Opinião... M. J. Arlidge * A Casa de Bonecas
Opiniao... M. J. Arlidge * À Morte Ninguém Escapa
De regresso à vida de Helen Grace. Porque esta série, que adoptou o seu nome, é também muito da sua história pessoal. Afinal ela é o fio condutor entre todos estes thrillers.
Quanto ao crime (ou melhor, crimes), neste caso estamos perante um assassino que escolhe como vítimas homens que recorrem aos serviços de prostitutas. É este o mundo que aqui é explorado. Após vários crimes com o mesmo modus operandis, Helen compreende que está perante mais um assassino em série e começa a sua caça.
Mas desta vez, tem contra si não só o tempo e o desconhecido, como também forças adversas na própria unidade policial, o que torna a história mais interessante, nesta perspectiva.
Quanto aos crimes e ao seu mote, este livro ficou um pouco aquém do primeiro volume, não me tendo arrebatado, nem considero que seja memorável como tantas cenas do "Um, Dó, Li, Tá" que povoam a minha mente de vez em quando.
Ainda assim, é uma série que me interessa e que quero continuar a conhecer, sem dúvida.
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Opinião... M.. J. Arlidge * Um, Dó, Li, Tá
M. J. Arlidge oferece-nos, neste livro, uma história que dá muito que pensar. Se duas pessoas são colocadas em situações extremas, onde apenas uma pode sobreviver, até onde vai esse instinto de sobrevivência?
O que verificamos é que o nível de resistência à acção depende da relação que une uma dessas pessoas. Achei isto muito interessante.
Depois temos um thriller altamente viciante que oferece ainda, de bónus, a vida pessoal da investigadora que dá nome à série, Helen Grace.
Gosto muito deste tipo de livros que me conseguem surpreender e me deixam agarrada às páginas!
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Opinião... Jonathan Evison * É a Tua Vida, Harrret Chance!
Harriet Chance entra directamente para o lote de personagens idosas memoráveis.
Jonathan Evison oferece-nos uma história muito bem construída, com um narrador muito peculiar. Ele fala directamente com a personagem, e ora dá conselhos ora ralha! É delicioso de acompanhar,
Harriet Chance tem 78 anos e perdeu o marido há pouco tempo. A acostumar-se a uma nova realidade, recebe uma chamada a dizer que foi vencedora de uma viagem de cruzeiro, que o seu marido tinha concorrido. Sentindo ser um sinal, Harriet decide ir, ainda que um tanto contrariada...
A viagem será também uma viagem interior, um entender de sentimentos e situações. Nós leitores, vamos fazer vários saltos temporais, conduzidos pelo narrador, para conhecer Harriet desde que nasceu e compor toda esta história.
Gosto particularmente destes vai e vem no tempo, que permitem desbravar a personagem e a ideia do narrador achei muito bem conseguida.
Apesar de algum humor que se encontra nestas páginas, há temas fortes a ser abordados nas entrelinhas que me deixaram a pensar e que me fizeram gostar muito desta leitura.
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Opinião... Taylor Jenkins Reid * Atmosfera
Vamos ao espaço? Vamos! Com Taylor Jenkins Reid, podemos ir a qualquer lugar, porque nos oferece histórias que nos colocam na acção, seja onde for que esta se passe!
Este é o maior dom desta autora, na minha opinião. Ainda que
tenha achado que Joan e Vanessa, as protagonistas deste livro, menos passíveis
de serem personagens reais, como achei, por exemplo, dos Daisy Jones & The
Six ou a Carrie Soto.
De qualquer forma, foi mais um livro altamente viciante, que
me agarrou desde início e me fez ler sofregamente até à última página. Como eu
gosto disso!
Joan toda a vida sonhou com as estrelas e em estar perto
delas. Foi em busca deste sonho que se candidatou a um lugar na NASA, com o
objectivo de se tornar astronauta. O mesmo se passou com Vanessa, que sempre
sonhou pilotar uma nave espacial.
Elas farão parte da mesma turma, de uma elite escolhida a
dedo, para serem a próxima geração a viajar para o espaço. E nós temos o
privilégio de as acompanhar.
Assim como vamos acompanhar o desenvolvimento da relação
entre as duas, criada de forma muito natural e bonita, com espaço para crescer.
