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Opinião... Kristin Hannah * A Casa Junto ao Mar

Kristin Hannah será sempre um dos primeiros nomes que direi quando me perguntarem por autoras de bons romances! Porque, de facto, sabe escrever uma boa história, com personagens cativantes, bem escolhidas, bem caracterizadas, com as diferentes perspectivas que nos permitem ver o todo.

"A Casa Junto ao Mar" é o local onde mãe e filha se vão reencontrar, em circunstâncias que nenhuma delas antecipou, mas que as vai levar a revisitar o passado e perceber o que falhou. Esta relação entre mãe e filha nunca foi boa, e, mesmo no presente, acaba por ser forçada, mas levá-las-á por um caminho bonito.

Uma história de mágoa e de perda mas também de perdão e de amor. O final é um tanto previsível, mas relembra-nos valores muito importantes, e por isso, gostei tanto dele!

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Opinião... Frode Grytten * O Barqueiro e a Sua Mulher

Há coisas que não se explicam, mas este livro "falou" comigo antes sequer de saber sobre o que se tratava a sua história!

E a verdade é que foi uma leitura que me encheu as medidas, que li quase de uma assentada, e que ficou comigo.

O nosso protagonista levanta-se uma determinada manhã, faz os seus hábitos normais de higiene e alimentação e parte para o seu barco, numa viagem pelos fiordes, como todos os dias. A diferença é que esta é a sua última viagem, já que é o seu último dia de vida.

Mas esta viagem não é como todos os dias. É um percurso de memórias e de reflexão, de momentos e de pessoas, aquelas que se cruzaram com ele ao longo da vida e que fizeram a sua diferença.

O livro tem um toque que eu diria que é de realismo mágico, mas que o torna ainda mais perfeito, na minha opinião. Foi uma leitura que me deixou a reflectir, no sentido da vida, nas pessoas que são "nossas", nos momentos que guardamos com amor e carinho. Que viagem esta!

Gostei muito deste livro, e fez-me, em certa medida, lembrar o "Três Homens num Barco" outro livro a que regresso inúmeras vezes, como sei que acontecerá com este!

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Opinião... Silvia Montemurro * O Segredo da Villa Carlotta

A primeira coisa que despertou a minha atenção para este livro foi a capa! Muito bonita, remeteu-me de imediato para o ambiente desta história.

Carlotta é a personagem que dá título ao livro e onde se centra a acção. Ela é sobrinha do Rei da Prússia e a sua mãe, muito à frente do seu tempo, tem uma mentalidade aberta que a levou a um divórcio considerado escandaloso no seu tempo...

Com o divórcio, a mãe de Carlotta decide viajar para Itália e comprar uma villa junto ao Lago Como. Primeiro contrariada, rapidamente Carlotta fica deslumbrada com toda a arte presente em todos os cantos de Itália. A sua alma de artista é de imediato conquistada!

Ao mesmo tempo aproxima-se a sua hora de debutante, que irá acontecer num ambiente que desconhece, com pessoas que nunca viu. Mas irá também conhecer Giorgio, um jovem misterioso, muito diferente dos demais, que consegue cativar a sua atenção e simpatia...

No final a autora refere que esta história teve por base factos reais, já que Carlotta foi, de facto, sobrinha do Rei da Prússia e foi viver com a sua mãe para o Lago Como. Este facto revestiu toda a história de mais interesse!

Embora seja uma escrita simples, com uma história igualmente simples, que se restringe às vivências de Carlotta desde a sua chegada a Itália (teria sido interessante incluir, talvez, parte da história da família, na Prússia), ainda assim foi um livro muito agradável de ler!

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Opinião... Kristin Hannah * O Caminho Até Casa

Kristin Hannah é uma exímia contadora de histórias e neste "O Caminho Até Casa" explora o tema da culpa de uma forma incrível, oferencendo ao leitor várias facetas de um mesmo acontecimento trágico.

Lexi e Mia são duas meninas introvertidas que encontram na outra o seu porto de abrigo, tornando-se melhores amigas. Lexi vem de uma família muito complicada e acaba por encontrar na família de Mia um segundo lar onde se sente confortável e acarinhada.

