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Opinião... John Marrs * Tudo em Família

O melhor a falar sobre um thriller é falar muito pouco sobre ele. Deixar o leitor surpreender-se, avançar teorias, falhar redondamente, ser apanhado na curva quando menos espera. Gosto tanto.

E se há autores que sabem fazer isso com mestria, sem dúvida que John Marrs é um deles! Cria histórias cativantes, personagens cheias de segredos, até as que aparentam ser mais santinhas! A cada nova descoberta, sinto-me quase numa montanha russa, onde só me deixo levar porque já perdi o controlo há muito tempo. E isto, num thriller, é tão bom!

Neste "Tudo em Família", a história é-nos contada da perspectiva da Mia, e a sua relação com o marido e a sua família, que nunca foi incrível, mas que se agrava substancialmente após uma macabra descoberta. Mia vê-se assim envolvida, também ela, numa montanha russa!

E mais não digo :) 

Gostei muito e continuo grande fã deste autor. Espero que sejam traduzidos todos os seus livros para português para poder usufruir de toda a sua imaginação!

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Opinião... Fiódor Doistóievski * Gente Pobre

Uma obra de um autor clássico que desconhecia. "Gente Pobre" terá sido o primeiro livro de Dostoiévski e, de facto, demonstra bem o seu talento.

Trata-se de um livro maioritariamente epistolar, onde duas pessoas que se gostam vão trocando correspondência do seu dia a dia e dos seus sentimentos. O pormenor aqui, refere-se ao que o título remete, eles são de um extracto social pobre e, ao longo da narrativa, vão enfrentando cada vez mais dificuldades.

Gostei muito da forma como o homem defende sempre o bom nome da menina, porque as cartas vão dando a entender acções que ocorrem entre as missivas. Está muito bem construído e, se de início li com alguma ligeireza (o formato teve a sua influência) a dada altura fiquei realmente agarrada a estes dois e ao seu destino.

O final do livro não foi apoteótico, mas é mais um caso onde o que importa é o caminho e não o destino. Gostei bastante desta leitura.

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Opinião... Jenny Anderson e Rebecca Winthrop * Adolescentes sem Propósito

O título deste livro levou-me de imediato a querer lê-lo. Como mãe de um adolescente e sentindo precisamente isso, que nem sempre esta juventude parece ter um propósito e um método, senti que poderia aprender, com este livro, ferramentas para o ajudar.

Achei o livro bastante interessante, ainda que mais teórico do que imaginei antes de o ler. A primeira parte do livro é mais técnico, identificado os vários tipos de adolescentes consoante o seu comportamento: mais introvertidos ou mais extrovertidos, mais dedicados ao estudo ou com tendência para procrastinar. Na segunda metade do livro, cada uma destas categorias é abordada no sentido de oferecer formas de comunicação efectivas, com várias sugestões de como abordar os temas, de como chegar a eles.

De facto, a adolescência é uma fase complexa, onde muitas coisas mudam muito rapidamente e, no mundo actual, com uma perspectiva de futuro completamente diferente daquele que, por exemplo, eu tive, os adolescentes de hoje vivem com alguma ansiedade quanto ao que os espera. Depois a forma como lidam com isso, vai depender da sua personalidade e do ambiente que os rodeia.

Penso que o livro podia ter mais situações práticas, não no sentido de exemplos, porque esses tem bastantes, mas no sentido de descrever situações reais, mais elaborados, não ficando apenas por "em vez de dizer isto", "diga aquilo". De qualquer forma, parece-me uma ferramenta útil, que contribui para que quem acompanha estes nossos adolescentes aprenda também a percebê-los e ajudá-los na medida do possível.

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Opinião... Lev Tolstói * De Quanta Terra Precisa um Homem

"De Quanta Terra Precisa um Homem"? É esta a questão que Tolstói coloca na primeira de três histórias que compõem este pequeno livro.

E todas elas pretendem transmitir um ensinamento, uma moral. Algo que me faz todo o sentido quando recuamos à época em que foi escrito (e porque não na actualidade?).

