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Opinião... Raphael Montes * Suicidas

“Suicidas” é o mais recente lançamento de Raphael Montes em Portugal, mas, na verdade, foi o seu primeiro livro editado. E percebe-se, quando comparado com os restantes livros do autor, que, de facto, foi o primeiro. Mas uma coisa é certa, aquele génio criativo tão característico de Raphael Montes já lá está!

Não conheço outro autor que tenha a capacidade de agarrar um leitor para leituras tão macabras e perturbadoras.

Desta vez temos um suicídio colectivo. Quando iniciamos o livro, este duro acontecimento já ocorreu há cerca de um ano, mas ainda não há nenhuma explicação para o mesmo. A investigação decide então juntar todas as mães dos jovens que participaram nesta roleta russa alterada, porque existe um livro que relata a maior parte dos acontecimentos, escrito pela mão de um dos jovens suicidas.

Entre capítulos intercalados, com a leitura do livro, a reação das mães e viagens ao passado, o leitor vai também acompanhando o desbravar dos acontecimentos até ao juízo final…

Gostei bastante deste enredo, da dinâmica das três partes distintas. O que achei menos bem conseguido foi a conclusão, que me pareceu bastante óbvia, quase desde início. Ainda assim, foi uma leitura que gostei muito, que me deixou com os nervos à flor da pele, como se quer num thriller.

E o final, mesmo o final (último parágrafo) faz antever tudo o que ainda aí vem…

Opinião mais detalhada em video:



Opinião... Raphael Montes "Uma Família Feliz"

A capa de “Uma Família Feliz” refere “um thriller psicológico explosivo” e é mesmo isto… Raphael Montes tem uma capacidade de criar enredos que mexem com o psicológico, quer das suas personagens, quer dos seus leitores.

Não consigo ler os seus livros sem sentir emoções fortes, que vão da compaixão à repulsa.

“Uma Família Feliz” conta-nos a história de Eva e Vicente, um casal feliz, com uma boa situação financeira, com duas filhas gémeas e um novo bebé a caminho.

Mas nem tudo é o que parece e cedo percebemos que esta estrutura familiar tem muitas lacunas, a começar pela morte mal explicada da anterior mulher de Vicente…

O livro tem a particularidade de começar no último capítulo, para a seguir voltar ao primeiro e seguir a ordem correcta. Portanto, sabemos exactamente como o livro termina, resta saber porquê!

Posso partilhar que estive bastante convicta do rumo da história e sentia-a a percorrer esse caminho. Feliz por compreender a mente de Raphael Montes, só que não! Perto do fim o autor pregou-me uma bela rasteira e eu nem percebi de onde ela veio!

Que bom é quando isto acontece, um thriller quer-se surpreendente e cheio de reviravoltas! E Raphael Montes sabe com o fazer!

 Opinião mais detalhada em video:



Opinião... Raphael Montes * Jantar Secreto

 


Acabei de ler este livro e pensei “este livro é tão bom!”, mas, em simultâneo, pensava “mas este livro é tão mau!!”. Como pode uma coisa assim? 😊

É verdade, Raphael Montes conseguiu a proeza de fazer um thriller incrível de um tema terrível. Como é que consegue prender a atenção do leitor, narrando atrocidades? Só me imaginava com a mão a tapar os olhos, com os dedos entreabertos a espreitar, num misto de quero e não quero saber (Não o fiz (embora o pudesse ter feito!)).

Acho que nunca tal me tinha acontecido numa leitura, confesso.

Esta história começa serena. Um grupo de amigos que sai da terra para a grande cidade. Neste caso, para o Rio de Janeiro. Eles são 4 e veem estudar, alugando um apartamento que partilham. Uns com mais sucesso que outros, lá vão avançando e chegam ao mercado de trabalho. Mas a vida não é fácil e a crise não ajuda, levando-os a um ponto de sufoco inesperado, depois de vários anos instalados na grande cidade.

Tudo piora quando um deles, o Leitão, fica com o dinheiro da renda do apartamento em vez de pagar a mesma. Quando os outros descobrem, a dívida já está impossível de pagar e são ameaçados de despejo. É nessa altura que lhes surge uma ideia que parece peregrina. Porque não servir jantares em casa, já que um deles é um chef de qualidade, ainda que a mesma não seja devidamente reconhecida no mundo hoteleiro.

Uma brincadeira supostamente inofensiva do tal Leitão, transforma o anúncio deste evento em algo completamente diferente, já que a iguaria anunciada não é de todo o esperado. O que começou como uma brincadeira rapidamente entre numa escalada de horror e, em simultâneo, de riqueza, que os prende cada vez mais.

Os caminhos são muito obscuros, cruéis, imorais.  E é este caminho que trilhamos com os protagonistas, qual câmara dos horrores.

Atenção que este livro tem descrições impróprias para estômagos mais sensíveis. A dada altura obriga a parar e respirar fundo, tal é a descrença na capacidade humana para o mais negro e perverso. Perturbador é o mínimo de que se pode qualificar este livro.

Mas ainda assim é um thriller construído com uma mestria, que nos conduz por onde quer e nos surpreende quando determina que é chegada a altura. Genial!