas.

E tem a sua relação com Jake, a melhor pessoa do mundo, tudo faz para que Daphne se sinta bem e confortável. Face à ausência de data de fim, Daphne investe tudo nesta relação, ainda que o coração não galope. Até onde iremos?

Este foi um romance que me soube muito bem ler, ainda que tenha tido umas questões com a escrita, que não consigo identificar se são da autora, Rebecca Serle ou da tradução. Senti alguma estranheza na forma, ainda que a mesma se tenha desvanecido ao longo da leitura.

À parte este detalhe, gostei muito da premissa, da história e da Daphne! Um bom romance para ler numa tarde de chuva, com um chá que nos aqueça o coração e a alma!

Opinião... Fran Littlewood * A Incrível Grace Adams


Gosto de espreitar o Goodreads antes de iniciar uma leitura. Gostos não se discutem, mas quando a classificação é resultado de inúmeras opiniões, a média é indicativa de algo. Por isso, foi com surpresa que vi que “A Incrível Grace Adams” tinha uma classificação mediana, mais ainda quando a sinopse me tinha chamado tanto a atenção.

Parti para a sua leitura com alguma cautela, no entanto, esta foi rapidamente deitada por terra, porque Grace Adams conquistou-me logo às primeiras páginas. A sua loucura/audácia é cativante, de uma forma inesperada. Para mais, Grace tem uma idade próxima da minha e aborda temas que não se encontram recorrentemente na literatura (o melhor exemplo, a perimenopausa).

A história de Grace é-nos contada em três tempos, o primeiro na actualidade, onde acompanhamos a odisseia de uma mãe que quer, a todo o custo, chegar junto da filha que faz 16 anos e com quem está de relações cortadas. Recuamos mais de 20 anos para assistir ao início da relação entre Grace e Ben, que gerou a adolescente aniversariante Lottie. Pelo meio recuamos apenas uns meses, ao momento em que algo aconteceu levando à destruição da relação de mãe e filha.

A construção de toda esta narrativa foi feita de forma muito inteligente. Se no presente temos uma acção lenta e frenética em simultâneo, quase como se fosse a sensação de um sonho onde pretendemos alcançar algo, mas nunca lá chegamos.  No passado a acção decorre num ritmo mais constante e previsível. Já os meses anteriores, escondem verdades inesperadas que me apanharam de surpresa.

Adorei esta personagem. Real acima de tudo, humana, sofrida, verdadeira. Expressa por actos o que muitas vezes nos passa pela cabeça, mas não executamos porque parece mal. Grace é uma mãe em sofrimento, uma mãe que pretende reconquistar a filha, uma mulher que precisa de recriar um rumo, há muito perdido. Toda a teia a fechar-se e a revelar todos os acontecimentos que tiveram consequências, levam o leitor numa roda-viva.

Não esperava gostar tanto desta história, mas a verdade é que Grace Adams ficou e ficará comigo. Uma personagem daquelas que adoro adorar! E a média no Goodreads vai crescer um bocadinho 😊

Opinião... Kei Aono * O Destino da Livraria de Kichijoji

 

Sabem aqueles livros que só de olhar para eles, sentimos que queremos muito gostar da leitura? Foi o que me aconteceu com “O Destino da Livraria de Kichijōji”, para mais na incrível embalagem onde o recebi, já de si bonita, melhor ainda porque vinha recheada de Tsuru!

Mas a capa não faz um livro, e o que o envolve também não. A narrativa, as personagens, a escrita, esses sim são factores determinantes. E alguns destes aspectos ficaram aquém, na minha opinião.

É certo que o livro segue em crescendo de interesse, no entanto, a primeira metade é muito vazia de conteúdo, pautada por repetições de ideias e pouca acção. Ainda assim algo no livro me impulsionou a continuar a leitura, e ainda bem, porque a segunda metade melhora significativamente. Porque é na segunda metade que as personagens revelam a sua essência, e onde se comprova que a união faz a força!

