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Opinião... Ruth Ware * Um Casal Perfeito

 Ruth Ware já nos ofereceu vários thrillers viciantes e empolgantes. Desta vez escolheu como temática um reality show que pretende levar os concorrentes (casais) para uma ilha paridisiaca. O que depois acontecerá naquele local, poucos sabem, já que até os concorrentes estão privados desta informação. Mas o valor do prémio e, principalmente, a expectativa de notoriedade falam mais alto...

O programa televisivo chamar-se-á Casal Perfeito, ainda que este casal possa não ser, necessariamente, um casal que se inscreveu em conjunto, mas antes dois elementos de dois casais diferentes. Logo aqui começam as questões em torno na moral deste programa. Ainda assim, ninguém desiste, já que a ambição é grande.

Lyla e Nico são um dos casais participantes e será através deles que iremos acompanhar os desenvolvimentos. Enquanto Nico ambiciona ser actor e procura a dita notoriedade, Lyla é cientista e este é o último local onde se imagina. No entanto, para permitir que Nico participe têm que ir os dois e ela acaba por aceitar, tendo como plano ser uma das primeiras pessoas expulsas.

Obviamente que o destino lhes vai trocar as voltas e quando uma tempestade assola a ilha, modificando toda a realidade, já são só 9 participantes, já que Nico foi o primeiro expulso! Lyla vê-se na pior situação possível, presa numa ilha com estranhos, a lidar com situações extremas, a lutar pela sua sobrevivência.

Eu diria que este livro, mais do que um thriller, é um livro sobre a natureza humana e a forma como reage face a situações inesperadas e agrestes. O melhor e o pior do ser humano vem ao de cima e ninguém fica a salvo...

Gostei muito deste livro, achei-o empolgante e, quando a realidade chamava por mim, não me apetecia parar de ler. Esta autora voltou a provar que sabe escrever uma história que perturba e, ao mesmo tempo, cativa!

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Opinião... Barbara Davis * O Eco dos Livros Antigos

Que livro bom este! Assim que vi o título e a sinopse, soube que o queria ler, e não desiludiu!

Um livro que nos fala de livros tem logo um ponto extra a seu favor, não é verdade? “O Eco dos Livros Antigos” somou ainda muitos outros pontos, nomeadamente, uma boa história, uma escrita descomplicada, mas bonita, duas narrativas paralelas, em épocas distintas e uma doce história de amor…

Ashlyn tem um dom, ela consegue sentir o eco dos livros. Se um livro já foi lido por alguém com emoções fortes, Ashlyn sente essas mesmas sensações ao folhear o livro.

Ela não teve uma infância fácil, e uma livraria de livros antigos era muitas vezes o seu refúgio. O seu proprietário era um senhor já com alguma idade que a acolheu e lhe ensinou a arte do restauro de livros antigos, acabando por deixar a livraria a Ashlyn, após a sua morte.

É esta livraria o destino de um caixote de livros que Ethan doou, pertencentes ao seu pai, entretanto falecido. No meio destes livros, Ashlyn encontra um especial, cujo eco é muito forte. Mas o livro não tem nem autor nem editora, o que a leva a ficar ainda mais curiosa. É fruto desta curiosidade que parte em busca de respostas, mais ainda depois de descobrir um segundo livro semelhante, que é uma resposta ao primeiro. As personagens destes livros? Belle e Hemi, dois apaixonados de costas voltadas.

Vamos então acompanhar as duas histórias em paralelo, a de Ashlyn e Ethan e a de Belle e Hemi. Duas histórias cheias de pormenores, ricas em detalhes que adorei acompanhar.

Aqui está um romance que tem todos os ingredientes em dose certa, para se tornar numa leitura que me deliciou!

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Opinião... Louise Candlish * Nas Alturas

Louise Candlish apresenta em “Nas Alturas” um thriller com uma boa dose de vingança e ódio, mas acima de tudo, de acções movidas pelo amor de uma mãe.

