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Opinião... Kazuo Ishiguro * Nunca Me Deixes

Parece impossível, mas este livro celebra 20 anos! E continua tão actual. É incrível…

Esta foi uma releitura para mim, mas a minha opinião mantém-se. “Nunca Me Deixes” é uma distopia. Um livro que aborda um tema que, há 20 anos, dava os seus primeiros passos, mas que continua muito embrionário, talvez, precisamente, pelas questões levantadas neste livro… Falo sobre a clonagem humana.

Kath, Tommy e Ruth, são três das personagens principais deste livro. Vamos acompanhá-los desde pequenos, quando frequentavam uma estranha escola, em jeito de internato. Na verdade, nenhum deles saiu alguma vez da escola, não conhecem sequer o mundo exterior.

À medida que vão crescendo, algumas teorias vão circulando pelos corredores da escola, mas ainda assim, ninguém sabe exactamente qual o seu papel na sociedade. O desconhecimento leva-os a aceitar tudo sem questionar.

E nós, leitores, somos igualmente ignorantes daquela realidade, que apenas se vai desvendando, aos poucos, ao longo da leitura. Ter a mesma informação que as personagens torna a leitura ainda mais interessante.

Na escrita simples, mas bonita e calma, de Kazuo Ishiguro são-nos colocadas inúmeras questões, nomeadamente no que toca ao valor de cada vida, ao sentido dessa mesma vida, ao papel que cada um desempenha na sociedade. E nesta realidade, existem perguntas para as quais a resposta é extremamente difícil e delicada!

Um livro que dá que pensar, e que nos oferece, nesta edição que eu li, um prefácio escrito na actualidade, pelo autor, em jeito de celebração dos 20 anos, também ela muito interessante.

Opinião mais detalhada em video:


Opinião... Salva Rubio * O Fotógrafo de Mauthausen

 


“O Fotógrafo de Mauthausen” conta-nos um período negro da história mundial, mas sobre a perspectiva de um fotógrafo espanhol. O que foi, à partida, uma novidade para mim. O tema da Segunda Guerra Mundial e, em particular, dos campos de concentração, dada a sua enormidade, são muitas vezes abordados na literatura, mas nunca tinha lido na perspectiva dos espanhóis.

Mais ainda, perceber que estas pessoas, por serem contra o franquismo, foram obrigadas a exilar-se em França, que rapidamente usou a sua força como préstimos à pátria, para os largar ao seu destino quando os nazis avançaram. É desta forma que milhares de espanhóis foram levados para o campo de concentração de Mauthausen, na Áustria.

Um deles foi Francisco Boix que terá passado por duras penas, à semelhança dos seus compatriotas, mas que teve a “sorte” de ver descoberta a sua habilidade com a fotografia, passando a integrar a equipa de prisioneiros “afortunados” (com muitas aspas). A sua função era acompanhar o fotógrafo nazi e revelar todas as fotos tiradas no campo. E havia ali um pouco de tudo, desde fotos a simular uma realidade inexistente, onde os prisioneiros eram bem tratados, para provar o que não existia, até fotos dos próprios nazis, com o objectivo de as enviarem aos familiares, passando por fotografias que testemunhavam atrocidades várias.

São precisamente estas últimas que Francisco quer esconder para que sirvam de provas futuras. Para tal, arrisca muitas vezes a sua vida e a dos seus companheiros…

A arte deste livro é de grande qualidade, fazendo uso das cores sombrias para retratar um dia-a-dia muito duro e cinzento. Gostei muito da forma como a narrativa foi contada, ilustrada de forma muito adequada à seriedade do tema.

Adicionalmente, o livro tem um dossier histórico muito completo, que detalha partes da novela gráfica, mostra fotos e distingue o que é ficção do que é realidade. Pareceu-me uma obra muito completa, séria e profissional que me deu a conhecer (mais) uma perspectiva que desconhecia sobre um tema que não podemos esquecer.

Opinião... José Rodrigues dos Santos * O Último Segredo


Data Início: 03-03-2012
Data Fim: 10-03-2012

Autor: José Rodrigues dos Santos
Título: O Último Segredo
Editora: Gradiva
ISBN: 9789896164461
N. Páginas: 564

Sinopse:
Uma paleografa é brutalmente assassinada na Biblioteca Vaticana quando consultava um dos mais antigos manuscritos da Bíblia, o "Codex Vaticanus". A policia italiana convoca o célebre historiador e criptanalista português, Tomás Noronha, e mostra-lhe uma estranha mensagem deixada pelo assassino ao lado do cadáver.
A inspectora encarregada do caso é Valentina Ferro, uma beldade italiana que convence Tomás a ajudá-la no inquérito. Mas a sucessão de homícidios semelhantes noutros pontos do globo leva os dois investigadores a suspeitarem de que as vítimas estariam envolvidas em algo que as transcendia. Na busca da solução para os crimes, Tomás e Valentina põem-se no trilho dos enigmas da Bíblia, uma demanda que os conduzirá à Terra Santa e os colocará diante do último segredo do Novo Testamento: A Verdadeira identidade de Jesus Cristo.

Comentário: 
Estamos perante uma história que começa no Vaticano, onde assistimos a um brutal assassinato... Por conta deste, encontramos de novo o historiador Tomás Noronha. Mas os assassinatos não terminaram ainda e seguem-se mais dois. A partir daqui é uma caça ao mistério que os leva a Jerusalém, através das mensagens deixadas juntos dos cadáveres.
Agora, o que tem isto a ver com a clonagem e com Jesus Cristo? Terão mesmo que ler para descobrir!
Posso adiantar apenas que o livro mantém a característica mais profunda de José Rodrigues dos Santos, tem por base uma pesquisa enorme, um trabalho prévio que se traduz num livro muito interessante e que dá que pensar!

Classificação: 9/10