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Opinião... M. J. Arlidge * A Casa de Bonecas

"A Casa de Bonecas" é o terceiro volume da série Helen Grace e, na minha opinião, a série tem vindo a perder alguma da força do primeiro volume.

E refiro-me não só ao crime, como à vida da equipa policial, que teve um papel de destaque no livro inicial e, pouca relevância na presente narrativa.

O tema principal neste livro prende-se com o rapto de jovens com características muito semelhantes entre si e com uma tatuagem que torna inequívoco para Helen Grace que estão perante mais um assassino em série.

Quem é e os seus motivos é o que vamos descobrir ao longo desta leitura, mas achei que o crime em si teve muito pouca acção ao longo do livro, não senti emoção, nem grande coisa a acontecer, o que esmoreceu o meu entusiasmo com a leitura.

M. J. Arlidge escreve bem, mas neste livro faltou-me aquele "quê" que nos tira o fôlego nos thrillers. É pena...

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Opiniao... M. J. Arlidge * À Morte Ninguém Escapa

De regresso à vida de Helen Grace. Porque esta série, que adoptou o seu nome, é também muito da sua história pessoal. Afinal ela é o fio condutor entre todos estes thrillers.

Quanto ao crime (ou melhor, crimes), neste caso estamos perante um assassino que escolhe como vítimas homens que recorrem aos serviços de prostitutas. É este o mundo que aqui é explorado. Após vários crimes com o mesmo modus operandis, Helen compreende que está perante mais um assassino em série e começa a sua caça.

Mas desta vez, tem contra si não só o tempo e o desconhecido, como também forças adversas na própria unidade policial, o que torna a história mais interessante, nesta perspectiva.

Quanto aos crimes e ao seu mote, este livro ficou um pouco aquém do primeiro volume, não me tendo arrebatado, nem considero que seja memorável como tantas cenas do "Um, Dó, Li, Tá" que povoam a minha mente de vez em quando.

Ainda assim, é uma série que me interessa e que quero continuar a conhecer, sem dúvida.

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Opinião... M.. J. Arlidge * Um, Dó, Li, Tá

 M. J. Arlidge oferece-nos, neste livro, uma história que dá muito que pensar. Se duas pessoas são colocadas em situações extremas, onde apenas uma pode sobreviver, até onde vai esse instinto de sobrevivência?

O que verificamos é que o nível de resistência à acção depende da relação que une uma dessas pessoas. Achei isto muito interessante.

Depois temos um thriller altamente viciante que oferece ainda, de bónus, a vida pessoal da investigadora que dá nome à série, Helen Grace.

Gosto muito deste tipo de livros que me conseguem surpreender e me deixam agarrada às páginas!

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Opinião... Jonathan Evison * É a Tua Vida, Harrret Chance!

Harriet Chance entra directamente para o lote de personagens idosas memoráveis. 

Jonathan Evison oferece-nos uma história muito bem construída, com um narrador muito peculiar. Ele fala directamente com a personagem, e ora dá conselhos ora ralha! É delicioso de acompanhar,

Harriet Chance tem 78 anos e perdeu o marido há pouco tempo. A acostumar-se a uma nova realidade, recebe uma chamada a dizer que foi vencedora de uma viagem de cruzeiro, que o seu marido tinha concorrido. Sentindo ser um sinal, Harriet decide ir, ainda que um tanto contrariada...

A viagem será também uma viagem interior, um entender de sentimentos e situações. Nós leitores, vamos fazer vários saltos temporais, conduzidos pelo narrador, para conhecer Harriet desde que nasceu e compor toda esta história.

Gosto particularmente destes vai e vem no tempo, que permitem desbravar a personagem e a ideia do narrador achei muito bem conseguida. 

Apesar de algum humor que se encontra nestas páginas, há temas fortes a ser abordados nas entrelinhas que me deixaram a pensar e que me fizeram gostar muito desta leitura.

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Opinião... Taylor Jenkins Reid * Atmosfera

Vamos ao espaço? Vamos! Com Taylor Jenkins Reid, podemos ir a qualquer lugar, porque nos oferece histórias que nos colocam na acção, seja onde for que esta se passe!

Este é o maior dom desta autora, na minha opinião. Ainda que tenha achado que Joan e Vanessa, as protagonistas deste livro, menos passíveis de serem personagens reais, como achei, por exemplo, dos Daisy Jones & The Six ou a Carrie Soto.