Os anos passam e Lexi acaba por se apaixonar por Zach, irmão gémeo de Mia, fortalecendo ainda mais a sua ligação a esta família.

A mãe dos gémeos é altamente protectora dos seus filhos, levando por vezes, as situações a extremos e nada a preparava para o que estava por acontecer...

O livro é interessante até ao trágico acontecimento, mas ganha um novo fôlego e ritmo a partir daí com muitas questões e muitos sentimentos e sensações envolvidos.

Gostei muito desta história, ainda que não seja o meu livro preferido da autora, foi uma excelente leitura!

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Opinião... Stephen King * Running Man - O Jogo de Sobrevivência

É inegável a qualidade da escrita de Stephen King. Como é que, em 1982, teve a capacidade de antevisão e escreveu uma história como esta?

Falo de "Running Man" um livro distópico, que nos retrata uma sociedade imaginada onde há claramente uma separação entre dois grupos. Os muito ricos e os muito pobres. Estes últimos, faltando-lhes trabalho e dinheiro para sobreviver, ficam sujeitos a participar nos jogos que os muito ricos idealizaram, como forma de entretenimento. A questão que se coloca é que estes jogos são de sobrevivência, acabando invariavelmente de uma maneira, já que quem manda manipula todos os acontecimentos a seu belo prazer...

Com o que não contavam era com Benjamin Richard (Ben), um homem que segue este rumo para salvar a filha bebé de uma pneumonia, e portanto, disposto a tudo.

Ben será convocado para o mais terrível dos jogos, aquele onde tem que sobreviver 30 dias pela cidade, podendo ser identificado e apanhado por qualquer cidadão, que tem uma contrapartida monetária se o identificar e outra, ainda maior, se o matar.

Começa então a caça ao homem. Mas Ben não é um homem qualquer. Vamos acompanhá-lo ao longo destes dias, às suas estratégias, ao seu desespero.

É um livro impressionante e viciante. Desde que o jogo começa, a acção é frenética e é praticamente impossível de pousar o livro. Stephen King mostra aqui, uma vez mais, porque é considerado um mestre. Que livraço! Adorei!

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Opinião... Thrity Umrigar * O Canto dos Corações Rebeldes

Que história esta... Ser mulher e ler a história de vida de Meena e de Smita impressiona e incomoda.

Toda a narrativa parte de uma notícia no jornal, de um homem que terá morrido queimado na Índia. A sua mulher sofreu graves ferimentos ao tentar salvá-lo, e esta mulher é Meena. Os causadores deste crime foram os irmãos de Meena e a razão foi única e exclusivamente porque Meena, muçulmana, ousou casar com um homem hindu.

Na opinião dos irmãos, Meena estaria a ir contra as raízes da sua cultura, ao misturar estas duas religiões e tudo culminou na perda de vida do marido e na destruição da vida da própria Meena.

Smita é jornalista e retorna à Índia a pedido de uma grande amiga que estava a fazer a cobertura deste caso, quando sofreu um grave acidente que a levou ao hospital por tempo indeterminado. Smita nasceu na Índia, mas a vida encaminhou-a para os EUA, com a sua família. Só um motivo muito forte a faria retornar e enfrentar todos os fantasmas do seu passado.

Vamos então acompanhar as duas histórias em simultâneo. Por um lado conhecer o nascimento da relação bonita de Meena e tudo o que se sucedeu, acompanhando também o julgamento e, por outro lado, vamos conhecer a história de Smita, igualmente impactante.

Este livro está muito bem escrito, num balanço equilibrado entre a devida importância dos acontecimentos, mas sem demasiado alarido. Com um testemunho de amor e outro de ódio que infelizmente conseguiu sair vitorioso...

Senti nas entranhas o quanto ser mulher vale de nada na Índia, mesmo nos dias de hoje. É realmente chocante e histórias destas nunca são demais, para que se saiba e seja possível evoluir. Infelizmente ainda estamos muito longe de uma realidade equilibrada por todo o planeta.