A livraria de Kichijōji é uma livraria bastante antiga, com uma enorme oferta, mas meio perdida no tempo. Os funcionários mais novos procuram trazer alguma inovação, mas rapidamente são barrados pelos mais antigos e conservadores. É o caso de Aki, uma jovem que acaba de se casar, e que encontra em Riko, a sua superiora, uma adversária no local de trabalho.

No entanto, o futuro não se avizinha risonho para esta livraria, obrigando a que todos coloquem de lado as suas diferenças e a que Riko, entretanto promovida a gerente, abra horizontes a novas experiências. Conseguirão, juntos, salvar a livraria?

A escrita japonesa é muito característica e única. Pautada pela contemplação e pela lentidão da acção, é expectável que as narrativas não sejam aceleradas e para devorar. Ainda assim, a primeira metade deste livro passa um pouco esta linha divisória, acabando por cair no desinteresse, o que desmotivou a minha leitura. Se todo o livro tivesse o mesmo conteúdo da segunda parte, estou certa de a percepção seria diferente. Desta forma, embora tenha acabado por gostar da leitura, não a senti especial como esperava.

Opinião... Kristen Perrin * Como Resolver o Próprio Homicídio

 


Aqui está um livro que partiu de uma premissa muito interessante, mas que, na minha opinião, não a soube cumprir de forma plena…

“Como Resolver o Próprio Homicídio” apresenta-nos Frances Adams, que quando jovem foi ler a sua sina numa feira. O que ela não esperava é que esta leitura lhe modificasse toda a vida, já que previa a sua morte por assassinato. E ainda lhe juntou algumas pistas de como tal iria acontecer.

A partir desse dia, Frances passou a viver em função de descobrir o seu próprio assassino, aquele que ainda não existia…

Os anos passaram e, no presente, vamos acompanhar Annie Adams, sobrinha neta de Frances. A sua tia-avó, agora idosa, decidiu mudar o testamento e organiza um encontro com todos os implicados. O problema é que Frances é assassinada precisamente neste dia, pouco tempo antes de todos chegarem, cumprindo-se assim os desígnios da sina.

Mas Frances, embora não tenha conseguido evitar o seu próprio homicídio, deixou preparada uma carta, onde determina que a sua herança irá para quem encontrar o assassino. Annie é uma das contempladas e aceita de imediato o desafio…

E poderíamos ter aqui uma história muito original e divertida, assente numa ideia igualmente original. No entanto, achei a concretização da mesma muito morna. Há vários pontos que não me pareceram lógicos nem coerentes, começando pelo cenário do crime, que foi imediatamente utilizado por todos. Tanto quanto sei, cabia à polícia isolar o espaço e investigar antes de qualquer outra pessoa… E mesmo o desenlace, tem associadas questões desconhecidas do leitor, o que nunca lhe teria permitido desvendar o todo.

Em suma, temos aqui uma ideia gira, uma capa espectacular e expectativas altas que não foram completamente cumpridas. Não é um livro entediante, mas, na minha opinião, não enche as medidas…

Opinião... Caroline Bernard * Eu Sou a Frida

Assim que descobri esta novidade, intitulada “Eu Sou a Frida”, fiquei de imediato interessada e curiosa com a mesma. Frida Kahlo é uma personalidade que me intriga e atrai. Mulheres que tiveram a coragem de fazer diferente e enfrentar as convenções são sempre uma inspiração.

Aqui vamos acompanhar Frida desde 1938, numa altura da sua vida em que decide deixar de ser a sombra de Diego Rivera, para criar o seu lugar no mundo das artes, já que os seus quadros seriam tão valorosos quanto os do seu marido, no entanto, sendo mulher, foi sempre remetida para segundo plano.

Tomada a decisão, Frida investe nesta empreitada que trará frutos. Primeiro uma exposição em Nova Iorque, depois em Paris, levam a artista ao estrelato que tanto ambicionava. Mas nem tudo foram rosas, inúmeros foram os contratempos que só a sua resiliência permitiu ultrapassar.

Frida teve uma vida difícil, sempre acompanhada de muita dor provocada primeiro pela doença, depois pelo acidente. Será através dos seus quadros que conseguirá ultrapassar parte desta dor, numa jornada muito auto-biográfica.

