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Opinião... Thomas Gilbert * As Raparigas de Salem

Esta leitura foi uma espécia de "nim" para mim, porque tem um grande sim quando à história, que gostei muito, mas um pequeno não no que toca à ilustração, que não adorei...

Sendo uma novela gráfica, a imagem conta tanto como a narrativa, pelo que foi uma sensação agridoce, o que me trouxe esta leitura. Julgo que é geral que se pense em bruxas, sempre que se fala de Salem.

Aqui temos uma rapariga, personagem central da história, que vive em Salem e caiu na tentação de se relacionar com alguém inesperado. A situação da aldeia não era boa e rapidamente se espalhou pela aldeia que um grupo de mulheres era a causa, com todas as consequências que daí advieram.

Embora entenda que o tema é duro e não se adapte a ilustrações mais fofinhas, na minha opinião elas são até um pouco grotescas, o que também não seria necessário. Daí não ter apreciado. 

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Opinião... Mansoureh Kamari * As Linhas Que Traçam o Meu Corpo

Uma novela gráfica que é uma biografia. Uma história de vida que são duas realidades tão distintas. É o que nos oferece Mansoureh Kamari, uma iraniana a viver actualmente em França.

Ironia do destino, passou de uma sociedade altamente castigadora para a mulher, para ser modelo de nus. Durante as suas sessões, enquanto se mantém imóvel para que tracem as suas linhas, vai pensando no seu passado, levando-nos nesta dura viagem.

As ilustrações são belíssimas e a palete de cores muito sóbria e credível.

Gostei muito desta novela gráfica, por tudo o que nos revela sobre aquela sociedade, mas também pela nota de esperança que contém.

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Opinião... José Luís Munuera * O Cheiro Dele Depois da Chuva

 "O Cheiro Dele Depois da Chuva". Só este título já me conquistou! Que poético e bonito. A capa veio reforçar ainda mais a minha convicção de o querer ler. E que bonita foi esta leitura.

O amor de um homem e um cão ao longo de uma vida. Este retrato é feito de uma forma sublime nesta novela gráfica, que adorei da primeira à última página. 

O desenho é belíssimo e retrata esta amizade de uma forma doce, verdadeira e emotiva. Na minha opinião, este livro transpira sentimentos. Desde a conquista inicial, passando por uma vida de união entre este homem e o seu cão. E aborda ainda o luto, mas até aqui foi sublime, pela forma bonita como remata a história.

Não tenho animal de estimação, mas senti tudo neste livro. E fiquei cheia de vontade de ter um, confesso! Os cães são genuínos e leais de uma forma tão cativante e bonita. Que lição nos dão!

Terminei o livro e abracei-o, na falta de um amigo canino para abraçar. O poder destas palavras e imagens!

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Opinião... Zidrou e Merveille * Amore

Zidrou faz magia com a novelas gráficas. Gosto muito da forma como conta uma história e tenho acompanhado o seu trabalho, traduzido para português.

"Amore" é o seu mais recente livro traduzido e faz-se acompanhar do ilustrador Merveille, que, na minha opinião, foge um pouco ao género de desenho de, por exemplo, Lafebre. 

Ainda que num registo completamente diferente, este desenho acaba por se adaptar muito bem à história, ou melhor, às histórias, que o livro conta. Todas elas com um tema em comum, o amor, ainda que abordado das mais variadas (e inesperadas) maneiras. E todas elas com um fio condutor invisível

que só se revelará no final.

Ainda que não seja o meu Zidrou preferido, foi uma leitura muito interessante, principalmente por esta vertente das diferentes abordagens ao amor e a surpresa reservada no final.

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Opinião... Gaëlle Geniller * O Jardim, Paris

Aqui está um excelente exemplo do que é a Liberdade! Rose é uma personagem simplesmente incrível e livre, livre de se descobrir e de se expressar da forma que quer. E estamos em 1920!

O Jardim, que dá título ao livro, é uma espécie de cabaret. Nele actuam várias bailarinas, todas elas com nomes de flores (adorei este pormenor!). Rose é o filho da proprietária, uma mulher igualmente incrível, que conseguiu reunir um conjunto de mulheres que se respeitam e apoiam. Da mesma forma que respeitam e apoiam Rose, nesta sua auto descoberta.

Desde cedo Rose começou a "roubar" os vestidos à mãe e a apreciar vesti-los. Quando começa a subir ao palco, é esta versão mais feminina que assume, não se importando sequer ser tratado pelo pronome "ela". Mas ele continua a ser um homem fora do palco, ainda que a dada altura, esta fluidez de género permaneça com ele fora das luzes da ribalta.