Quando um acidente na nave que transporta Vanessa coloca
tudo em causa, Joan, em terra a comunicar com ela no espaço, revê toda a sua
vida, os seus valores e os seus objectivos. Adorei a relação de Joan com a sua sobrinha
e como ela lhe quer mostrar que podemos sempre lutar pelos nossos sonhos, mesmo
aqueles que parecem quase impossíveis, como ser a primeira mulher astronauta!
Um livro que nos deixa ansiosos até (literalmente) à última página!
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Opinião... Ann Napolitano * Querido Edward
Iniciei a leitura de “Querido Edward” sem saber absolutamente nada sobre a história. Nem o título é sequer revelador. Talvez por isso tenha sido (muito) surpreendida pela temática e pela forma como a autora nos conta esta narrativa.
O Edward que dá título ao livro era carinhosamente tratado
por Eddie pelos seus pais. E digo era, porque um acidente de avião mudou
drasticamente a vida deste menino de 12 anos. Ele foi o único sobrevivente e
perdeu os pais e o irmão nesse dia. De um momento para o outro, Edward vê a sua
vida virar de cabeça para baixo, por um lado a dor da perda, por outro o
mediatismo por ser o único sobrevivente desta tragédia.
Em capítulos alternados, vamos acompanhar o Edward pós
acidente, e uma mão cheia de outros passageiros antes do voo. Um aspecto que
adorei neste livro é que conhecemos as mesmas pessoas que Edward conviveu no
avião. Ou seja, quando mais tarde parentes tentaram entrar em contacto e ele
não faz ideia de quem era a vítima, nós, leitores, também não. Esta sensação foi-me
transmitida de forma muito forte!
Adoro a escrita desta autora, que é fácil de ler, mas, ao
mesmo tempo, cuidada. A presença forte que imprime nas suas personagens torna-as
memoráveis. Não estava à espera desta temática, mas apreciei muito a leitura,
mais ainda quando percebi que foi inspirada na história real de um menino de 12
anos, único sobrevivente de um acidente de aviação.
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Opinião... Beth O'Leary * O Ausente
Vou começar já pelo final e dizer o quanto este livro me desiludiu… Depois dos livros anteriores de Beth O’Leary, tão divertidos, achei este livro muito morno, sem piada e pouco original…
Começamos o livro a conhecer três mulheres que ficaram
penduradas em diferentes compromissos. O ausente? Joseph Carter. E estas situações
irão criar uma imagem deste homem muito pouco positiva.
Ao longo do livro vamos perceber o que é a relação de Joseph
com cada uma destas mulheres e o que foi a sua vida.
Ainda que o final tenha reservado um factor surpresa que não
antevi, e que “salvou” um pouco o livro, na minha opinião, este continua a
carecer do humor tão característico dos outros livros de Beth O’Leary. Temos, portanto,
um romance que se lê bem, mas que não acrescenta muito, com muita pena minha.
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Opinião... Madeline Martin * A Biblioteca dos Amantes de Livros
Que livro bom este! Não tenho
nada a apontar de negativo, já que gostei de tudo: da história, das
personagens, da forma como a guerra é o cenário e não o foco principal, da
relação desta mãe e filha, da escrita de Madeline Martin. Tudo é bonito aqui!
Emma tem tido uma vida complicada.
Perdeu a mãe depois do parto, e foi criada apenas com o pai, que ainda assim
lhe dei todo o amor. Juntos mantinham uma livraria, que ambos adoravam, até ao
dia em que Emma perde tudo de um momento para o outro…
Iremos encontrar Emma alguns
anos depois, sozinha com uma filha pequena, a Olivia (deliciosa!). Viúva e com
esta menina a seu cargo, Emma irá ter de tomar decisões muito difíceis, já que
a guerra está prestes a chegar à Inglaterra. Como lidará ela com estas decisões
e com as suas consequências?
A temática do livro é muito pesada,
já que ocorre num país à beira de uma guerra, numa altura em que tudo era difícil,
desde obter comida, à segurança de adultos e crianças. Iremos acompanhar estas
dores juntamente com Emma, uma personagem muito bem caracterizada.
Para contrabalançar toda a dor,
temos a Biblioteca dos Amantes de Livros, o local de trabalho de Emma, com os
seus clientes particulares, cheios de manias, deliciosas de assistir!
O livro está muito bem escrito, é
cativante, as personagens são bonitas e fáceis de gostar. O equilíbrio dos
temas está muito bem conseguido e a guerra, embora sempre presente não é o foco
da história, antes condiciona as acções das personagens. Gostei muito disso!