Se a primeira história nos fala sobre ambição desmedida, sobre querer sempre mais e mais, com as consequências que daí possam advir, a segunda história revela-nos um rei que exige dos seus súbditos algo que não está ao alcance deles. O tempo irá provar-lhe que o caminho mais fácil não é o caminho mais rico... Por último temos uma história sobre bondade e sobre perdão.

Gostei muito das duas primeiras histórias, a última já a achei um pouco forçada, pelo recurso que o autor utilizou. Não me alongo para não criar aqui um spoiler.

Ainda assim é um livro que se lê de uma assentada, que nos transmite uma mensagem positiva e boa, que nos relembra de onde deve estar, muitas vezes, o nosso foco. Por isso uma leitura para todas as idades e gerações!

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Opinião... Ivan Turguéniev * O Primeiro Amor

Quem disse que os clássicos são maçudos e calhamaços? "O Primeiro Amor" é a prova que um pequeno livro pode ser uma excelente leitura, que entretém em poucas páginas!

Ivan Turguéniev oferece-nos uma pequena história que arranca com um encontro de três amigos que, à falta de entretém, decidem desafiar-se a contar como foi o seu primeiro amor. E, se dois deles, pouco ou nada de emocionante têm para contar, o terceiro reserva-lhes uma verdadeira história de primeiro amor, que conta com todos os detalhes e emoção vivida.

E o leitor tem a oportunidade de acompanhar esta narrativa.

Um livro simples, mas bonito, que mostra um lado inocente e bonito de uma personagem que foi obrigada a crescer. Mas o seu primeiro amor não perdeu nunca o lugar no seu coração apesar do fim trágico!

É muito bom descobrir autores clássicos através desta obras menos conhecidas!

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Opinião... Samantha Hayes "A Mãe da Noiva"

Lizzie e Owen são os protagonistas deste livro. Mas quem dá título ao livro é Sylvia, a mãe de Lizzie, uma mulher controladora, que de forma subtil (ou não), tenta que tudo seja feito à sua maneira. Para agravar ainda mais a situação, Lizzie desconfia que a morte do noivo da sua irmã, no dia do próprio casamento, não foi obra do acaso...

Por isso mesmo, faz de tudo para manter a mãe afastada da sua vida, no entanto, as circunstâncias acabam por quase obrigá-la a ir para junto dela. E para agravar ainda mais a situação, Owen, que desconhece os antecedentes, parece encantado com Sylvia, fomentando a temível aproximação...

Esta é a premissa deste thriller, Lizzie quer manter a mãe longe da sua vida, já que acha que ela poderá fazer mal a Owen. As razões para tal, iremos descobrir ao longo da leitura...

Depois de ter gostado bastante do "A Governanta", que conseguiu apanhar-me de surpresa, este "A Mãe da Noiva" tornou-se bastante previsível quase desde início, o que me tirou parte do entusiasmo com a leitura. É um livro que se lê muito bem, e que, no seu género, está bem escrito, mas, na minha opinião, uma informação foi entregue cedo demais, deveria ter ficado reservada para mais tarde.

Literalmente no final, o livro ainda nos reserva uma pequena surpresa, contudo não foi suficiente para compensar o pouco impacto das revelações anteriores.

De qualquer forma, Samantha Hayes é uma autora que pretende continuar a acompanhar, porque gosto bastante das personagens que cria e dos enredos em que as envolve.

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Opinião... Samantha Hayes * A Governanta

Adoro quando um livro me provoca. E esta “Governanta” conseguiu fazer-me quase gritar com as personagens. Acompanhar a derrocada, assistir às atitudes erradas de quem não detém toda a informação, provocou-me nervos, confesso. Mas nervos bons, daqueles que empolgam! E não é isto que se procura num thriller?

Gina e Adam estão a viver na casa da grande amiga de Gina, Annie. Ela é agora uma artista famosa que decidiu fazer um retiro. Na mesma altura ocorre um incêndio na casa do casal e, enquanto as obras decorrem, precisam de um lugar para habitar com os seus dois filhos. O timing acabou por ser útil a ambas.

