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Opinião... Giuliana Salvi * A Professora

Só percebi que este livro era baseado numa história verídica, para mais, da bisavó da autora, quando ia bem avançada na sua leitura e, de repente, tudo se revestiu de uma magia única.

Que mulher incrível a Clementina, protagonista deste romance. Quando enviuva, vê-se obrigada a regressar à casa dos pais, entretanto falecidos, para juntos das suas irmãs, com os filhos pequenos. Depressa percebe que as irmãs estão completamente alheadas da situação financeira em que vivem, o que a obriga a tomar medidas.

Numa época em que o lugar das mulheres era em casa, a tratar do marido e dos filhos, Clementina ousou ser diferente, procurar uma profissão (ainda que o caminho tenha sido quase um acidente) e sobreviver, ajudando a família em simultaneo.

É esta caminhada, dura e sofrida, que vamos acompanhar neste livro, e, a cada página, fui ficando mais cativada por esta personagem guerreira.

Sendo uma escritora italiana, esperava uma escrita mais característica do país, que eu tanto adoro. Embora não tenha nada a apontar à escrita, não senti o tal tom que destaca a escrita das autoras italianas. Mas nem por isso gostei menos! 

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Opinião... Lucinda Riley * Beleza Oculta

Lucinda Riley escrevia romances bonitos. Infelizmente, a autora partiu demasiado cedo, pelo que nos resta a nós, leitores, usufruir de cada um dos seus romances, saboreando-o devagarinho.

Foi o que fiz com Beleza Oculta. E numa fase pessoal menos boa no que toca a leituras, terá sido a escolha acertada. Porque os livros de Lucinda Riley oferecem um quentinho sem pedir muito em troca.

Neste livro vamos acompanhar Leah, uma menina proveniente de uma família cheia de amor, mas com necessidades, o que a obriga, desde cedo, a ajudar a mãe na casa de uma família abastada. É lá que vai conhecer um jovem que a encanta, sobrinho da dona da casa, ele sim, altamente rico já que o seu pai tem um verdadeiro império. O amor destes dois jovens vai ser contrariado por conta das diferenças sociais e de vários equívocos. 

O tempo passa e Leah tem a oportunidade de se tornar numa modelo famosa. Ainda que a sua vida tenha levado uma volta de 180 graus, ela não esquece a família nem o amor. Por isso gostei tanto desta personagem, simples, humilde e com o foco certo, mesmo quando a vida a presenteou com uma realidade tão distinta da sua vida inicial.

Gostei desta leitura, mas, na minha opinião, fica um pouco aquém de outros livros da autora que tanto gostei. Sinto que lhe faltou algum elemento diferenciador. Tem todos os ingredientes certos para um bom romance e é, mas não é diferente de tantos outros...

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Opinião... B. A. Paris * A Hóspede

B. A. Paris já me proporcionou boas horas de leitura, com thrillers viciantes e bem construídos. Este "A Hóspede" ainda que me tenha prendido a atenção, não me encheu as medidas e nem sei explicar concretamente porquê... Julgo que me faltou um factor surpresa diferente, ainda que não tenha antevisto o desfecho.

Íris e Gabriel são um casal a passar por algumas dificuldades, devido a acontecimentos trágicos que assolaram Gabriel. Numa tentativa de espairecer, decidem fazer uma viagem e, quando regressam, têm uma hóspede inesperada em casa. Laure é uma amiga que conheceram na lua de mel, junto com o seu marido, e a amizade foi sendo fortalecida ao longo dos anos, ao ponto de terem chaves da casa um dos outros.

Agora Laure está a enfrentar uma crise conjugal e refugiou-se aqui, mas, de repente, deixou de ser um pedido de ajuda, para ser uma hóspede pouco temporária e muito incómoda. Algumas situações anómalas vêem ainda revestir a situação de uma carga dificil de digerir para este casal.

Como referi no início, ainda que tenha lido com interesse, não consigo ficar entusiasmada com o todo. Achei tudo coerente, mas faltou-me algo, a que esta autora já me habituou em livros anteriores. É pena...

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Opinião... Seichō Matsumoto * Tóquio Express

Jutaro Torigai tem entre mãos um caso aparentemente fechado. Uma jovem e um homem são encontrados mortos numa praia, no que aparenta ser um suicídio de amantes.

Mas este inspector acha que existem pontas soltas e decide investigar por sua conta, dando início a uma busca pesada e prolongada por dados que lhe permitam comprovar as suas dúvidas.

Importa referir que “Tóquio Express” foi escrito em 1958, altura em que as investigações policiais eram muito diferentes, e onde o faro e atenção dos investigadores poderia fazer a diferença. E é precisamente o que faz Jutaro, esmiuçando horários de comboio, tempos de percursos, horas de acontecimentos, de forma a construir o puzzle do que foram os últimos dias destas personagens.

Ainda que ache interessante esta abordagem, uma vez que o livro vive apenas desta investigação, a dada altura, achei-o um pouco repetitivo o que acabou por condicionar a minha opinião.