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Opinião... Liz Nugent * Espera Silenciosa
O grande problema de se ler um primeiro livro de um determinado autor e adorar, é que eleva a fasquia e, inevitavelmente, procuro o mesmo nível (ou superior) nos livros que se seguem.
Julgo que este foi o meu maior problema com “Espera Silenciosa”.
Liz Nugent criou uma personagem incrível e memorável com a sua Sally Diamond, e
com toda a história que a rodeia.
Aqui temos um livro que está classificado como thriller, mas
que eu arriscaria dizer que é mais um romance de personagens, ainda que haja um
crime. A sinopse não o refere, pelo que não vou aqui detalhar, no entanto, o
ponto de partida do livro é, de facto, este crime. Uma morte mais ou menos
acidental que vai transformar toda uma família.
Passaremos o resto do livro a acompanhar o que se sucede e a
assistir ao declínio das personagens. Confesso que li o livro a aguardar o
momento em que a história iria dar a volta e revelar-se outra coisa, mas tal não
aconteceu… daí referir que não me parece um thriller.
Não é um livro difícil de ler, nem sequer entediante. Li com
vontade e curiosidade. Mas no final da leitura, pouco fica, para além de um sabor
agridoce, porque a história fica fechada, de facto, mas, para mim, com pouco
originalidade.
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Opinião... Christina Lauren * Amor Real à Prova
Fizzy Chen, a protagonista deste livro, que vive uma ausência total de criatividade quer na sua escrita, quer na sua vida amorosa, refere a dada altura que se vais escrever um livro que todos sabem como começa e como acaba, tens de ter um meio cativante que prenda o leitor até ao final.
E foi precisamente isso que fizeram Christina Lauren, neste “Amor
Real à Prova”. Conhecemos a escritora Fizzy e o produtor televisivo Connor, percebemos
de imediato a química, ficamos a assistir aos seus encontros e confrontos, apenas
à espera do final feliz!
Connor tem em mãos um grande desafio, habituado a produzir
programas sobre vida selvagem é agora obrigado a criar um reality show amoroso.
Totalmente fora da sua zona de conforto, irá encontrar em Fizzy a protagonista
ideal para encontrar o seu par num programa televisivo de grandes audiências.
Fizzy é aquela personagem sem filtros, que diz e faz tudo o
que pensa, o que torna este livro um pouco apimentado, enquanto consegue
arrancar vários sorrisos e até algumas gargalhadas ao leitor. O mundo dos reality
shows é algo relativamente recente, mas que já se impôs na sociedade moderna, e
é aqui abordado de forma muito inteligente.
Temos um romance que entretém, com duas personagens
principais amorosas, das que gostamos de gostar e por quem torcemos, enquanto
aguardamos pelo referido final feliz. No que toca a entretenimento, este livro
cumpre perfeitamente o seu propósito.
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Opinião... Liz Nugent * A Estranha Sally Diamond
Avancei para a leitura de “A Estranha Sally Diamond” sem saber ao certo o que lhe provocava a referida estranheza. E este livro começa logo de forma bruta, quando Sally perde o seu pai, Tom, e decide seguir à letra as palavras deste, colocando-o num saco do lixo e incinerando-o na pequena incineradora doméstica que tinham na quinta. Obviamente não poderia correr bem…
Primeiro o choque, nosso, enquanto leitores, e da população
que não compreende Sally. Depois o entendimento, mas apenas o nosso, que vamos
conhecendo os seus antecedentes, não o da população, que não têm acesso a toda
esta informação.
Tom não é afinal o pai biológico de Sally, isto porque os
seus primeiros anos de vida foram passados bem longe dali e em circunstâncias
muito diferentes. E ainda que Sally não tenha memória viva desses tempos, a
verdade é que moldou a pessoa que é hoje, socialmente inadaptada, com muita
dificuldade em entender nas entrelinhas. Para ela tudo é linear e taxativo.