De qualquer forma, foi mais um livro altamente viciante, que me agarrou desde início e me fez ler sofregamente até à última página. Como eu gosto disso!

Joan toda a vida sonhou com as estrelas e em estar perto delas. Foi em busca deste sonho que se candidatou a um lugar na NASA, com o objectivo de se tornar astronauta. O mesmo se passou com Vanessa, que sempre sonhou pilotar uma nave espacial.

Elas farão parte da mesma turma, de uma elite escolhida a dedo, para serem a próxima geração a viajar para o espaço. E nós temos o privilégio de as acompanhar.

Assim como vamos acompanhar o desenvolvimento da relação entre as duas, criada de forma muito natural e bonita, com espaço para crescer.

Quando um acidente na nave que transporta Vanessa coloca tudo em causa, Joan, em terra a comunicar com ela no espaço, revê toda a sua vida, os seus valores e os seus objectivos. Adorei a relação de Joan com a sua sobrinha e como ela lhe quer mostrar que podemos sempre lutar pelos nossos sonhos, mesmo aqueles que parecem quase impossíveis, como ser a primeira mulher astronauta!

Um livro que nos deixa ansiosos até (literalmente) à última página!

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Opinião... Ann Napolitano * Querido Edward

Iniciei a leitura de “Querido Edward” sem saber absolutamente nada sobre a história. Nem o título é sequer revelador. Talvez por isso tenha sido (muito) surpreendida pela temática e pela forma como a autora nos conta esta narrativa.

O Edward que dá título ao livro era carinhosamente tratado por Eddie pelos seus pais. E digo era, porque um acidente de avião mudou drasticamente a vida deste menino de 12 anos. Ele foi o único sobrevivente e perdeu os pais e o irmão nesse dia. De um momento para o outro, Edward vê a sua vida virar de cabeça para baixo, por um lado a dor da perda, por outro o mediatismo por ser o único sobrevivente desta tragédia.

Em capítulos alternados, vamos acompanhar o Edward pós acidente, e uma mão cheia de outros passageiros antes do voo. Um aspecto que adorei neste livro é que conhecemos as mesmas pessoas que Edward conviveu no avião. Ou seja, quando mais tarde parentes tentaram entrar em contacto e ele não faz ideia de quem era a vítima, nós, leitores, também não. Esta sensação foi-me transmitida de forma muito forte!

Adoro a escrita desta autora, que é fácil de ler, mas, ao mesmo tempo, cuidada. A presença forte que imprime nas suas personagens torna-as memoráveis. Não estava à espera desta temática, mas apreciei muito a leitura, mais ainda quando percebi que foi inspirada na história real de um menino de 12 anos, único sobrevivente de um acidente de aviação.

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Opinião... Beth O'Leary * O Ausente

Vou começar já pelo final e dizer o quanto este livro me desiludiu… Depois dos livros anteriores de Beth O’Leary, tão divertidos, achei este livro muito morno, sem piada e pouco original…

Começamos o livro a conhecer três mulheres que ficaram penduradas em diferentes compromissos. O ausente? Joseph Carter. E estas situações irão criar uma imagem deste homem muito pouco positiva.

Ao longo do livro vamos perceber o que é a relação de Joseph com cada uma destas mulheres e o que foi a sua vida.

Ainda que o final tenha reservado um factor surpresa que não antevi, e que “salvou” um pouco o livro, na minha opinião, este continua a carecer do humor tão característico dos outros livros de Beth O’Leary. Temos, portanto, um romance que se lê bem, mas que não acrescenta muito, com muita pena minha.

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Opinião... Madeline Martin * A Biblioteca dos Amantes de Livros

Que livro bom este! Não tenho nada a apontar de negativo, já que gostei de tudo: da história, das personagens, da forma como a guerra é o cenário e não o foco principal, da relação desta mãe e filha, da escrita de Madeline Martin. Tudo é bonito aqui!

Emma tem tido uma vida complicada. Perdeu a mãe depois do parto, e foi criada apenas com o pai, que ainda assim lhe dei todo o amor. Juntos mantinham uma livraria, que ambos adoravam, até ao dia em que Emma perde tudo de um momento para o outro…

Iremos encontrar Emma alguns anos depois, sozinha com uma filha pequena, a Olivia (deliciosa!). Viúva e com esta menina a seu cargo, Emma irá ter de tomar decisões muito difíceis, já que a guerra está prestes a chegar à Inglaterra. Como lidará ela com estas decisões e com as suas consequências?