De qualquer forma, é um livro interessante, bem escrito e consigo entender quando comparam Matsumoto a Agatha Christie. Qualquer coisa na sua escrita assemelha-se à rainha do crime, no entanto, na minha opinião, Agatha conta-nos a história com maior mestria.

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Opinião... Francesca Giannone * Amanhã, Amanhã

Descobri Francesca Giannone com “A Carteira” e fiquei fã. A escrita, a história, as personagens (memoráveis), tudo é bom naquele livro. Parti, portanto, para a leitura de “Amanhã, Amanhã” com as expectativas bastante altas.

E, a verdade é que a escrita se mantém bonita e com aquele toque charmoso dos italianos. Foi um deleite percorrer estas páginas até quase ao final. E é aqui precisamente, no final, que está o cerne da questão…

Se este livro tiver continuação, estou pronta para acompanhar Agnese e Lorenzo e a sua paixão pelo legado do avô, a fábrica de sabonetes. No entanto, se for um livro único, fico com uma sensação muito agridoce, já que o final não me satisfez. Poderá subentender-se algumas coisas, mas faltou-me tudo o resto…

Temos aqui uma história de família, centrada em dois irmãos, para quem a Casa Rizzo é tudo. Criado pelo seu avô, é o negócio de família que apaixona Agnese e Lorenzo, ainda que de maneiras diferentes. Enquanto Agnese trata de tudo o que se relaciona com a produção do sabonete, desde os aromas aos seus componentes, numa quase magia alquímica, Lorenzo é mais virado para o mercado e para as vendas, chegando a desenhar a publicidade da marca.

Um revés que veio de dentro da própria família irá desequilibrar esta estrutura e afastar os dois irmãos que pensam de maneira muito diferente, e que se reflete no seu percurso de vida a partir daí.

Gostei muito de conhecer esta família, muito bem descrita por Francesca, no entanto, como referi, o final fez esmorecer (em muito) o meu entusiasmo com o livro como um todo.

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Opinião... Valérie Perrin * Querida Tia

 


Que bom é saber que há um livro novo de uma autora que se adora. A expectativa do que lá vem, o prazer da leitura e a história que fica connosco depois…

Valérie Perrin produz este efeito em mim. Adoro a sua escrita, a sua forma de contar a história, o uso que faz de cada palavra, a importância que cada personagem tem, a riqueza da narrativa. Tudo é bom nos seus livros.

Em “Querida Tia” temos Agnès, que determinado dia recebe uma chamada inesperada, dizendo que a sua tia Colette faleceu. Mas a sua tia já tinha falecido três anos antes, como era possível tal coisa?

Esta situação peculiar desencadeou uma sucessão de acontecimentos que deram uma volta na vida de Agnès fazendo-a voltar à terra da tia para perceber o que se passa. Quem é a pessoa que morreu no passado, quem era a sua tia, que segredos escondia… Agnès passou muito verões com esta tia, e tinha por ela um carinho especial, contudo, havia muito da sua vida (e dos que a rodeiam) que ela não fazia ideia e que vai agora descobrir.

Temos aqui uma viagem ao passado, às bases da família da qual Agnès descende, mas temos também muito mais história, encerrada em cada uma das personagens (mesmo das que, à partida, designaríamos por secundárias). Há tanto a acontecer neste livro. Tanto enredo que se enleia e que se desata apenas no final, quando Agnès percebe realmente o que se passou e nós, leitores, também.

É inevitável comparar os livros de uma autora, mais ainda quando alguns deles estão entre os favoritos de sempre. Nesta comparação, “Querida Tia” fica um pouco abaixo de “A Breve Vida Das Flores” ou “Os Esquecidos de Domingo”. Mas atenção, fica abaixo, dentro de uma classificação de excelente! Porque eu adorei “Querida Tia”, Valérie Perrin já conquistou definitivamente o seu lugar no meu coração de leitora e não há nada que escreva que não me encha as medidas.

Se procuram uma boa história, um livro denso, mas delicioso de se ler, um livro que nos permite viver com ele durante a leitura e que permanece connosco depois desta, este é o livro certo!

Opinião... Ashley Elston * A Primeira Mentira Ganha

A Evie namora apenas há três meses com o Ryan. Evie não conhece sequer os seus amigos, no entanto, não é isso que a impede de aceitar ir viver com Ryan, um homem carinhoso e atencioso, que tudo lhe faz para que se sinta bem. O jantar com os amigos será o seu primeiro desafio, afinal as primeiras impressões é que contam não é? Ou será a primeira mentira que ganha? J

Mas o que Evie não esperava é que depois de ultrapassar vários obstáculos, fosse encontrar o grande desafio na namorada do melhor amigo. Esta apresenta-se como Lucca Marino, vinda de uma pequena localidade chamada Eden. O problema? Este é o verdadeiro nome de Evie e aquela foi a localidade que a viu nascer...

Pois é, nada neste livro é o que parece, Evie não é Evie. Lucca também não poderá ser Lucca. Mas então, quem é quem e porquê?

São estas as respostas que o leitor procura em “A Primeira Mentira Ganha”, um thriller que, na minha opinião começou muito bem, principalmente quando coloca frente a frente estas duas mulheres, espicaçando a curiosidade! Gostei também do desenvolvimento da narrativa, sempre interessante e cativante.

