Mostrar mensagens com a etiqueta 99. Editora Dom Quixote. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 99. Editora Dom Quixote. Mostrar todas as mensagens

Opinião... Silvana Tavano * Ressuscitar Mamutes

Fui, em primeiro lugar, atraída pelo título deste livro. Mas assim que o comecei a ler e entendi o seu significado, ainda gostei mais. 

Mas também me deixou confusa, porque parecia mais um livro de não ficção do que um romance. Percebi depois que a autora estava a preparar o terreno para lançar a sua história, e a forma como o fez foi realmente original e interessante!

Ao longo destas (poucas) páginas a autora fala-nos de memórias, da relação entre uma filha e a sua mãe, por vezes frágeis teias que as unem, outras vezes a força que sustém cada elemento.

É um livro interessante que apetece ler devagar, mas que, em simultâneo, se quer devorar. Ambíguo, eu sei, mas é a sensação que transmite. Por querer saber mais, mas também por querer apreciar.

Gostei bastante da leitura que me levou por caminhos que não esperava!

Opinião detalhada em video:





Opinião... Luísa Sobral * Da Minha Janela

Luísa Sobral encantou-me com o seu romance "Nem Todas as Árvores Morrem de Pé". Por isso, assim que vi esta novidade, entrou de imediato na lista de livros a ler muito em breve!

A verdade é que este livro tem um registo completamente diferente do anterior, já que não se trata de um romance, mas antes de um conjunto de crónicas. E se tive um primeiro impacto de dúvida, por conta das expectativas, rapidamente foram superadas pelo tom destas crónicas.

Porque a verdade é que elas são o dia-a-dia da maioria de nós, com acontecimentos por vezes inesperados, situações mais complexas e outras apenas divertidas! (como me revi na crónica da oficina...)

Luísa Sobral tem o dom da palavra, quer pela escrita, quer pelas suas músicas. Fica aqui provado mais uma vez (como se ainda fosse necessário!). 

Opinião mais detalhada em vídeo:



Opinião... Sara Duarte Brandão * Quem Tem Medo dos Santos da Casa

Sara Duarte Brandão foi a vencedora do Prémio Novos Autores Wook, e eu tive o privilégio de assistir sua à entrega. Obviamente que se falou um pouco do livro naquela sessão e eu fiquei de imediato cheia de vontade de o ler.

E ainda bem que o fiz. Que livro original e bom de ler! Que escrita refrescante! Cada frase foi um deleite para mim, pela forma como a mensagem é transmitida, pelo uso cuidado de cada palavra. 

Maria Teresa é agora uma idosa, que vive quase isolada já que todos na aldeia a acham uma bruxa... Mas Maria Teresa já foi jovem, no seio de uma família austera, e depois, de um casamento sem amor nem respeito. Na aldeia onde nasceu, viveu-se todo um aparato com um acidente que destruiu a igreja. O padre, na tentativa de manter o ritual da missa arranjou uma alternativa, mas esta não foi bem aceite pelos aldeões...

Esta última parte tem inspiração numa história real vivida em Portugal o que tornou a narrativa ainda mais rica, com estes elementos religiosos/profanos a conferir um ambiente diferente a toda a história.

Gostei mesmo muito deste livro, desta narrativa, desta escrita. Ficarei atenta a Sara Duarte Brandão, ansiosa por uma nova obra da autora.

Opinião mais detalhada em vídeo:



Opinião... Tânia Ganho * Lobos

Aguardava com entusiasmo e expectativa o novo livro de Tânia Ganho. Quem já a leu saberá, certamente, porquê!

E não desiludiu! (como podia?). Este “Lobos” tem tanto para oferecer ao leitor, tanto conteúdo, tantas emoções!

Qualquer escritor com menor qualidade teria, provavelmente, criado um livro com demasiada informação. Mas Tânia Ganho tem o poder de brincar com as palavras, de ser concisa e, ao mesmo tempo, detalhada e profunda. O que resulta num livro que mexe com quem o lê, incomoda e expõe situações que habitualmente são abafadas na sociedade. Por isso mesmo, e pela forma crua como está escrito, temo que não será para todos, mas os que tiverem estômago forte, sairão, sem dúvida, mais ricos desta leitura.

O leque de personagens é vasto: Fedra, cientista, lidou toda a vida com cadáveres, tentando identificá-los após situações extremas, quer sejam guerra, violações ou assassinatos. Cansada de ver a miséria humana na sua vertente mais cruel, decide fazer uma pausa. A sua irmã, Helena, sofre uma crise existencial durante o seu segundo casamento. Ela procura algo que não sabe o que é, mas precisa de descobrir a sua essência sexual…

A sua filha, a adolescente Leonor, sofreu um duro golpe, depois de ter confiado num homem mais velho e precisa de ajuda. Será ao lado da tia Fedra que vai encontrar alguma paz.