A temática do livro é muito pesada, já que ocorre num país à beira de uma guerra, numa altura em que tudo era difícil, desde obter comida, à segurança de adultos e crianças. Iremos acompanhar estas dores juntamente com Emma, uma personagem muito bem caracterizada.

Para contrabalançar toda a dor, temos a Biblioteca dos Amantes de Livros, o local de trabalho de Emma, com os seus clientes particulares, cheios de manias, deliciosas de assistir!

O livro está muito bem escrito, é cativante, as personagens são bonitas e fáceis de gostar. O equilíbrio dos temas está muito bem conseguido e a guerra, embora sempre presente não é o foco da história, antes condiciona as acções das personagens. Gostei muito disso!

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Opinião... Liz Nugent * Espera Silenciosa

O grande problema de se ler um primeiro livro de um determinado autor e adorar, é que eleva a fasquia e, inevitavelmente, procuro o mesmo nível (ou superior) nos livros que se seguem.

Julgo que este foi o meu maior problema com “Espera Silenciosa”. Liz Nugent criou uma personagem incrível e memorável com a sua Sally Diamond, e com toda a história que a rodeia.

Aqui temos um livro que está classificado como thriller, mas que eu arriscaria dizer que é mais um romance de personagens, ainda que haja um crime. A sinopse não o refere, pelo que não vou aqui detalhar, no entanto, o ponto de partida do livro é, de facto, este crime. Uma morte mais ou menos acidental que vai transformar toda uma família.

Passaremos o resto do livro a acompanhar o que se sucede e a assistir ao declínio das personagens. Confesso que li o livro a aguardar o momento em que a história iria dar a volta e revelar-se outra coisa, mas tal não aconteceu… daí referir que não me parece um thriller.

Não é um livro difícil de ler, nem sequer entediante. Li com vontade e curiosidade. Mas no final da leitura, pouco fica, para além de um sabor agridoce, porque a história fica fechada, de facto, mas, para mim, com pouco originalidade.

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Opinião... Christina Lauren * Amor Real à Prova

Fizzy Chen, a protagonista deste livro, que vive uma ausência total de criatividade quer na sua escrita, quer na sua vida amorosa, refere a dada altura que se vais escrever um livro que todos sabem como começa e como acaba, tens de ter um meio cativante que prenda o leitor até ao final.

E foi precisamente isso que fizeram Christina Lauren, neste “Amor Real à Prova”. Conhecemos a escritora Fizzy e o produtor televisivo Connor, percebemos de imediato a química, ficamos a assistir aos seus encontros e confrontos, apenas à espera do final feliz!

Connor tem em mãos um grande desafio, habituado a produzir programas sobre vida selvagem é agora obrigado a criar um reality show amoroso. Totalmente fora da sua zona de conforto, irá encontrar em Fizzy a protagonista ideal para encontrar o seu par num programa televisivo de grandes audiências.

Fizzy é aquela personagem sem filtros, que diz e faz tudo o que pensa, o que torna este livro um pouco apimentado, enquanto consegue arrancar vários sorrisos e até algumas gargalhadas ao leitor. O mundo dos reality shows é algo relativamente recente, mas que já se impôs na sociedade moderna, e é aqui abordado de forma muito inteligente.

Temos um romance que entretém, com duas personagens principais amorosas, das que gostamos de gostar e por quem torcemos, enquanto aguardamos pelo referido final feliz. No que toca a entretenimento, este livro cumpre perfeitamente o seu propósito.

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Opinião... Liz Nugent * A Estranha Sally Diamond

 

Avancei para a leitura de “A Estranha Sally Diamond” sem saber ao certo o que lhe provocava a referida estranheza. E este livro começa logo de forma bruta, quando Sally perde o seu pai, Tom, e decide seguir à letra as palavras deste, colocando-o num saco do lixo e incinerando-o na pequena incineradora doméstica que tinham na quinta. Obviamente não poderia correr bem…

Primeiro o choque, nosso, enquanto leitores, e da população que não compreende Sally. Depois o entendimento, mas apenas o nosso, que vamos conhecendo os seus antecedentes, não o da população, que não têm acesso a toda esta informação.

Tom não é afinal o pai biológico de Sally, isto porque os seus primeiros anos de vida foram passados bem longe dali e em circunstâncias muito diferentes. E ainda que Sally não tenha memória viva desses tempos, a verdade é que moldou a pessoa que é hoje, socialmente inadaptada, com muita dificuldade em entender nas entrelinhas. Para ela tudo é linear e taxativo.