Há tantas atitudes e decisões, principalmente no início do livro, que levantam tantas bandeiras vermelhas! A dada altura tinha vontade de lhes gritar: “parem, por favor!”. Assistir sem poder intervir é deveras angustiante!

Ellen está na casa de uma cliente quando olha pela janela e vê um homem que conhece no terraço do prédio em frente. O problema? Para Ellen, aquele homem estaria morto há dois anos!

É este o ponto de partida que nos leva a conhecer esta história, repartido entre o presente, depois de Ellen ver Kieran, o homem supostamente morto e o passado conturbado.

Gostei bastante deste thriller, principalmente de alguns elementos que o diferenciaram, por exemplo, a fobia que Ellen tem às alturas (não no sentido da vertigem, mas sim da compulsão para saltar), ou os capítulos curtos intercalados no todo, relativos a aulas onde se aprende a escrever a própria história, quando a mesma se reveste de contornos trágicos e obscuros.

Os volte face são vários e bem construídos, algo imprevisíveis e a questão que se levanta com os diferentes pontos de vista, dependendo de quem narra, ainda que todos tenham vivenciado a experiência, são também eles muito interessantes.

Em suma, gostei bastante desta leitura, com conteúdo rico, mas que entretém e me manteve sempre presa a estas páginas!

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Opinião... Denis Thériault * A Vida Peculiar de Um Carteiro Solitário

 


“A Vida Peculiar de Um Carteiro Solitário” estava já na minha lista de desejados desde que foi editado em Portugal. Fui descobri-lo à venda da livraria Dejà Lú, um projecto que me é muito querido, pelo que me deixou duplamente feliz. Mais ainda fiquei quando, ao folhear o livro, descobri que tem uma carta (de amor ou desamor) e uma dedicatória. Portanto, de alguma forma, este livro esteve envolvido na história da vida de duas pessoas. Adorei!

Como o próprio título indica, vamos aqui conhecer um carteiro, Bilodo, que vive o seu dia-a-dia de forma solitária, recorrendo à correspondência alheia para encher a sua vida.

Pois é, Bilodo leva as cartas que deveria distribuir para casa, abre-as cuidadosamente, lê e volta a fechar para as entregar no dia seguinte. É no meio delas que vai “conhecer” Ségolène, apaixonando-se pelas suas palavras, (quase) vivendo delas.

Alguns acontecimentos irão precipitar a situação, revestindo-a de contornos muito mais obscuros do que aparentavam ser…

A solidão é aqui abordada de forma profunda, dando-nos uma perpectiva muito dura do que é vivê-la, seja por opção própria ou imposta. Não esperava o rumo desta história, mas acabou por me surpreender pela positiva, de tal forma me deixou a pensar no assunto.

A escrita de Denis Thériault é simples, mas cuidada o que transforma esta leitura num momento prazeroso, apesar da mensagem. Sendo um livro pequeno, lê-se quase de uma assentada, até porque não apetece parar de ler até ao final, também ele surpreendente!

Opinião... Kate Morton * O Regresso


 Romances que são sagas familiares, bem escritos e desenvolvidos e aqui esta leitora fica totalmente rendida!

“O Regresso” de Kate Morton conta-nos a história de Nora e da sua neta Jess. Elas são naturais da Austrália, mas Jess vive actualmente em Inglaterra. Certo dia recebe a chamada que não quer receber, de um hospital, a informar que a avó sofreu uma queda e que se encontra nos cuidados intensivos. Tal cenário leva Jess a regressar à sua terra Natal de imediato.

Entre visitas ao hospital, Jess vai juntando algumas peças, que começaram a despertar a sua curiosidade porque a avó caiu quando tentava aceder ao sótão da casa onde vive, empreitada extremamente perigosa, por causa das escadas de acesso. O que estaria naquele sótão de tão importante, para Nora arriscar a subida? Depois, algumas coisas que o cuidador da avó lhe disse, fizeram com que Jess começasse a investigar determinados acontecimentos do passado da família.