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Opinião... Kristin Hannah * O Rouxinol

“O Rouxinol” foi para mim uma releitura. Li-o há vários anos (e adorei), mas a propósito do Clube de Leitura Bertrand, na Feira do Livro de Lisboa, decidi reler o livro e relembrar o quanto gostei de o ler. Não defraudou, nem foi esmagado pelo passar do tempo. Antes pelo contrário. Este livro é, infelizmente, demasiado actual.

Temos aqui um cenário de guerra, mais precisamente, a Segunda Guerra Mundial, pela vivência de duas irmãs, Vianne e Isabelle Rossignol que não tiveram uma vida fácil, vida essa que as tem moldado naquilo que são no momento em que a guerra começa.

Vianne já casou e tem uma filha pequena, enquanto Isabelle anda ainda em busca do seu lugar no mundo. Talvez por isso, cada uma delas vai enfrentar estes tempos atrozes de maneira diferente, contudo igualmente eficaz.

Tudo o que elas passam é doloroso, provoca medo, mas também as enche de coragem para prosseguir. Enquanto Vianne se vê sem marido (partiu para a frente de combate) e é obrigada a alojar um militar alemão em sua casa, Isabelle encontra na resistência a sua luta e o seu propósito.

Kristin Hannah consegue criar personagens incríveis, cheias de camadas. As personagens estão em constante evolução e as descrições não precisam de ser exaustivas para serem reais. É essa a sua magia. Ela conta-nos situações trágicas sem necessidade de ser gráfica. E contudo está lá tudo... A homenagem que faz às mulheres, que não ganhando medalhas fizeram e passaram por tanto é cativante!

Já tinha adorado este livro quando o li da primeira vez e voltei a adorar esta releitura. Que livro bom este!

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Opinião... Beatriz Serrano * O Desencanto


Já há muito tempo que não encontrava uma personagem que eu entendesse tão bem logo às primeiras páginas! Quase diria que já conhecia Marisa, uma amiga antiga, com quem retomei o contacto mais recentemente, mas cuja conexão nunca se perdeu.

É engraçado como se criam estes laços invisíveis com personagens…

Marisa não tem papas na língua, é frontal, até um pouco desbocada. Para nós, leitores, é totalmente transparente, e permite-nos seguir o seu fluxo de pensamentos (constante e abundante!). Através dele percebemos o quanto ir trabalhar a afecta. Porque é um sentimento sempre presente de desperdício do seu tempo útil, que pouco lhe deixa para fazer o que realmente lhe dá prazer.

Quantos de nós não pensámos já o mesmo? Não fossem as responsabilidades e as contas para pagar, quantos permaneceriam nas suas funções profissionais?

Marisa dá voz a estes pensamentos que assolam toda a gente, arriscaria a dizer, cada vez mais… Mas também é Marisa que nos vai dar a conhecer outros lados desta moeda.

E é aqui que o livro dá que pensar e me fez gostar muito dele. Qual é o nosso propósito de vida? Qual o nosso papel na sociedade? Porque seguimos normas e regras, muitas das vezes, que nem sequer nos são impostas?

A dada altura, há uma situação descrita no livro, durante um outdoor da empresa, que ocupou o fim de semana de todos os funcionários (e que ocupa umas quantas páginas do livro), que eu não consegui compreender o intuito e me fez esmorecer um pouco o entusiamo, mas poderei ter sido eu a não alcançar as razões por detrás das acções…

No computo geral, foi uma leitura que gostei muito de fazer, que me permitiu reflectir e fazer uma pausa na correria diária. A escrita é muito cativante, pela sua frontalidade e Beatriz Serrano foi uma nova autora que me surpreendeu. O livro é composto por três partes, mas as duas últimas são muito pequenas. A segunda parte é hilariante, e fez-me rir a bom rir, e o final fecha o livro de forma brilhante!

Opinião... Betty Cayouette * Uma Última Oportunidade

 

Antes de mais, uma palavra para a capa deste livro, lindíssima. Rapidamente reconheço a Emerson e o Theo nela, na deslumbrante Cinque Terre, numa sessão fotográfica cheia de amor!