Mas Sally é daquelas personagens que cativam o leitor. Que se entende e quer ajudar. E assistir ao seu percurso de crescimento pessoal é incrível, a forma como o apoio de quem gosta dela a torna mais confiante a cada passo, a forma como lhe dão espaço e carinho em simultâneo é muito enternecedora. Mas Sally tem ainda de enfrentar muitos fantasmas, até porque uma misteriosa encomenda recebida no correio vai fazer tudo remexer de novo…

Gostei muito deste livro, do princípio ao fim! Intenso, bem escrito e com uma narrativa coerente, ainda que muito pesada. Nem o classificaria como thriller, mas mais como uma história de vida. Uma vida que foi perturbada demasiado cedo e que obrigou Sally a viver com as consequências…

Opinião... Ann Napolitano * Olá, Linda


Por vezes a relação de um leitor com um livro é muito curiosa e passa por várias fases. Foi o que me aconteceu com “Olá, Linda”. Comecei a sua leitura com muito entusiasmo e expectativas, depois de tanto ouvir opiniões muito positivas, para me deparar com uma leitura que não me agarrou de imediato. Até mais de meio do livro achei a história bem construída, mas sem me empolgar, o que esmoreceu o meu entusiasmo inicial.

A partir de determinada altura, ganha um novo fôlego e segue em crescendo até ao final. Mas ainda assim, precisei que passassem uns dias para sentir a força desta história em mim. Porque hoje, dou por mim a reviver momentos desta narrativa e a relembrar estas personagens, tão bem construídas.

Porque sim, a força desta história está totalmente centrada nas suas personagens. A família Padavano e todos os que com ela convivem são aqui dissecados e expostos desde pequenos até à meia-idade, passando por inúmeros eventos traumáticos.

Julia, Sylvie, Cecelia e Emeline são as quatro irmãs Padavano. O pai, Charlie, vive num outro hemisfério, onde as responsabilidades de adulto não existem. Já a mãe, Rose, tem sonhos que quer ver concretizados através das filhas e é o motor desta família.

William vive só e sente-se abandonado, depois da família ter sido destruída pela morte da sua irmã mais velha, quando ele era ainda um bebé. William irá encontrar em Julia uma companheira e na sua família, o aconchego que falta na sua. Até que os desejos de uns não coincidem com os de outros e os confrontos se tornam inevitáveis, abrindo brechas profundas nas suas relações.

Adorei poder acompanhar a vida destas personagens ao longo de tantos anos e, até, diferentes gerações. Sentir a sua evolução (nem sempre positiva), o seu amadurecimento. Os obstáculos que a vida lhes impôs, tornaram-nos quase humanos, reais.

A escrita de Ann Napolitano tem uma característica que gosto bastante. Lança uma determinada situação sem contexto imediato, para, no capítulo seguinte, explicar o que lhe deu origem. É uma interacção muito interessante com o leitor.

E, como disse no início, este livro tem vindo a infiltrar-se na minha pele com o passar dos dias e a consolidar o espaço que lhe é devido. Não é frequente acontecer, mas não deixa de ser uma sensação muito interessante!

Opinião... Clélie Avit * Estou Aqui


Apaixonei-me por este livro assim que vi a sua capa. É simplesmente maravilhosa, com uma imagem que faz todo o sentido na história e uma escolha de cores perfeita. Agora que o li, apaixonei-me também por esta história tão original e por estas personagens incríveis.

Elsa teve um trágico acidente na neve que a deixou em coma. Já se passaram vários meses, mas não há qualquer alteração no seu relatório clínico e os médicos dão indicação para desligar as máquinas. Mas nós leitores, sabemos o que eles não sabem. Sabemos que Elsa consegue ouvir tudo o que se passa à sua volta, embora essa seja a única função que tem activa.

Thibault tem vindo ao mesmo hospital onde Elsa está internada, com o intuito de visitar o seu irmão, sem nunca o conseguir fazer. A sua revolta ganha sempre, já que o irmão matou duas adolescentes de 14 anos, porque conduzia bêbado.

Certo dia, por lapso, Thibault entra no quarto de Elsa. Ela não costuma ter visitas, pelo que ele encontrou, de repente, um sítio onde se sente em paz. Já Elsa consegue ouvi-lo e sente, também ela, paz. Algo inesperado para os dois e que faz com que ele retorne, ao ponto de se apaixonar.

Temos aqui uma história triste, mas doce. Um amor verdadeiro baseado em muito pouco, que faz o leitor acreditar que o amor vai muito além do que pensamos ser. Algo superior e mágico.