Ainda nem 24 horas passaram na casa e alguém bate à porta. É Mary e intitula-se a governanta de Annie. Não querendo chatear a amiga no seu retiro, Gina acaba por ceder e rapidamente percebe que esta governanta tem o poder de ocupar muito espaço…

Iremos fazer algumas viagens ao passado de Gina e Annie, juntamente com outras duas amigas, porque obviamente, as peças irão encaixar até ao final do livro, resta saber de que forma!

Consegui identificar parte da situação e, quando me sentia vitoriosa por tal feito, levei uma rasteira, já que surgiu algo que não antevi e me surpreendeu! E eu gosto disso!

Em suma, gostei muito deste thriller. De escrita fácil, bem desenvolvido, teve esta capacidade de mexer comigo e ainda me reservou a surpresa no final, pelo que só posso recomendar a sua leitura!

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Opinião... Robert Bryndza * Antes de Dizer Adeus

"Antes de Dizer Adeus" é um standalone de Robert Bryndza e a razão pela qual o escolhi ler. Queria perceber o registo do autor fora das suas séries Erica Foster e Kate Marshall.

Para os fãs das séries a boa notícia é que o registo é semelhante. Voltamos a ter aqui um thriller viciante e de leitura compulsiva. 

Maggie é médica e, certo dia, quando estava nas urgências dá entrada um paciente baleado que acaba por falecer. Este paciente não é mais nem menos que Will, o seu marido. A primeira hipótese é que se trata de suicídio, mas Maggie tem dificuldade em aceitar já que nunca identificou nenhum indício que levasse a tal acto. 

Decide então partir para a casa do casal na Croácia, para arrumar ideias e é lá que irá receber uma carta do marido, escrita seis meses antes, que lhe tira todas as dúvidas. Resta saber quem o matou e porquê. 

Vamos acompanhar Maggie nesta pesquisa que se revela muito dura e violenta... 

Na minha opinião, os livros deste autor cumprem muito bem a função de entretenimento, no entanto, a resolução dos casos não me deixa surpresa, falta-me o factor chave para me deixar de queixo caído (que eu gosto tanto!). 

Uma nota final, foi uma enorme satisfação conhecer o autor este ano, na feira do livro de Lisboa. Simpático e divertido! 

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Opinião... Nguyen Phan Que Mai * Os Filhos do Pó

Desconhecia o termo “Filhos do Pó”. Termo dedicado àqueles que nasceram no Vietname, durante a guerra, fruto de relações entre militares americanos e mulheres vietnamitas. Filhos muitas vezes renegados, a viver na pobreza e com muitos traumas.

Nguyen Phan Que Mai dá voz a estas pessoas, através das suas personagens neste novo romance. Phong não sabe quem são os pais e quer, a todo o custo, um visto que lhe permita viajar para os Estados Unidos com a família. Ele precisa de saber quem são os pais, depois da irmã do convento que o acolheu ter falecido.

Dan e Linda são um casal americano de visita ao Vietname. Dan esteve neste país durante a guerra e carrega vários fardos relacionados com a mesma. Esta viagem será uma espécie de cura para os seus males.

Por fim, seguimos para o passado para conhecer duas irmãs, que vivem na pobreza e que sentem necessidade de partir para Saigão com o objectivo de ganhar dinheiro que permita a operação que o pai precisa com tanta urgência. Mas Saigão é uma cidade grande, onde a sua inocência será perdida…

A teia que liga estes três grupos vai sendo tecida ao longo do livro, revelando uma história pesada e dura, do que foi a realidade de um país em guerra. A escrita de Nguyen é irrepreensível, sou incapaz de parar de a ler e voltei a aprender sobre uma realidade que desconhecia. Recomendo muito este livro.

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Opinião... Jonathan Corcoran * Já Não És Meu Filho

Ao contrário da maioria dos livros que leio, já sabia ao que ia em “Já Não És Meu Filho”. Sabia que se tratava de um relato verídico, na primeira pessoa, de alguém renegado pela própria mãe por conta da sua orientação sexual.