Mas Sally é daquelas personagens que cativam o leitor. Que se
entende e quer ajudar. E assistir ao seu percurso de crescimento pessoal é
incrível, a forma como o apoio de quem gosta dela a torna mais confiante a cada
passo, a forma como lhe dão espaço e carinho em simultâneo é muito
enternecedora. Mas Sally tem ainda de enfrentar muitos fantasmas, até porque
uma misteriosa encomenda recebida no correio vai fazer tudo remexer de novo…
Gostei muito deste livro, do princípio ao fim! Intenso, bem escrito e com uma narrativa coerente, ainda que muito pesada. Nem o classificaria como thriller, mas mais como uma história de vida. Uma vida que foi perturbada demasiado cedo e que obrigou Sally a viver com as consequências…
Opinião... Ann Napolitano * Olá, Linda
Por vezes a relação de um leitor com um livro é muito
curiosa e passa por várias fases. Foi o que me aconteceu com “Olá, Linda”.
Comecei a sua leitura com muito entusiasmo e expectativas, depois de tanto
ouvir opiniões muito positivas, para me deparar com uma leitura que não me
agarrou de imediato. Até mais de meio do livro achei a história bem construída,
mas sem me empolgar, o que esmoreceu o meu entusiasmo inicial.
A partir de determinada altura, ganha um novo fôlego e segue
em crescendo até ao final. Mas ainda assim, precisei que passassem uns dias
para sentir a força desta história em mim. Porque hoje, dou por mim a reviver
momentos desta narrativa e a relembrar estas personagens, tão bem construídas.
Porque sim, a força desta história está totalmente centrada
nas suas personagens. A família Padavano e todos os que com ela convivem são
aqui dissecados e expostos desde pequenos até à meia-idade, passando por
inúmeros eventos traumáticos.
Julia, Sylvie, Cecelia e Emeline são as quatro irmãs Padavano.
O pai, Charlie, vive num outro hemisfério, onde as responsabilidades de adulto
não existem. Já a mãe, Rose, tem sonhos que quer ver concretizados através das
filhas e é o motor desta família.
William vive só e sente-se abandonado, depois da família ter
sido destruída pela morte da sua irmã mais velha, quando ele era ainda um bebé.
William irá encontrar em Julia uma companheira e na sua família, o aconchego
que falta na sua. Até que os desejos de uns não coincidem com os de outros e os
confrontos se tornam inevitáveis, abrindo brechas profundas nas suas relações.
Adorei poder acompanhar a vida destas personagens ao longo
de tantos anos e, até, diferentes gerações. Sentir a sua evolução (nem sempre
positiva), o seu amadurecimento. Os obstáculos que a vida lhes impôs, tornaram-nos
quase humanos, reais.
A escrita de Ann Napolitano tem uma característica que gosto
bastante. Lança uma determinada situação sem contexto imediato, para, no capítulo
seguinte, explicar o que lhe deu origem. É uma interacção muito interessante
com o leitor.
E, como disse no início, este livro tem vindo a infiltrar-se na minha pele com o passar dos dias e a consolidar o espaço que lhe é devido. Não é frequente acontecer, mas não deixa de ser uma sensação muito interessante!
Opinião... Clélie Avit * Estou Aqui
Apaixonei-me por este livro assim que vi a sua capa. É simplesmente
maravilhosa, com uma imagem que faz todo o sentido na história e uma escolha de
cores perfeita. Agora que o li, apaixonei-me também por esta história tão
original e por estas personagens incríveis.
Elsa teve um trágico acidente na neve que a deixou em coma.
Já se passaram vários meses, mas não há qualquer alteração no seu relatório clínico
e os médicos dão indicação para desligar as máquinas. Mas nós leitores, sabemos
o que eles não sabem. Sabemos que Elsa consegue ouvir tudo o que se passa à sua
volta, embora essa seja a única função que tem activa.
Thibault tem vindo ao mesmo hospital onde Elsa está internada,
com o intuito de visitar o seu irmão, sem nunca o conseguir fazer. A sua revolta
ganha sempre, já que o irmão matou duas adolescentes de 14 anos, porque conduzia
bêbado.
Certo dia, por lapso, Thibault entra no quarto de Elsa. Ela
não costuma ter visitas, pelo que ele encontrou, de repente, um sítio onde se
sente em paz. Já Elsa consegue ouvi-lo e sente, também ela, paz. Algo
inesperado para os dois e que faz com que ele retorne, ao ponto de se
apaixonar.
Temos aqui uma história triste, mas doce. Um amor verdadeiro
baseado em muito pouco, que faz o leitor acreditar que o amor vai muito além do
que pensamos ser. Algo superior e mágico.
O livro é construído com capítulos intercalados, pela voz de
Elsa e de Thibault, o que lhe confere uma excelente dinâmica e duas
perspectivas de cada acontecimento, enriquecendo-o.