Amélia é a mãe de Fedra e Helena e a sua doença, o Alzheimer, encontra-se em fase galopante de desenvolvimento, levando com ela as suas faculdades.

Na mesma região onde moram agora Fedra e Leonor, instalou-se também Stefan, antigo fotografo de guerra, também cansado do que já viveu, cria uma reserva de preservação do lobo (que pormenor maravilhoso este!).

E será no meio desta panóplia tão vasta de personagens que vamos viver esta história. Será sofrida aviso já. Nem sequer consegui ler muito tempo de seguida, de tal forma incomoda e, até magoa.

Mas é um livro e tanto!

Opinião mais detalhada em video:



Opinião... Luísa Sobral * Nem Todas as Árvores Morrem de Pé

Adorei a premissa deste livro. Luísa Sobral ouviu falar sobre uma história, parcialmente passada no nosso país, ainda que sobre pessoas estrangeiras e não sabendo toda a história que as trouxe até aqui, idealizou como terá sido.

Partindo de uma notícia de jornal, verdadeira, conta-nos uma história ficcionada da qual só sabe o desfecho. E não sendo uma música suficiente para esta odisseia, decidiu (e bem!) transformá-la num livro.

Tinha as expectativas altas, já que enquanto compositora, Luísa Sobral é exímia. Quem escreve canções da forma bonita como o faz, certamente também escreve uma história com a mesma riqueza. Não me enganei. Este livro é muito bonito, tem uma sensibilidade e uma doçura na escrita que me cativou desde cedo.

O livro divide-se entre duas vozes, uma na primeira pessoa, de alguém que não sabemos quem é e capítulos sobre a Emmi, na terceira pessoa. São precisos alguns capítulos para o puzzle começar a fazer sentido e as relações surgirem. E para o leitor perceber que há muita dor nesta ligação.

A história é triste, e sabemos logo no início de que forma irá acabar, mas ainda assim, a viagem que fazemos com estas personagens é muito bonita.

Opinião mais detalhada em video:



Opinião... Rodrigo Guedes de Carvalho * Matarás um Inocente e Dois Culpados


Quando gosto de um autor, tenho por hábito não ler as sinopses dos seus livros. Sei que quero ler, portanto, prefiro até ir à descoberta.

Foi o que voltei a fazer com o novo livro de Rodrigo Guedes de Carvalho, “Matarás um Inocente e Dois Culpados”, mas logo às primeiras páginas pensei que me tinha enganado e estava a ler novamente “As Cinco Mães de Serafim”. Confesso que fiquei muito baralhada, até perceber que este livro dá continuidade àquela história, fazendo um enquadramento completo para que quem não a leu, a possa perceber.

Este foi um dos pontos que menos gostei do livro, porque tendo lido o anterior, passei várias páginas com a sensação de dejá vú. Compreendo o porquê, mas não contribuiu positivamente para a minha experiência de leitura.

Retomamos então a história de Miguel Serafim que, aos 10 anos, perdeu as suas quatro irmãs de uma assentada. A mais velha desapareceu e as outras três morreram no mesmo dia, há 50 anos, precisamente no 25 de Abril de 1974.

Miguel tem hoje sessenta anos, mas continua a carregar o peso desta desgraça que assolou a sua família e será agora, finalmente, que vai descobrir toda a verdade. Nunca ele poderia imaginar tudo o que realmente se passou.

Se por um lado, retornei à escrita de Rodrigo Guedes de Carvalho, que adoro e me delicia, por outro, não achei este livro totalmente necessário. É certo que gostei de saber os pormenores dos acontecimentos, mais ainda da forma como o autor escolhe contar, utilizando acontecimentos e situações reais, incorporadas na narrativa de forma sublime.

Parece-me que este livro precisará de uma releitura daqui a uns anos, quando os pormenores já me escapem, acredito que saborearei esta leitura de outra forma, nessa altura.

Opinião... Tânia Ganho * O Meu Pai Voava


Conheci Tânia Ganho com o livro “A Mulher-Casa”. Adorei. Um livro que tantos anos depois ainda povoa a minha mente. Seguiu-se “Apneia”, uma leitura arrebatadora, que colocou a Tânia no topo das minhas preferências, no que se refere a autoras nacionais.

Mas, mesmo sabendo a qualidade da sua escrita, o poder da sua palavra, nada me preparou para este “O Meu Pai Voava”. Que livro maravilhoso. De uma tristeza profunda, face ao que lhe deu origem, mas igualmente de uma beleza e simplicidade ímpar. No fundo, uma homenagem sentida (e que se sente!) a este pai que partiu.