O que procurava com a leitura? Compreender. Mas confesso, desde já, que cheguei ao final da leitura sem o conseguir fazer…

Jonathan Corcoran era o terceiro filho de uma família equilibrada e onde existia amor. Desde cedo Jonathan percebeu que não sentia o mesmo que outros meninos que o rodeavam, mas o passo de assumir a sua orientação sexual e ter um namorado veio apenas mais tarde. Quando, aos 20 anos, a sua mãe o confrontou, ele contou finalmente a verdade que o aprisionava, tendo sido renegado logo de seguida com um “já não és meu filho”.

O preconceito falou mais alto para esta mãe. E o mais triste de tudo é perceber, pelas páginas deste livro, que não só Jonathan sofreu uma vida por conta disto, como a própria mãe não conseguiu nunca ser feliz e equilibrada, dividida entre o amor a um filho e a opinião dos outros. É muito triste, todo este cenário. Uma família que não soube respeitar o próximo (tão próximo deles) e se deixou destruir.

Em termos de testemunho, este livro é muito interessante, porque Jonathan é muito directo e simples na forma de contar a sua história, com factos e sentimentos à mistura, como não podia deixar de ser. Enquanto obra literária, ficou um pouco aquém, essencialmente porque, na minha opinião, peca pela repetição de ideias.

Felizmente em todas as histórias há o reverso da moeda, e Jonathan encontrou no seu companheiro Sam um homem compreensivo, respeitador e amigo.

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Opinião... Catharina Maura * A Noiva Errada


Quem é “A Noiva Errada”?

Esta é a pergunta que o leitor deste livro precisa de ver respondida. Tudo porque nos conta a história de duas famílias muito ricas (embora uma esteja em posição social e económica mais elevada do que a outra) e, no seio destas famílias, o casamento é uma aliança de negócios em vez de uma celebração do amor. Por isso mesmo, a avó da família Windsor já decidiu com quem vai casar o seu neto mais velho, Ares. Ela será Raven DuPont, uma supermodelo tranquila e amistosa.

Os problemas começam quando Raven leva a sua irmã Hannah a uma festa onde Ares também se encontra. Hannah fica perdida de amores por ele e o sentimento é recíproco. A avó decide fazer a vontade ao neto já que, mantendo-se dentro da mesma família a aliança contínua garantida. No entanto, Hannah é uma atriz famosa e rapidamente percebe que este casamento a vai limitar nas suas viagens e disponibilidade para gravar. É então que decide dar um passo atrás e adiar o casamento, atitude que desgosta o noivo e chateia a avó que volta atrás com a sua decisão, retomando a intenção de o casar com Raven.

Agora, quem é a noiva errada? O que acontecerá? É o que iremos descobrir ao longo desta leitura que conta com paixões escondidas, reservas na entrega ao outro, partes picantes q.b., bem escritas e desenvolvidas, más decisões que levam a arrependimentos, e outras decisões que se revelam bem mais acertadas.

Apesar das minhas renitências com o género de romance erótico, este livro acabou por cumprir a sua função de entretenimento de forma bastante satisfatória. Há toda uma série de questões que se levantam relativas aos casamentos arranjados por terceiros que achei muito interessantes. Não me fez mudar de opinião quanto ao género, mas proporcionou-me bons momentos de lazer.

Opinião... Freida McFadden * A Criada Está a Ver

 


Ai Freida, o que foste fazer à “nossa” criada?

Desculpem o desabafo, mas terminei a leitura deste terceiro volume e fiquei um tanto indignada com as opções que Freida McFadden tomou neste livro. Millie revelou-se uma personagem incrível no primeiro volume, “A Criada”. Uma mulher de armas, lutadora e poderosa ao seu jeito, genial e destemida. Uma personagem que é impossível esquecer.

Agora, os anos passaram, Millie casou e tem dois filhos e acaba de se mudar para a sua casa de sonho, numa zona tranquila onde ela sente que os seus filhos poderão crescer livres e em segurança. Mas nem tudo é o que parece e os vizinhos não os recebem da forma que sonhariam, revelando-se muito diferentes do que imaginaram.

Millie tornou-se numa personagem empoeirada, sem garra, sem presença e sem a força que tanto a caracterizou e de que tanto gostei, o que me deixou muito decepcionada com este livro…

Millie à parte, e falando apenas em termos de thriller, está bem construído, é de leitura rápida (embora não frenética) e é coerente. Mas não surpreende e, inclusive, há ali um pormenor no final (que não vou revelar por causa dos spoilers), que não me convenceu totalmente.