No final do livro fiquei com vontade de mais. Senti pena que terminasse, de ter que me afastar destas personagens tão doces. Foi, de facto, uma leitura que me surpreendeu pela positiva!
Opinião... Hisashi Kashiwai * Os Mistérios do Restaurante Kamogawa
Imaginem um restaurante muito peculiar. Em primeiro lugar, ninguém que passe na rua dará por ele, porque está totalmente incógnito. Depois, neste restaurante não há menu, porque quem o encontra vem com um objectivo muito bem definido: reencontrar uma refeição que há muito significou algo para essa pessoa.
Nagare e Koishi são pai e filha e são eles que gerem o
restaurante Kamogawa. Nagare tem a capacidade de recriar pratos com base em
pistas escassas, pistas estas que Koishi recolhe junto dos clientes de forma
exímia. Mas o que cada cliente procura, na verdade, não é o prato em
específico, mas a recordação que o mesmo acarreta. A comida que a mãe falecida
fazia, o prato preferido do ex-marido, uma refeição feita num determinado
local, com uma determinada pessoa. De tal forma, que a experiência de provar os
pratos de Nagare se torna muito próxima de uma consulta de psicologia.
Este livro é composto por seis histórias, cada uma delas referente
a um cliente e a um prato específico. À semelhança de outros livros deste
género, o livro peca pela repetição de estrutura em cada uma das seis
histórias. Determinadas explicações, depois da primeira vez são desnecessárias
nas restantes. Mas sabendo que as histórias foram publicadas avulso no seu
original, percebe-se esta repetição. Numa colectânea como é este livro,
torna-se um pouco cansativo.
“Os Mistérios do Restaurante Kamogawa” torna-se numa leitura
de conforto, quentinha, pelas conclusões que cada narrativa oferece. A leitura
profunda que Nagare consegue fazer de cada um dos seus clientes é incrível e
uma boa surpresa. Adorei os comentários finais entre pai e filha que encerram
cada capítulo. Fiquei igualmente intrigada com o gato que faz raras, mas perceptíveis,
aparições, deixando-me a questionar qual o seu papel nesta magia. Por outro
lado, as referências gastronómicas são muitas e capazes de deixar água na boca!
Por último, um apontamento para a presença da mãe de Koishi,
falecida, mas sempre presente na vida desta família. É muito bonito de
assistir.
Opinião... Colleen Hoover e Tarryn Fisher * Nunca Jamais
Aqui está um livro sobre o qual tenho dificuldade em formular uma opinião. Passei metade do livro a dizer que estava a gostar muito do mote, mas que o todo iria depender (em muito) do desenlace. Uma resolução para este problema, que fosse pouco credível, iria arruinar a leitura.
A verdade é que terminei o livro sem saber exactamente se
estou convencida com o dito desenlace. Mas, por outro lado, a verdade é que foi
uma leitura que me entusiasmou e me manteve sempre presa.
Falando do mote. Charlie acorda de um desmaio, na escola, no
meio das colegas. Mas percebe que não sabe quem é, nem onde está, muito menos
quem a rodeia. Com o passar dos minutos percebe que um colega, chamado Silas,
que será o seu namorado, vive a mesma realidade. O que lhes estará a acontecer?
E porquê apenas a eles?
É a busca por uma resposta a esta questão que os leva, juntos,
a tentar descobrir quem são e o que foi o seu passado. E nós, leitores, iremos
acompanhar. A cada 48 horas eles voltam a perder a memória de tudo o que
viveram até aí, e quando se começam a aperceber disso, pelas pistas que vão
encontrando, o plano passa por deixar registo de tudo o que descobriram até
então para não voltarem novamente ao início.
A escrita deste livro é muito fluída, fácil de ler. Há muita
acção e diálogos o que se traduz numa leitura rápida e descomplicada.
Como referi, o desenlace de toda esta trama era, para mim, o mais importante, e se aceitar que determinadas coisas são possíveis (no âmbito do realismo mágico, diria), então parece-me que o livro é bastante lógico e interessante. Daí as minhas dúvidas quanto a ele. Mas julgo que prefiro aceitar e aproveitar, porque a realidade é que a leitura foi muito prazerosa e estes dois, a Charlie e o Silas, conquistaram um lugarzinho especial no meu coração de leitora!