Senti-me completamente arrebatada por esta leitura, como se estivesse numa montanha-russa de sentimentos galopantes, ora sorrindo por conta de uma peripécia à mesa da família, ora de coração apertado pela dor da autora.

Importa referir que se trata de um livro de não-ficção, que Tânia sentiu a necessidade de escrever após a morte do seu pai, que se debatia com o terrível Alzheimer. A perda progressiva das faculdades deve ser algo muito difícil de lidar para o próprio e para quem o rodeia, principalmente, como referido no livro, no que toca a manter a dignidade da pessoa doente.

Sente-se que este livro foi escrito por uma alma em chagas, um coração ferido e sofrido. Mas também se sente que só fica assim ferido quem ama, e não há manifestação mais bonita deste amor por um pai.

Eu tenho a felicidade de ter os meus junto a mim, mas sei que um dia voltarei a este livro (que seja daqui a muitos anos!), com outros olhos e outra necessidade. E ainda assim, a sua leitura, no presente, foi tão importante para mim!

Opinião... Tina Vallès * A Memória da Árvore

 


“A Memória da Árvore” foi um livro que me passou despercebido, mas que, felizmente, me foi apresentado por uma amiga leitora em quem confio muito. E, uma vez mais, não desiludiu. Que livro bonito este, uma ode ao amor entre um avô e um neto. Tenho o privilégio de assistir a uma relação igualmente forte e posso afirmar que é realmente bonito.

Aqui temos um pequeno grande pormenor, este avô está a perder a memória… vamos acompanhar a progressão da doença pelos olhos deste jovem neto, através da inocência e do falar do seu coração. É maravilhoso!

Alturas houve em que senti que este livro tinha um tom de “O Principezinho”, pela forma como nos ensina a olhar o mundo com olhos inocentes e nos relembra o que é realmente importante.

A escrita é muito bonita, palavras simples que dão voz a este menino, separados em páginas quase como se fossem pequenas passagens, mas que todas juntas nos oferecem o todo. Uma história simultaneamente triste e bonita, uma mensagem de amor profundo que adorei conhecer.

Opinião... David Machado * Índice Médio de Felicidade

 


Um dos meus objectivos para 2024 é conhecer mais autores portugueses. David Machado estava, sem dúvida, na lista. Dele só tinha lido um livro infantil, “O Tubarão na Banheira”, mas este “Índice Médio de Felicidade” despertava a minha curiosidade há muito! Mais ainda depois de ter estado com o autor na Feira do Livro de Lisboa para autografar o meu exemplar.

No entanto, não foi um início de leitura fácil, levei o meu tempo a entrar na narrativa, na forma de escrita diferente, nas personagens, mas este foi um livro que me soube conquistar a cada página, deixando-me com uma sensação de saudade quando o terminei, tal foi a forma como me apeguei a cada uma destas personagens. Engraçado o poder da palavra escrita, não é?

Aqui vamos conhecer três amigos. O nosso narrador, Daniel, que se encontra desempregado há algum tempo, o que obrigou a família (mulher e dois filhos) a mudarem-se para o norte, para junto dos pais dela, enquanto ele batalha por reconstruir a sua vida profissional. Para Daniel é imprescindível que os seus conhecimentos e experiência sejam valorizados.

Temos depois o Almodôvar, que se encontra preso depois de um assalto a uma bomba de gasolina. Deixa mulher e um filho perdidos. A sua mulher vê-se obrigada a ter vários trabalhos para pagar todas as contas, com implicação directa no acompanhamento do filho adolescente.

O terceiro amigo é Xavier, que se encontra fechado em casa há 13 anos e que é motivo de preocupação por parte dos amigos. Mas é também Xavier que irá despertar a curiosidade e interesse para o índice médio de felicidade. Há algum tempo que ele estuda exaustivamente este índice e, se de início, é levado com cepticismo e até algum gozo, acaba por influenciar também Daniel. Mais ainda quando o site que criaram que tinha por objectivo ser uma plataforma de entreajuda, não tem qualquer sucesso, mas certo dia surge um pedido de ajuda que não os deixa indiferentes…

Temos aqui uma história sobre amizade, sobre valores, sobre a medida da felicidade. Este livro tem conceitos muito interessantes, que fazem reflectir. Tem igualmente personagens peculiares, mas muito bem construídas, imperfeitas, mas de quem queremos gostar. Não apreciei tanto do uso frequente de asneiras, que na minha opinião seriam várias vezes evitáveis. Mas tem um final muito bom! Adorei o final!