Os vizinhos do lado deste novo lar são estranhos, ela é dona do seu nariz, autoritária e pouco simpática com quem não gosta. Ele é maleável, aceita e cumpre tudo o que a mulher diz. Do outro lado da rua mora outra vizinha, que tem por hábito espreitar à janela, sabendo tudo sobre todos (acha ela!), tem o controlo absoluto sobre o seu filho, chegando a levá-lo de trela à paragem de autocarro escolar. Definitivamente não foi este o cenário que Millie idealizou quando fez a proposta de compra daquela casa, mas nem sempre as coisas são como imaginamos… aliás, num thriller, nunca são, não é?

Quem procura um thriller que entretenha e não complique, poderá apreciar esta leitura. Quem é fã da autora e sabe o que ela consegue fazer, fica com um amargo de boca, porque este não acompanha a qualidade e intensidade de “A Criada” (o meu preferido ainda e sempre!).

Opinião... Freida McFadden * Nunca Mintas


Vamos a mais uma Freida McFadden? Pois é, comecei o mês de Maio com um desafio. Testar, para ver se conseguia ler um livro num dia. A escolha, dentro da minha TBR deste mês, pareceu-me obvia, já que costumo devorar os livros da Freida. Spoiler alert… consegui!

E não foi nenhum esforço, já que os livros da Freida sabem mesmo bem ler de forma compulsiva. “Nunca Mintas” não foi excepção.

Tudo começa quando Tricia e Ethan vão visitar uma casa que pretendem comprar. A casa é isolada e longe do rebuliço, exactamente o que procuram. Só que não escolheram o melhor dia para a visita, já que começou a nevar muito, prendendo-os sozinhos na casa (a senhora da imobiliária não conseguiu sequer chegar à propriedade). Uma luz acesa no andar de cima, leva-os a pensar que há alguém em casa, mas quando chegam lá tudo está às escuras afinal. E esta não é a única circunstância que os faz acreditar que não estão sozinhos, já que vão acontecendo pequenos incidentes muito estranhos… Mas a neve é soberana e nada mais lhes resta do que ficar abrigados.

Numa tentativa de se distrair, Tricia faz uma ronda pela biblioteca da antiga proprietária, uma famosa psiquiatra que desapareceu sem deixar rasto, três anos antes. O que ela encontra é muito diferente de literatura, mas igualmente interessante, as cassetes onde a médica gravou cada uma das consultas com os seus pacientes, escondidas numa sala secreta. Tricia não resiste à curiosidade e começa a ouvir estas cassetes. O que ela não esperava era ficar a saber de situações que poderão ter levado ao desaparecimento da doutora…

Este livro teve a capacidade de me pregar uma rasteira monumental. Criei as minhas teorias, conjecturei situações, mas nunca imaginei o desenlace. O título de um dos capítulos, (e atenção, bastou o título!), deixou-me de queixo caído. E a partir daí começa uma montanha russo do quem é quem que me divertiu muito!

Aprecio muito uma característica da Freida. Ela não cria personagens estanques, todas elas têm coisas boas, mas também esqueletos no armário. E é muito divertido perceber os elos e ver a teia crescer até que tudo faça sentido. Aqui foi muito evidente esta construção, que gostei muito.

A conclusão é similar a outros livros da autora, thriller viciante, com boas personagens e com um fim (mesmo na última frase) que ainda tem qualquer coisa a dizer. Muito inteligente!

Opinião... Freida McFadden * O Escritório


Escrever opiniões de vários livros de um mesmo autor, num curto espaço de tempo, e quando o autor mantém um registo estável, torna muito complicado não entrar em repetições.

