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Opinião... Joël Dicker * Uma Catastrófica Visita ao Zoo

Joël Dicker aventura-se aqui com um registo completamente diferente daquele a que nos habituou. O autor explica, no final do livro, que sente que cada vez mais as pessoas estão afastadas umas das outras, principalmente entre gerações e procurou criar uma história que fosse interessante para todas as idades.

E conseguiu!

Contado na primeira pessoa, pela voz de uma menina que frequenta uma escola para crianças especiais, iremos perceber que série de catástrofes ocorreram, em sequência e que culminaram na catastrófica visita ao zoo que dá título ao livro.

Fazendo lembrar o efeito borboleta, o autor utilizou este registo com algum humor associado, para lançar várias temáticas: inclusão, relações entre pais e filhos ou até política. Desta forma, permite a cada idade que o leio interpretar de acordo com as suas capacidades e cria, em simultâneo, um bom ponto de partida para discussões sobre os temas.

Um livro simples mas bem conseguido, com uma escrita acessível e ainda assim, com bom conteúdo. Parece-me que, seja o que for a que se proponha escrever, Joël Dicker consegue sempre cumprir o seu objectivo!

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Opinião... Aurora Venturini * As Primas

Yuna é a narradora deste livro. Escrito na primeira pessoa, retrata-nos a vida vista por esta jovem que tem um certo grau de deficiência. Por isso o seu discurso é simples, com recurso, muitas vezes, a um dicionário para a ajudar a exprimir-se.

E este esforço de Yuna é recompensado, com o passar do tempo, tornando-a mais independente e confiante nas suas capacidades. E este foi, sem dúvida, o ponto alto deste livro para mim.

Porque a história que nos conta mais me fez lembrar uma câmara de horrores, já que todos os membros jovens desta família têm algum grau de deficiência e os acontecimentos trágicos sucedem-se.

Concluída a leitura, não estou certa do que sentir em relação ao livro, já que não me consegui conectar com nenhuma personagem, não consegui sentir a dor e as feridas abertas face aos acontecimentos descritos.

Talvez a escrita tenha contribuído para isso, e entendo o seu propósito, até porque são os olhos e a compreensão da Yuna face a cada situação, mas faltou-me alguma coisa para me agarrar a estas personagens e a esta história sofrida.

Ignorância minha, pensava que Aurora Venturini era uma autora italiana (induzida em erros pelo nome), afinal é Argentina. O que eu esperava encontrar em termos de escrita também não se concretizou, mas aqui a culpa foi minha, por falta de pesquisa antes de comprar o livro e de o ler.

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Opinião... Beatrice Salvione * A Malnascida

Cruzei-me com “A Malnascida” na Noite da Literatura Europeia, já que este livro foi o representante de Itália naquele evento, no ano passado. A pequena passagem que ouvi, interpretada pela atriz Carolina Amaral, conquistou-me de imediato!

“A Malnascida” conta-nos a história de Maddalena e de Francesca, duas meninas que criam um forte laço de amizade ainda que inesperado. Maddalena é a malnascida que dá título ao livro, já que estava sozinha em casa com o irmão, quando este caiu da janela e morreu. Ficou então ligada a este estigma da pouca sorte, fazendo todos afastarem-se. Todos menos Francesca, uma menina proveniente de uma família mais abastada, que contrariando regras e convenções, prefere a companhia da Maddalena, no meio do rio ou da lama, a estar vestida com laços e rendas.

A relação de amizade destas duas meninas é, de facto, o ponto central do livro, e mostra-nos como amizades de infância são as mais fortes, porque nascem do coração.

A escrita de Beatrice Salvioni é muito italiana, se assim posso dizer. Sente-se o espírito daquele país em cada página do livro, o que me fez gostar ainda mais desta história, que sabemos desde o início, não é feliz. E ainda assim, não queremos deixar de acompanhar estas duas personagens que têm uma força incrível, mesmo contra uma sociedade marcadamente masculina!

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Opinião... Afonso Cruz * O Livro do Ano

 


“O Livro do Ano” de Afonso Cruz habitava já a minha estante há vários anos. Soubesse eu que o leria em menos de uma hora e já o teria lido há muito…

Li agora e honestamente, não sei muito bem o que dizer sobre ele. É um livro simples, com ilustrações muito bonitas e algumas frases tocantes. Algumas, não todas, na minha opinião.

Não dei o meu tempo de leitura por perdido, foi um momento agradável, mas não memorável. Confesso que não esperava o conteúdo, ainda que seja um belíssimo objecto, mais ainda pelas ilustrações.

Ainda assim há uma frase que me tocou muito, que aqui transcrevo: "Para aquecer o corpo, o melhor é uma lareira. Mas, para aquecer a parte de dentro do corpo, o melhor é ler." Ler é sempre o melhor remédio!

Opinião... Elizabeth Strout * Tudo É Possível


Elizabeth Strout destaca-se pela escrita e pela originalidade como constrói as suas narrativas.

Em capítulos separados que mais parecem pequenos contos, a autora vai desvendando as suas personagens, de forma quase crua. Aparentemente, estes diferentes capítulos nada têm a ver uns com os outros. No entanto, à medida que se prossegue com a leitura, é quase visual o efeito de uma espécie de bola/puzzle, que se vai fechando até ficar totalmente selada e a história terminada. Esta particularidade é o que me faz gostar dos livros da autora. Ir descobrindo os pequenos fios que ligam as personagens, ir entendendo as situações que deram origem a outras. É muito inteligente e quase uma piscadela de olho ao leitor, o que aprecio muito.

Contudo, neste livro em particular, a história de cada personagem não me interessou tanto. Não consegui criar conexão com nenhuma delas, o que me afastou da história no seu todo.

Em “Tudo é Possível”, continuamos a conhecer a localidade de Amgash, terra natal de Lucy Barton, que deu título ao primeiro volume desta série. Lucy e a sua família estão aqui representados como uma família muito pobre, quase à margem da sociedade. Igualmente presente está a inveja que Lucy provoca na actualidade, uma vez que reside em Nova Iorque e é escritora de renome. Pelo meio temos todas as intrigas próprias de uma pequena localidade, onde todos se conhecem e onde não é possível esconder segredos. E há muito sofrimento e dor em cada uma destas personagens! Este chega a ser palpável.

Trata-se de um livro pequeno, que se lê quase de uma assentada e que, pelo efeito que provoca no leitor, merece a sua leitura. Enquanto história de vida de personagens, este ficou um tanto aquém de outros que li da autora. No entanto, a série é composta por quatro volumes, pelo que fico a aguardar novos desenvolvimentos nos próximos.