É este percurso e esta descoberta do seu eu que vamos acompanhar nesta novela gráfica incrível, com ilustrações maravilhosas e uma história de esperança e fé na humanidade. Rose tem a felicidade de viver rodeado pelos que o amam e aceitam sem reservas. E assim deveria ser sempre, em todas as circunstâncias. Que mensagem bonita contém este livro!

Uma nota final para a paleta de cores usada nesta novela gráfica. É simplesmente perfeita para a época e para o ambiente que retrata. E outro ponto prende-se com a utilização da luz na imagem, os focos, o palco, tudo está criado para criar uma aura deliciosa para o leitor. Adorei!

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Opinião... Cy. * Radium Girls

Aqui está um excelente exemplo de um livro que ensina. Quando se consegue aliar arte, diversão e aprendizagem num único momento é perfeito, não é?

As Radium Girls que dão título ao livro são personagens reais, este grupo de mulheres existiu e foi vítima do uso do rádio. Elas trabalhavam numa fábrica onde pintavam mostradores com rádio e ao molharem a ponta do pincel com a boca, acabaram por se contaminar. Os efeitos secundários seriam já conhecidos, mas ninguém fez nada para travar o caminho para a desgraça deste grupo de mulheres.

E o mais incrível é que o caso não é mundialmente conhecido! Cy., a autora desta novela gráfica, tropeçou quase por acaso nesta história e resolveu pesquisar mais. Sentiu então necessidade de a expor, resultando nesta novela gráfica muito bem conseguida. Em termos gráficos, é uma obra muito interessante, em particular na representação da morte de cada mulher.

Uma nota final para a capa deste livro, que brilha no escuro, quase como se ela própria fosse radioactiva. Um pormenor genial!

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Opinião... Zidrou e Oriol * Naturezas Mortas


Fui enganada! Até ao momento em que escrevo esta opinião, acreditei piamente que Vidal Balaguer existiu! Um comentário nas redes sociais fez-me levantar a suspeita que poderia ser ficção e uma busca na internet não me esclareceu totalmente. Que teia bem urdida! Palmas para o brilhantismo de Zidrou!

“Naturezas Mortas” apresentou-me, então Vidal Balaguer, um pintor espanhol de quem se sabe a data de nascimento, mas não a de morte, sendo a sua vida revestida de uma certa aura de mistério que foi captada de forma brilhante por Zidrou e Oriol.

Através de um traço algo diferente, mas que me pareceu totalmente adequado ao tema, numa aproximação à pintura do próprio artista, vamos desbravando a sua vida e a peculiaridade por detrás daquilo que pinta.

O final é brilhante, a construção da narrativa igualmente, ao jeito do que Zidrou já nos habituou. É um livro que se lê e desfruta relativamente rápido, mas que depois fica a viver na cabeça do leitor, em background.

No final da história, temos um dossier que complementa a informação fornecida pelo desenho de Oriol e a escrita de Zidrou e que mais complementa esta ideia de que Vidal foi uma personalidade real.

Gostei muito deste livro, ainda que num género completamente diferente de outros “Zidrous” que li. A parceria com Oriol é uma aposta ganha e perfeita para contar esta história. Deixem-se enganar, garanto-vos que vale a pena!

Cyril Lieron e Benoit Dahan * Na Cabeça de Sherlock Homes


Confesso… a capa deste livro arrebatou-me! Nem precisei de o folhear para saber que o queria muito ler. Mas, ainda assim, folheei, e fiquei de imediato maravilhada com as ilustrações e as cores de “Na Cabeça de Sherlock Holmes”!

Restava-me ler e perceber se a história e a sua construção, faziam jus ao primeiro impacto que o livro me provocou. Será que é possível dizer que, não só fez jus, como ainda o superou?

Pois é, temos aqui tudo de bom! Uma história para os fãs de Arthur Conan Doyle, com o espírito livre e até presunçoso de Sherlock Holmes e a sagacidade de Mr. Watson. Uma recriação brilhante, quer no que se refere à adaptação, quer à forma como a mesma foi ilustrada.

Para já não falar sobre os pormenores, merecedores de um óscar para o melhor livro de banda desenhada do ano! Que maravilha é ler este livro. Um deleite para os olhos da primeira à última página, um piscar de olhos constante ao leitor, repleto de interação que me deixou sempre com um sorriso no rosto.