Já me ouviram (e leram) dizer que Freida McFadden escreve thrillers viciantes, que apetece devorar. “O Escritório” não é excepção… Também já disse que os seus livros reservam sempre ao leitor plot twists inesperados que o apanham de surpresa. Mais uma vez, “O Escritório” não é diferente…

Desta feita, a acção passa-se, como o título indica, num escritório. Natalie é a melhor vendedora de produtos nutricionais da empresa, a Vixed e não guarda o feito para si, tomando até uma atitude de alguma sobranceria sobre os colegas. Já a nova colega, a Dawn, é o total oposto. Tímida e introvertida, obcecada por tartarugas e por ter tudo no lugar, é a vítima perfeita.

Sim, porque temos aqui bullying no trabalho. Natalie não perde uma oportunidade de rebaixar a colega, ainda que divulgue aos quatro ventos, o quanto a tenta ajudar. Mas tudo muda quando a pontualíssima Dawn falta ao trabalho. Pior ainda quando o seu telefone de secretária toca e Natalie atende para ouvir uma voz aflita a pedir socorro. Natalie não sossega e vai a casa da colega ver o que se passa e o que encontra irá mudar o rumo da sua vida…

Temos aqui um enorme jogo do gato e do rato, com muitas reviravoltas inesperadas e nenhuma personagem confiável. De tal forma que todas parecem suspeitas e, simultaneamente, inocentes. Nenhuma personagem é daquelas que apetece perdoar tudo, mas também nenhuma é odiável… confesso que não desvendei este desenlace e ainda bem, já que torna tudo mais empolgante.

Este é mais um daqueles thrillers que se lêem compulsivamente, que entretêm e espicaçam o leitor. Cada livro tem a sua função, e a deste é, sem dúvida, o entretenimento. Se é o que procuram, a aposta é segura!

Opinião... Nguyen Phan Que Mai * Quando as Montanhas Cantam

 


Que leitura incrível foi esta! “Quando as Montanhas Cantam” tem tudo o que procuro num livro: uma história de família bem construída, com personagens sólidas, incríveis e memoráveis. Para além disso, ainda contém muita História do Vietname, que desconhecia e me perturbou.

Temos aqui uma avó e uma neta como protagonistas principais, ainda que tenhamos muitas outras personagens com muito relevo para a história. E a acção passa-se em três momentos diferentes no tempo, o presente, um passado mais antigo, quando a avó era uma criança e um passado intermédio, quando a avó é adulta, com os seus filhos crianças.

No presente, Huong e a sua avó vivem o terror da guerra. Os pais e tios da pequena Huong partiram para a frente de batalha, pelo que as duas estão sozinhas a enfrentar a destruição da sua cidade e da sua vida. É nesta altura que a avó conta a Huong o seu passado, desde a infância, como forma de a levar para fora da realidade avassaladora que vivem. Mas o passado também não foi fácil. A avó nasceu no seio de uma família abastada que perdeu tudo, assistindo ao que não devia, muito nova ainda. Depois, já mais velha e com a vida relativamente estável, viveu a reforma agrária que a obrigou a fugir com os filhos, deixando tudo para trás (esta fuga foi a parte mais perturbadora do livro, para mim).

Toda a história desta mulher é de sofrimento, perdeu tudo, viu o pai morrer da pior forma, recuperou para voltar a perder tudo, teve de fugir, teve de tomar das decisões mais difíceis que uma mãe precisa de tomar e vive agora tempos de guerra. Teria todos os motivos para ser amargurada, com sede de vingança e, no entanto, tudo o que ela quer é amar a sua família, mantendo-a próxima e unida. Que personagem maravilhosa. Ficará para sempre comigo, como exemplo a seguir, sem dúvida!

Não tinha noção da dimensão do sofrimento deste povo. Embora seja uma história de ficção, baseia-se em situações reais, algumas delas passadas na família da autora, o que confere outra dimensão à leitura. É caso para dizer, a realidade consegue, muitas vezes, ultrapassar a ficção.

Esta é daquelas narrativas que me arrebatam e me deixam de lágrima no olho no final do livro. A escrita de Nguyen Phan Que Mai é simples, mas despojada de artifícios, tornando tudo muito real e próximo. Não é que eu goste de sofrer a ler, mas sendo retrato de uma sociedade não tão distante assim em termos temporais, é de extrema importância conhecer esta realidade. Recomendo muito a sua leitura!