No entanto, na parte final da história senti que o novelo se estava a “embrulhar” demasiado, obrigando a um esforço e atenção que me quebraram o ritmo de leitura. Ainda assim, achei toda a construção bem estruturada, coerente e o final surpreendente, que é algo que se quer (muito!) num thriller.

A Evie é daquelas personagens que quase nos obrigam a perdoar-lhe os erros, ainda que não nos afaste da máxima: os fins não podem justificar os meios!

Opinião... Francesca Giannone * A Carteira

 

Assim que vi a capa deste livro, tive um feeling que era o livro certo para mim. Depois de saber a história, mais convencida fiquei. Elevei de tal forma as expectactivas que, confesso, iniciei a leitura com algum receio.

Mas posso dizer agora, que qualquer receio foi totalmente infundado. Que livro bom este! Tem tudo o que eu adoro e procuro num romance. Uma escrita exemplar, uma história de família que percorre longos anos, uma localidade pequena, bem característica do espírito italiano, mulheres fortes, alegrias e sofrimentos. Que leitura tão rica.

Sinto sempre que os italianos são exímios a escrever romances de família, o ritmo, as personagens de personalidade forte, a forma de escrever, encaixa tudo na perfeição.

Aqui temos Anna, uma mulher que se muda com o seu marido Carlo para a terra Natal dele, local onde é bem recebida, no entanto, onde não se sente em casa. É com dificuldade que Anna se integra nesta nova sociedade, junto da família de Carlo. Para agravar a situação, sente que precisa de uma ocupação profissional, algo que não é visto com bons olhos àquela época. Mas ela é resiliente e será como carteira que irá encontrar o seu lugar. Se primeiro é olhada de lado, por exercer uma profissão masculina, a forma como a encara, com profissionalismo e coração, acaba por fazer com que todos se rendam.

Anna era a bisavó da autora, Francesca Giannone. Ela terá encontrado um cartão de visita desta bisavó, o que a levou a imaginar esta história, cuja localidade e personagens são mera ficção. Ainda assim, saber que esta bisavó existiu e foi o mote para esta narrativa tão bonita, torna-a ainda mais especial.

O livro dá tempo ao leitor para se envolver com as personagens, para as sentir e se sentir lá, no meio da acção. Adorei cada página, cada personagem, cada passagem. Só tive pena que tivesse terminado. Anna Allavena, carteira, ficou comigo, como exemplo e como inspiração!

Opinião... Valérie Perrin * Os Esquecidos de Domingo


Arriscaria a dizer que esta minha primeira leitura do ano poderá ser um dos favoritos de 2024. E desconfio que não falharei… Que livro bom este.

Da escrita de Valérie Perrin já não espero nada mais que o sublime. Esta senhora tem o dom da palavra e leva-nos a viajar com ela ao som do seu encantamento. É incrível a capacidade que tem de me transportar para dentro do livro, assim que o reabro e retomo a leitura. Vivi com estas personagens, estive naquele lar junto com Hélène, naquela casa com a Vó e o Vô. Senti a dor da perda de Justine e senti o choque de cada nova descoberta. Tudo vívido, que deleite!

Desta feita, em “Esquecidos de Domingo”, Valérie entrega-nos uma narrativa cheia de detalhes e de camadas que se traduzem numa história memorável! Por falar no título, quem são os esquecidos de Domingo? São os habitantes do lar onde a jovem Justine trabalha, cujos familiares pouco visitam, aqueles que aos Domingos (e a todos os outros dias da semana) são esquecidos e precisam de ser relembrados. Na minha opinião, este título já merecia um prémio! 

A nossa querida Justine tem apenas 21 anos, mas é uma jovem com uma carga familiar passada demasiado pesada, já que perdeu os seus pais e tios num acidente de carro quando era ainda uma criança. Ela e o seu primo, também ele órfão, vivem com os avós paternos, num lar onde não falta pão na mesa, mas onde as emoções não são permitidas. O Vô, como lhe chamam, é um homem calado e circunspecto e a Vó uma mulher que já se tentou suicidar inúmeras vezes. Justine tem sede de saber mais sobre o passado dos seus pais e depois de vários indícios de que a história não estaria bem contada, vai em busca da verdade. Será que os seus frágeis ombros aguentam com mais esta carga (emocional)?

Paralelamente, temos a história de Hélène, uma habitante do lar, por quem Justine se encanta, passando com ela longas horas. Hélène irá contar-lhe a sua história de vida, história esta que Justine irá escrever num caderno azul, para oferecer ao neto da velha senhora. E nós, leitores, teremos o privilégio de ler este caderno. Mais uma história incrível dentro deste livro. Nela iremos encontrar as várias formas de amar, o perdão, a amizade. 

Tudo é bom neste livro. Sinto que me tornei leitora ávida em busca de livros como este. Livros que se quer muito acabar porque precisamos de saber mais, mas, ao mesmo tempo, livros que não queremos que acabem, para nos mantermos dentro das suas páginas… Um livro cheio de detalhes, com uma teia tão bem construída!