Há que ter muita atenção aos detalhes, porque é nos detalhes que este livro é vencedor! Tem ideias muito originais e muito bem conseguidas. Há ali uma pequena brincadeira com uma determinada linha, o fio condutor da história, que me elevaram o entusiasmo com esta leitura para lá do esperado!

Esta novela gráfica tem tudo o que se quer, uma boa história, muita inteligência na forma como é contada, ilustrações soberbas, com um nível de detalhe absurdo, o uso da cor totalmente adequado à época que retrata e um humor refinado. Em suma, uma novela gráfica que entra directamente para o top das minhas preferidas e que irei sugerir muitas vezes. Como agora. Leiam-na e desfrutem, por favor!

Opinião... Rochette * O Lobo


Determinadas novelas gráficas, mais ainda do que livros de literatura, gritam por mim, sem motivo aparente. Apenas pela capa. E este “O Lobo” já me andava a tentar há demasiado tempo. Rendi-me e li-a. Ou deveria dizer, rendi-me e deliciei-me com esta história?

Confesso que não fiquei de imediato encantada com a arte, assim que iniciei a leitura. Aprecio linhas mais precisas, traços mais delicados. Mas à medida que o argumento me foi absorvendo, as ilustrações complementaram-no de forma perfeita, fazendo-me esquecer a sensação inicial.

Temos um pastor e um lobo. Este lobo perdeu a mãe, ainda muito jovem, às mãos do dito pastor, o qual, por sua vez, perdeu parte do seu rebanho (e, consequentemente, do seu rendimento) pela boca da loba. O ciclo é vicioso, e o sentimento de vingança também…

São estes dias frios, no meio dos Alpes, num clima inóspito e em condições extremas de sobrevivência que vamos acompanhar esta luta desafiadora entre homem e animal.

A dada altura, temi um final trágico para todos, um desfecho onde ninguém ganha. Mas Rochette tinha outros planos e gostei muito quer das opções, quer do caminho que tomou até chegar a elas.

É um livro que se sente: sente-se o frio, acima de tudo, o isolamento das montanhas, a raiva, a sede de vingança, o vazio depois desta. Às primeiras páginas não acreditei vir a gostar tanto deste livro, mas a verdade é que me soube conquistar. Definitivamente!

Opinião... Christian Lax * A Universidade das Cabras

 


“A Universidade das Cabras”, um título aparentemente estranho que faz todo o sentido depois de lida esta maravilhosa novela gráfica!

Folheei o livro na primeira vez que o vi e o que me chamou de imediato a atenção foram as ilustrações. Porque sem serem totalmente definidas, são tão cativantes. Mais ainda quando se vai lendo e percebendo as subtis alterações de ambiente que vão imprimindo à narrativa. As ilustrações de página inteira, cortadas para dar a sensação de movimento da personagem são tão bonitas! Perdi-me muitas vezes nestas páginas, confesso.

Mas não foram só as ilustrações que me cativaram, a própria história, repartida no tempo e entre diferentes personagens sem aparente ligação é muito interessante! Começamos por conhecer Fortuné, em 1833, um professor itinerante nos Alpes franceses, que percorre centenas de quilómetros com o único objectivo de distribuir conhecimento às crianças sem acesso ao ambiente escolar. Ele tem três penas no seu chapéu, indicativo de que tem competências em três áreas: leitura, escrita e números. Mas as leis mudam e, de um momento para o outro, Fortuné vê-se impossibilitado de exercer a sua profissão. Escolhe então vender livros, permanecendo na sua saga por distribuir cultura, mas uma vez mais é barrado. É então que decide partir, numa viagem que o leva para longe e que lhe muda a vida para sempre.

Vamos também conhecer Arizona, na actualidade, uma jornalista que irá ao Afeganistão entrevistar mulheres que marcaram a diferença. O seu guia será Sanjar, um homem que já foi, também ele professor itinerante, levando o seu quadro preto às localidades mais recônditas, para que as crianças (meninos e meninas) pudessem aprender a ler e escrever. Mas também ele viu os seus intentos bloqueados… E é aqui que as histórias se começam a enredar…

Este livro dá que pensar. Como é que tantas décadas se passaram e ainda assim, a história se repete? O que poderá não ser tão chocante quando passado em 1833, toma contornos muito mais assustadores pela proximidade aos nossos dias. “A Universidade das Cabras” tem ainda um posfácio brilhante, que enriquece em muito a leitura deste livro. Não deixem de a ler!