Opinião... Freida McFadden * O Recluso

 


Freida McFadden volta a atacar!

Desta feita, transporta-nos para a vida de Brooke, uma mulher com um histórico complicado. Há 10 anos, ela esteve envolvida num incidente que lhe mudou o rumo de vida. Ela estava em casa de Shane, o seu namorado na altura, com mais quatro amigos. De repente, dois dos amigos aparecem mortos, e cada um dos restantes quatro não sabe em quem pode confiar e qual deles será o assassino, já que estão numa casa isolada, sem luz devido a uma tempestade e sem rede telefónica. Quando Brooke é atacada, embora não consiga ver, sente que é Shane e será o seu testemunho em tribunal que o irá condenar a prisão perpétua.

10 anos passaram, e os pais de Brooke morreram num acidente de automóvel. Ela regressa à terra Natal de onde tinha fugido depois dos acontecimentos trágicos, mas só encontra trabalho como enfermeira na prisão onde Shane está preso. No dia em que ele é ferido por companheiros de cela, e precisa dos cuidados de Brooke, é o dia em que as dúvidas a começam a assaltar. Até porque outro dos presentes naquele dia era o seu melhor amigo, Tim, de quem Brooke nunca suspeitou, até agora…

Este livro é incrivelmente viciante de ler. E o mais interessante é que a autora nos entrega quase todos os dados no início do livro, o que me levou a questionar o que mais estaria para vir… Mas o desenvolvimento da história está bem conseguido e o final conseguiu surpreender-me! Não foi cenário que tenha colocado como hipótese, mas faz todo o sentido.

A dada altura da leitura, coloquei todos em causa, temos aqui muitas (todas?) personagens pouco confiáveis… E é isso que dá interesse à narrativa, este jogo do gato e do rato, do é ou parece ser, que brinca com o leitor de forma inteligente, levando-o por um caminho aparentemente seguro, para de repente virar sem aviso. Gosto muito disso e é o que procuro num thriller! Isso e a capacidade de surpreender, sem cair em incoerências. Também isso foi aqui conseguido. Não sendo uma história totalmente original, este livro cumpre o seu propósito de entreter e agitar o leitor.

Opinião... Freida McFadden * A Porta Trancada


Depois de “A Criada” e de “O Segredo da Criada”, a fasquia estava alta para este novo livro da autora Freida McFadden. Isto porque estes dois primeiros volumes foram, acima de tudo, surpreendentes e inteligentes na forma como nos entregaram a história. Em “A Porta Trancada” já não encontrei esta particularidade, pelo que é inevitável que tal tenha influenciado a minha opinião.

Desta feita temos Nora, uma cirurgiã conceituada que tem, no entanto, um passado muito conturbado. Há 26 anos, o seu pai atacou e matou várias mulheres, mantendo-as cativas na cave da sua casa de família, tendo sido condenado e preso.

Depois da condenação, Nora foi viver com a sua avó materna e decidiu mudar de nome para que ninguém a associasse ao pai. Ela bem queria fugir deste passado triste e infeliz, mas este não lhe deu tréguas e no presente, 26 anos passados, o assassinato de uma mulher que terá sido sua paciente, com o mesmo modus operandis levanta dúvidas à polícia. Quando o caso se repete com outra mulher, exactamente nos mesmos moldes, o inferno retorna à vida de Nora.

A dada altura ela já não consegue confiar em nada, nem em ninguém. Nem em si mesma…

O grande ponto forte deste livro são as personagens, duras e sofridas, arriscaria até dizer, meio maradas… Depois temos o nível de suspense, sempre em alta, que impossibilita o leitor de largar o livro. A cada página um novo acontecimento, uma acção em suspenso, uma personagem em perigo. Chega a ser inquietante!

Por outro lado, gostaria de ter visto mais explorada a vertente de cirurgiã de Nora, um caminho que me estava a interessar muitíssimo, com todas as questões deontológicas que levanta.

O livro fecha bem a história, com um desfecho inesperado e explicado, que embora não tenha achado bombástico, cumpriu a sua função. Não sendo o meu livro preferido da autora, é um thriller bem construído que prende e entretém.