“Uma Última Oportunidade” traz-nos um romance, uma história bonita entre duas personagens de quem é fácil gostar. Ainda assim, tem a carga que Emerson carrega, relacionada com uma agressão sexual no seu passado, tornando-o mais sério do que aparenta.

A autora explica, no início do livro, que ela própria foi vítima e que, durante muito tempo, esta agressão condicionou a sua vida. Tendo conseguido ultrapassar a situação, quis que a sua personagem demonstrasse que um episódio dramático não deve tornar toda uma vida infeliz.

Emerson está à beira de completar 28 anos. É uma modelo muito famosa, sobejamente conhecida e solteira. A poucos dias de fazer anos recebe um lembrete do seu grande amigo Theo, de quem se afastou nos últimos 10 anos. Este aviso, relembra-a do pacto entre eles, que se chegassem aos 28 solteiros, deveriam casar um com o outro.

Emerson decide então conseguir um trabalho de modelo numa campanha que Theo está a fotografar, e o reencontro dos dois não é bem o que esperavam. Ambos terão de reaprender a lidar um com o outro e com o passado…

Achei as duas personagens muito carismáticas, e, apesar do sucesso que alcançaram, têm personalidades amorosas e cativantes. Gostei muito dos diálogos entre eles, um misto de intimidade antiga com insegurança presente. Gostei da forma como os temas foram introduzidos e tratados.

“Uma Última Oportunidade” é, em simultâneo, um romance leve e mais pesado, o que o torna especial e me fez gostar bastante da leitura. A escrita é simples, mas a autora teve a capacidade de construir duas boas personagens que gostei muito de conhecer!

Opinião... Stephen King * Carrie


Confesso, ler Stephen King causa-me receio… Não consigo evitar ir a medo para um livro seu. E este “Carrie” estava talvez no topo dos mais temidos. Afinal sem razão! Embora seja um livro difícil, com uma temática dura, não me provocou insónias!

Publicado em 1974, celebra agora 50 anos… É obra! Não posso deixar de falar sobre esta edição tão bonita, como também não posso deixar de mencionar que embora tenha adorado ler as palavras de Margaret Atwood no prefácio, apanhei uma série de spoilers… É certo que tive 50 anos para conhecer a história, mas a realidade é que não a conhecia e preferia tê-lo lido como posfácio. Fica o alerta para quem ainda não leu.

Carrie é uma menina que nunca teve uma vida feliz. Primeiro às mãos da mãe, depois dos colegas, foi eternamente mal-tratada e vítima de bullying. É também desde cedo que percebe que a força da sua mente é poderosa…

Carrie irá crescer, sempre neste ambiente, sempre alvo de chacota, sempre mal-amada pela sua própria mãe e, no seu interior, a revolta vai crescendo e crescendo até se tornar intolerável e o pior acontecer! E quando acontece tudo é catastrófico e incontrolável!

A escrita de King é muito peculiar, cheia de apartes que tornam o ritmo de leitura diferente, mas não menos interessante. É um livro pesado, mas de leitura viciante. E fez-me pensar o quanto foi corajoso, pelos temas que abordou (e pela forma como o fez), há 50 anos, quando as mentalidades e liberdades eram outras! Não será por acaso que resistiu até aos dias de hoje, continuando a conquistar leitores e, inclusive, com adaptações para filmes.

Pela minha parte, dispenso ver o filme, parece-me que visualmente esta história será demasiado para mim, mas quanto ao livro foi uma bela surpresa. A partir de dada altura, dei por mim a lê-lo freneticamente e a não querer parar enquanto não cheguei à última página. O que, basicamente, diz tudo!

Opinião... Yulin Kuang * Como Terminar uma História de Amor


 Já há algum tempo que procurava um romance levezinho e despretensioso, aquilo que eu costumo chamar, a brincar, de pastilha elástica para o cérebro. E não é tão fácil de encontrar como parece porque, a dada altura, ou se transformam num “dramalhão” ou são tão leves que não chegam a ter qualquer interesse.