A escrita de Caroline Bernard é simples e bonita, fácil de ler, mas mantendo uma vivacidade que faz o leitor acreditar que Frida Kahlo está ali, a recordar. Conta-nos inúmeros episódios, muitos deles que eu desconhecia e que gostei muito de descobrir.

Adorei esta leitura e o anterior livro da autora, “Frida e as Cores da Vida”, já está na minha lista de desejados para leitura futura e próxima!

 

Opinião... Angélica Lopes * A Maldição das Flores


Quando se é uma leitora ávida como eu sou, é sempre uma lufada de ar fresco encontrar uma história original, que nos arrebate e cative. Foi o que me aconteceu com “A Maldição das Flores”.

A premissa é, em si, incrível. Remontemo-nos aos inícios de 1900, quando a voz das mulheres era simplesmente inexistente. Na região de Pernambuco havia um grupo de mulheres rendeiras, do qual faziam parte a família Flores (que dá título ao livro, já que paralelamente conheceremos a maldição que as assola) e uma amiga, a Eugenia. É precisamente Eugenia que, obrigada a casar-se com um homem que a impedia de sair de casa e a maltratava, encontrou nas suas rendas o veículo de comunicação perfeito.

Cada ponto correspondia a uma letra do alfabeto, portanto, todas aquelas que soubessem o código, poderiam comunicar. E é desta forma que Eugenia comunica com a sua amiga Inês Flores, na tentativa de fuga que ambas elaboram.

Damos então um salto até à actualidade e conhecemos Alice, uma jovem activa e reivindicativa, que luta e defende os seus princípios, tentando ganhar a tal voz que tanta falta fez às mulheres ao longo de décadas. Ela será a herdeira de um véu, em renda, e do respectivo código. Este é-lhe oferecido por uma tia que ela não conhecia. Quando percebe o que aquele véu representa, não consegue mais parar até conhecer a história de toda a família e quem foi Eugenia.

É este caminho que iremos fazer em conjunto com Alice e, garanto-vos, é uma caminhada incrível! Toda a envolvente destas rendas, os acontecimentos que se atropelam, as aparências, o sofrimento de tantas mulheres ao longo dos anos, tudo é vívido e sentido. Adorei!

Quem me segue, sabe que tenho alguma relutância em ler em português do Brasil, porque sinto que me atrapalha a compreensão imediata do que leio. Mas, neste livro, senti que fluiu de forma ligeira, talvez porque a história me interessou tanto.

Em suma, encontrei aqui um romance original, com um tema também ele original e muito bem desenvolvido, ainda que assente numa problemática tão antiga: as desigualdades entre homens e mulheres. Aqui, elas provaram que com inteligência se consegue contornar a força bruta, ainda que nem sempre com um final feliz!

Opinião... Sophie Lark * Brutal Prince

 


Temos gangues rivais? Sim, temos. Os Gallo e os Griffin, uma família de origem irlandesa outra italiana, ambas relacionadas com a máfia.

Temos uma relação de ódio que se transformará noutra coisa? Temos. E com cenas bem calientes, por sinal!

Temos então os ingredientes certos para um bom romance, levezinho e divertido, óptimo para estes dias mais quentes. Na minha opinião, poderia ter sido, caso não tivesse um enorme senão, que se prendeu com as cenas mais tórridas do romance. Nada contra elas, mas a linguagem utilizada poderia ser muito mais bonita, revestindo-as de uma sensualidade que achei inexistente. Nada de puritanismos, apenas não se adequa ao meu gosto pessoal.

E este pequeno/grande senão, porque são várias as passagens, fez com que não apreciasse o livro como um todo, ainda que tenha achado bastante piada às picardias entre as personagens principais, a Aida Gallo e o Callum Griffin.

Ela é destemida e não mede as consequências. Ele tem sede de poder, a qualquer custo. Juntos só poderiam provocar um tornado. Foram estas partes que me divertiram e fizeram rir. Isso e as reacções inesperadas, que apanharam as personagens de surpresa e a mim também.

Em suma, é um livro que entretém, não é maçador, mas não me encheu as medidas. É bem verdade que cada livro tem seu leitor, eu não serei o deste...