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Opinião... Ann Napolitano * Querido Edward

Iniciei a leitura de “Querido Edward” sem saber absolutamente nada sobre a história. Nem o título é sequer revelador. Talvez por isso tenha sido (muito) surpreendida pela temática e pela forma como a autora nos conta esta narrativa.

O Edward que dá título ao livro era carinhosamente tratado por Eddie pelos seus pais. E digo era, porque um acidente de avião mudou drasticamente a vida deste menino de 12 anos. Ele foi o único sobrevivente e perdeu os pais e o irmão nesse dia. De um momento para o outro, Edward vê a sua vida virar de cabeça para baixo, por um lado a dor da perda, por outro o mediatismo por ser o único sobrevivente desta tragédia.

Em capítulos alternados, vamos acompanhar o Edward pós acidente, e uma mão cheia de outros passageiros antes do voo. Um aspecto que adorei neste livro é que conhecemos as mesmas pessoas que Edward conviveu no avião. Ou seja, quando mais tarde parentes tentaram entrar em contacto e ele não faz ideia de quem era a vítima, nós, leitores, também não. Esta sensação foi-me transmitida de forma muito forte!

Adoro a escrita desta autora, que é fácil de ler, mas, ao mesmo tempo, cuidada. A presença forte que imprime nas suas personagens torna-as memoráveis. Não estava à espera desta temática, mas apreciei muito a leitura, mais ainda quando percebi que foi inspirada na história real de um menino de 12 anos, único sobrevivente de um acidente de aviação.

Opinião mais detalhada em video:



Opinião... Ann Napolitano * Olá, Linda


Por vezes a relação de um leitor com um livro é muito curiosa e passa por várias fases. Foi o que me aconteceu com “Olá, Linda”. Comecei a sua leitura com muito entusiasmo e expectativas, depois de tanto ouvir opiniões muito positivas, para me deparar com uma leitura que não me agarrou de imediato. Até mais de meio do livro achei a história bem construída, mas sem me empolgar, o que esmoreceu o meu entusiasmo inicial.

A partir de determinada altura, ganha um novo fôlego e segue em crescendo até ao final. Mas ainda assim, precisei que passassem uns dias para sentir a força desta história em mim. Porque hoje, dou por mim a reviver momentos desta narrativa e a relembrar estas personagens, tão bem construídas.

Porque sim, a força desta história está totalmente centrada nas suas personagens. A família Padavano e todos os que com ela convivem são aqui dissecados e expostos desde pequenos até à meia-idade, passando por inúmeros eventos traumáticos.

Julia, Sylvie, Cecelia e Emeline são as quatro irmãs Padavano. O pai, Charlie, vive num outro hemisfério, onde as responsabilidades de adulto não existem. Já a mãe, Rose, tem sonhos que quer ver concretizados através das filhas e é o motor desta família.

William vive só e sente-se abandonado, depois da família ter sido destruída pela morte da sua irmã mais velha, quando ele era ainda um bebé. William irá encontrar em Julia uma companheira e na sua família, o aconchego que falta na sua. Até que os desejos de uns não coincidem com os de outros e os confrontos se tornam inevitáveis, abrindo brechas profundas nas suas relações.

Adorei poder acompanhar a vida destas personagens ao longo de tantos anos e, até, diferentes gerações. Sentir a sua evolução (nem sempre positiva), o seu amadurecimento. Os obstáculos que a vida lhes impôs, tornaram-nos quase humanos, reais.

A escrita de Ann Napolitano tem uma característica que gosto bastante. Lança uma determinada situação sem contexto imediato, para, no capítulo seguinte, explicar o que lhe deu origem. É uma interacção muito interessante com o leitor.

E, como disse no início, este livro tem vindo a infiltrar-se na minha pele com o passar dos dias e a consolidar o espaço que lhe é devido. Não é frequente acontecer, mas não deixa de ser uma sensação muito interessante!