“Como Terminar uma História de Amor” conseguiu um bom equilíbrio entre estes elementos. É leve, mas tem história. Tem personagens que apetece gostar e torcer por elas, o que é sempre um ponto a favor, tem tempero q.b. e uma estrutura relativamente linear e pouco exigente que permite desfrutar dos elementos anteriores.

Helen Zhang é uma escritora de sucesso, com uma série juvenil publicada e bestseller, à beira de ser convertida em série. Ela é de origem chinesa e tem, no seu passado, um acontecimento marcante e doloroso que a liga irremediavelmente (e pelas piores razões) a Grant Shepard.

Helen está a viver um sonho, com a criação desta série, mas tudo se complica quando percebe que Grant faz parte da equipa de guionistas. Ele mesmo, aquele que ela não quer ver pelas recordações que acarreta…

Eles decidem seguir em frente, ser profissionais e deixar o passado de lado enquanto trabalham. Será que conseguem?

É esta jornada que iremos acompanhar, ao mesmo tempo de descobrimos o que aconteceu na juventude dos dois que tanto afectou a sua relação presente. O motivo é muito forte e levanta muitas questões, de facto. Temos aqui o tema da culpa e da percepção da mesma. Mas temos também duas personagens amorosas, que cativam o leitor e dificultam ainda mais essa mesma percepção.

Gostei bastante deste livro, dentro do seu género. Foi uma leitura que me manteve sempre interessada, que me fez tentar estar no lugar deles e perceber qual seria a minha posição. Leve, mas não vazio de conteúdo. Perfeito para esta altura do ano, quando o calor não é compatível com leituras mais densas e exigentes.

Opinião... Kristin Hannah * As Mulheres

Se me pedirem uma lista de autores(as) preferidos, certamente Kristin Hannah fará parte da mesma. Já li inúmeros livros da autora e entre eles encontram-se alguns dos meus preferidos de sempre, como “O Rouxinol” ou “A Grande Solidão”.

Esta premissa eleva de imediato a fasquia, mas Kristin Hannah nunca desilude! “As Mulheres” é um livro e tanto. Há aqui de tudo: uma boa história, uma pesquisa apurada do que foi a presença feminina na Guerra do Vietname, personagens extraordinárias e um romance bonito, embora dramático.

Fiquei muito surpreendida e, até indignada, com o que descobri neste livro. E terão sido, talvez, estes os sentimentos que impulsionaram a autora a contar esta história. Porque a verdade é que embora as mulheres tenham estado presentes na Guerra do Vietname, como enfermeiras ou médicas, salvando inúmeras vidas, nunca foram reconhecidas nem valorizadas por tal. Mais do que isso, após a Guerra, todos afirmavam que não tinham estado presentes e chegava a ser uma vergonha falar do assunto.

Vergonha foi também o que sentiu a família de Frankie, a nossa protagonista. Ela decidiu alistar-se depois de perder o irmão para esta guerra. A ida do irmão, ao contrário da sua, foi motivo de orgulho, visto como um herói. Mas Frankie decide seguir o seu coração e dá início a esta odisseia, nunca esperando as condições com que se deparou. Mas ela revela-se muito mais forte do que aparenta e transforma-se numa enfermeira de topo.

O livro é composto por duas partes, a primeira passada no Vietname, pesadíssima. Assistimos, juntamente com Frankie, a todo o tipo de atrocidades e à perda de vidas de forma brutal. Vale-lhe o sentimento de dever cumprido e a amizade para toda a vida com duas outras mulheres. O apoio entre elas é o que lhes permite sobreviver física e mentalmente. Na segunda parte do livro, acompanhamos a nossa protagonista no seu regresso aos EUA. Ao choque com uma realidade totalmente inesperada e adversa. Os próprios pais não a conseguem encarar, preferindo mentir e afastar-se. Perdida, Frankie terá de aprender a viver com esta nova realidade. A ajuda das suas duas amigas será uma vez mais essencial…

Este livro está cheio de grandes mensagens, mas a maior de todas, aquela que retenho e admiro é o poder da amizade.  A relação entre estas três mulheres é fabulosa e é bastante compreensível que tais laços tenham sido criados e solidificados.