E nós, leitores, vamos com ela nesta viagem, ao tempo em que o irmão de Nora era vivo e vivia noutra região da Austrália juntamente com a sua mulher e quatro filhos.

Algo de trágico aconteceu, de tal forma que ainda hoje se reflete nas reacções de Nora. Trilhar este caminho foi descobrir cada uma das personagens, as suas peculiaridades, os seus propósitos.

A forma como Kate Morton foi revelando a informação, quase transformaram este romance num thriller, porque há coisas a descobrir e os pedaços de informação que nos foi oferecendo apenas espicaçaram mais à leitura. E é neste ponto que o livro teve algo que, para mim, não fez muito sentido. A dada altura, Jess tem acesso a um livro que conta a história desta parte da família ligada ao tio-avô. E vai lendo este livro aos pouquinhos, intercalados com o seu dia-a-dia de visitas à avó. Parece-me que nestas circunstâncias, aquele livro teria sido devorado de uma assentada evitando alguns mal-entendidos.

Não significa que tenha estragado a leitura, de todo, mas foi algo que me fez alguma comichão ainda que perceba que esteja relacionado com a construção da narrativa.

Muito bem escrito, com personagens ricas e cheias de vertentes, uma história com suspense e um fim algo surpreendente, “O Regresso” foi um romance que me encheu as medidas!

Opinião... Marta Coelho * Minúscula


 Assim que descobri que Marta Coelho tinha lançado um novo livro, entrou de imediato na minha TBR. Já tinha lido um livro da autora há uns anos e gostado muito da sua escrita. “Minúscula” é o título do novo livro e tenho de referir, antes de mais, o quanto gostei desta capa, desde as cores à composição! Ainda que não conhecesse a Marta, seria, com certeza, um livro que chamaria por mim!

E que livro bom este! Primeiro porque o que tanto gostei no anterior, a escrita, não só está lá, como sofreu um salto de qualidade enorme! Em segundo, a história. Parti para a sua leitura na expectactiva de encontrar um bom romance, mas encontrei muito mais e fui completamente apanhada de surpresa! A dada altura, o livro sofre uma reviravolta que me deixou de queixo caído. Foi genialmente construído!

“Minúscula” fala-nos sobre Duda. Ela é escritora, mas desde o fim de uma relação de vários anos, sente-se perdida, não só na vida, como na inspiração que lhe permite contar histórias. Mas Duda é muito mais do que esta mulher sozinha em busca de inspiração. Em pequenas viagens ao passado vamos entender muito do que ela é no presente. A vida não tem sido fácil para ela, mas a sua resiliência mantém-na à tona, em busca de um futuro feliz.

Fala-nos também de Pedro, alguém que vamos conhecendo muito devagarinho. Ele está numa rua do Chiado a escrever poemas a troco de moedas. Duda cruza-se com ele e, quase em jeito de desafio, insta-o a escrever sobre amor, o único tema em que ele não acredita. E ainda assim, faz magia com as palavras… De tal forma, que ainda que contra os seus princípios, Duda utilize o que ele escreveu para cumprir um prazo de entrega de trabalho. Quando pensava que tinha arruinado de vez a sua vida profissional, recebe um convite inesperado para escrever um livro a quatro mãos. Com quem? Com Pedro, que não é apenas um escritor de rua, é antes o autor de uma obra muito premiado no passado…

E só isto poderia fazer o livro. Mas não, Marta usou de toda a sua criatividade para nos oferecer uma história com muito mais, que foi um deleite ler. Esta devia ter sido uma daquelas leituras que se me filmassem ia dar uns bons memes! 😊

“Minúscula” fala-nos de solidão, de saúde mental, do quanto a infância nos influencia na vida adulta, do poder do amor. Tudo pelas bonitas palavras de Marta. Estou definitivamente rendida a este livro!