O livro é construído com capítulos intercalados, pela voz de Elsa e de Thibault, o que lhe confere uma excelente dinâmica e duas perspectivas de cada acontecimento, enriquecendo-o. 

No final do livro fiquei com vontade de mais. Senti pena que terminasse, de ter que me afastar destas personagens tão doces. Foi, de facto, uma leitura que me surpreendeu pela positiva!

Opinião... Hisashi Kashiwai * Os Mistérios do Restaurante Kamogawa


Imaginem um restaurante muito peculiar. Em primeiro lugar, ninguém que passe na rua dará por ele, porque está totalmente incógnito. Depois, neste restaurante não há menu, porque quem o encontra vem com um objectivo muito bem definido: reencontrar uma refeição que há muito significou algo para essa pessoa.

Nagare e Koishi são pai e filha e são eles que gerem o restaurante Kamogawa. Nagare tem a capacidade de recriar pratos com base em pistas escassas, pistas estas que Koishi recolhe junto dos clientes de forma exímia. Mas o que cada cliente procura, na verdade, não é o prato em específico, mas a recordação que o mesmo acarreta. A comida que a mãe falecida fazia, o prato preferido do ex-marido, uma refeição feita num determinado local, com uma determinada pessoa. De tal forma, que a experiência de provar os pratos de Nagare se torna muito próxima de uma consulta de psicologia.

Este livro é composto por seis histórias, cada uma delas referente a um cliente e a um prato específico. À semelhança de outros livros deste género, o livro peca pela repetição de estrutura em cada uma das seis histórias. Determinadas explicações, depois da primeira vez são desnecessárias nas restantes. Mas sabendo que as histórias foram publicadas avulso no seu original, percebe-se esta repetição. Numa colectânea como é este livro, torna-se um pouco cansativo.

“Os Mistérios do Restaurante Kamogawa” torna-se numa leitura de conforto, quentinha, pelas conclusões que cada narrativa oferece. A leitura profunda que Nagare consegue fazer de cada um dos seus clientes é incrível e uma boa surpresa. Adorei os comentários finais entre pai e filha que encerram cada capítulo. Fiquei igualmente intrigada com o gato que faz raras, mas perceptíveis, aparições, deixando-me a questionar qual o seu papel nesta magia. Por outro lado, as referências gastronómicas são muitas e capazes de deixar água na boca!

Por último, um apontamento para a presença da mãe de Koishi, falecida, mas sempre presente na vida desta família. É muito bonito de assistir.

Opinião... Colleen Hoover e Tarryn Fisher * Nunca Jamais


Aqui está um livro sobre o qual tenho dificuldade em formular uma opinião. Passei metade do livro a dizer que estava a gostar muito do mote, mas que o todo iria depender (em muito) do desenlace. Uma resolução para este problema, que fosse pouco credível, iria arruinar a leitura.

A verdade é que terminei o livro sem saber exactamente se estou convencida com o dito desenlace. Mas, por outro lado, a verdade é que foi uma leitura que me entusiasmou e me manteve sempre presa.

Falando do mote. Charlie acorda de um desmaio, na escola, no meio das colegas. Mas percebe que não sabe quem é, nem onde está, muito menos quem a rodeia. Com o passar dos minutos percebe que um colega, chamado Silas, que será o seu namorado, vive a mesma realidade. O que lhes estará a acontecer? E porquê apenas a eles?

É a busca por uma resposta a esta questão que os leva, juntos, a tentar descobrir quem são e o que foi o seu passado. E nós, leitores, iremos acompanhar. A cada 48 horas eles voltam a perder a memória de tudo o que viveram até aí, e quando se começam a aperceber disso, pelas pistas que vão encontrando, o plano passa por deixar registo de tudo o que descobriram até então para não voltarem novamente ao início.

A escrita deste livro é muito fluída, fácil de ler. Há muita acção e diálogos o que se traduz numa leitura rápida e descomplicada.

Como referi, o desenlace de toda esta trama era, para mim, o mais importante, e se aceitar que determinadas coisas são possíveis (no âmbito do realismo mágico, diria), então parece-me que o livro é bastante lógico e interessante. Daí as minhas dúvidas quanto a ele. Mas julgo que prefiro aceitar e aproveitar, porque a realidade é que a leitura foi muito prazerosa e estes dois, a Charlie e o Silas, conquistaram um lugarzinho especial no meu coração de leitora!