Kristin Hannah é uma exímia contadora de histórias. Bem documentada, consegue colocar o leitor em qualquer cenário, seja ele idílico ou de guerra. A sua narrativa é vívida e permanece (e permanecerá) na minha mente. Há também lugar a romance aqui e, embora na minha opinião, não seja de todo o foco de “As Mulheres”, foi igualmente bem construído. Mais um livro muito duro, mas brilhante desta autora que tanto admiro!

Opinião... Annie Lyons * O Clube de Leitura Antiguerra


São livros como este que me fazem gostar tanto de ler! Livros que nos transportam para outros lugares, neste caso, nem por isso mais felizes, mas ainda assim numa jornada incrível!

Achei tudo bom neste livro, a história, as personagens, o desenvolvimento da narrativa. E, embora a acção se passe quase toda em tempo de guerra e esta seja uma presença permanente, a verdade é que o foco do livro são as pessoas, a livraria, aquela localidade e a forma como os livros salvaram estas personagens.

Gertie é uma jovem mulher no início da história. Destemida e ousada, desafia o marido Harry a abrir com ela uma livraria. Se, de início, são vistos com alguma hesitação, principalmente porque Gertie é muito à frente do seu tempo, aos poucos conseguiram conquistar o seu lugar e fazer parte daquela comunidade. Mas nem tudo são rosas e a guerra está à porta. Para piorar o cenário, Harry morre de doença, deixando Gertie sozinha e um pouco perdida. Mas será ela a acolher em sua casa uma das muitas crianças trazidas da Alemanha para Inglaterra e a necessidade de cuidar da adolescente que lhe calhou, obriga-a a reagir e a agir.

Em cenário de guerra, a sua livraria e o armazém transformado em abrigo rapidamente representaram o escape a uma realidade demasiado dura. Será ali que o clube de leitura irá ter um papel fundamental em manter as pessoas mais calmas e unidas, transportando-as para as histórias que partilham e debatem.

Um livro que fala de livros e do papel da literatura é sempre bem-vindo. Quando alia uma escrita irrepreensível que teve a capacidade de me transportar para aquela época, temos o conjunto perfeito. Foi, para mim, um deleite ler este livro, senti cada personagem, senti o medo pelo desconhecido, o sofrimento pela perda, mas também a libertação em cada página.

Uma leitura que recomendo sem reservas!

Opinião... Miye Lee * O Grande Armazém dos Sonhos


“O Grande Armazém dos Sonhos” pauta-se pela originalidade!

Original na temática que aborda, mas também original na forma como a conta. Falando na forma, confesso que a mesma me causou uma estranheza inicial, que me obrigou a reler algumas partes, porque me senti meio perdida na narrativa. Mas assim que entendi que a explicação vem depois, tudo se tornou mais claro. Ainda assim, se algo tenho a apontar a este livro, prende-se com este ponto, senti que não foi uma leitura fluída, tendo requerido uma atenção extra da minha parte. De qualquer forma, valeu totalmente este esforço!

A autora, Miye Lee, coreana, deu por si a pensar que os seres humanos passam um terço da vida a dormir. Aparentemente algo sem sentido, já que tirando o descanso, nada mais é retirado de um tempo do qual não temos sequer consciência. E quis desbravar este território, usando para isso os sonhos.

Assim, neste livro vamos viver numa cidade que existe apenas nos sonhos. Ela tem habitantes locais, que trabalham lá e tem os visitantes, todos aqueles que ao dormir, procuram sonhar. Emily é uma das residentes, que acabou de conseguir emprego no Grande Armazém dos Sonhos, a mais famosa loja de venda deste produto, constituída por 7 pisos, cada um deles dedicado a um tipo diferente de sonhos. Para Emily tudo será uma novidade e uma descoberta. Será igualmente para nós, leitores, que a acompanhamos.

O livro levanta questões muito pertinentes que fazem pensar. A forma como introduz pensamentos mais elaborados e mensagens mais complexas no meio da narrativa está muito bem conseguido e o toque de Tim Burton que encontrei ao longo de toda a narrativa deu-lhe, sem dúvida, outro encanto! Aliás, este livro daria, certamente, um excelente filme!