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Opinião... Shiro Oguni * O Restaurante dos Pedidos Trocados

 


Sinto que este livro precisa de ser analisado de duas perspectivas diferentes. Por um lado, a escrita e a forma como está construído, por outro, a mensagem.

Vou começar pela mensagem, simplesmente incrível. O ser humano quando usa os seus recursos de forma positiva e em prol do próximo, consegue coisas incríveis. Shiro Oguni era realizador de cinema e televisão, mas foi atraiçoado por uma doença de coração que o impediu de prosseguir com a sua profissão. Foi então que, entre outras coisas, decidiu concretizar alguns sonhos antigos, outros mais recentes, como criar um restaurante, cujos trabalhadores sofram de demência. O que poderia parecer um acto de loucura, ele mesmo, tornou-se num fenómeno de reconhecimento mundial.

O retorno desta experiência foi algo totalmente inesperado, uma vez que as pessoas que sofrem de demência são automaticamente conotadas com total incapacidade, no entanto, quando acompanhadas e estimuladas, conseguem ainda ser muito competentes. Depois, foi a reação dos clientes deste restaurante tão especial que surpreenderam. As pessoas que sabiam ao que iam, reagiram de forma entusiástica, mas as que não sabiam foram cativadas pela simpatia destas pessoas simples, que conseguiam reagir com uma gargalhada a cada pedido trocado.

Esta experiência foi, sem dúvida, uma lição de vida que adorei conhecer!

Mas falta falar sobre a parte literária desta obra. A escrita é extremamente simples e muito telegráfica. Há muitos pontos finais, que acabam por quebrar ritmo de leitura. A forma como o livro está estruturado podia, na minha opinião, ser mais apelativa também. Não quero com isto dizer que não gostei do livro, porque gostei realmente muito, pela sua mensagem tão bonita. E neste caso, à semelhança dos pedidos trocados, encaramos este “pormenor” da escrita com um sorriso!

Opinião... Alba Donati * A Livraria na Colina

 


Como não ter curiosidade em ler um livro (de não ficção), que nos fala sobre a experiência de abrir uma livraria numa aldeia com apenas 180 habitantes?

Escrito na primeira pessoa, Alba Donati relata-nos a sua experiência. Mas este livro é muito mais do que isso. Em formato de quase diário, vai contando ao leitor o dia-a-dia de uma livreira peculiar, dos habitantes da terra, da família, das leituras e das encomendas.

É realmente interessante e, a dada altura, parece que já conhecemos Alda e os restantes habitantes e conseguimos visualizar esta bonita livraria que foi criada com recurso ao crowdfunding, antes da pandemia e que sofreu um desaire violento (um incêndio) logo nos primeiros meses de vida, que poderia ter sido o mote para desistir, mas que, pelo contrário, foi um bonito processo de união e solidariedade que tornou a recuperação possível.

Ter uma livraria é um sonho de vida. Julgo que será o de muitos leitores. Alba Donati ousou converter esse sonho em realidade e é uma inspiração. Perceber que é na diferença que se conquistam os clientes, que um pequeno negócio local precisa de ser original e de se reinventar. Adorei ver a lista diária de encomendas, e que deleite encontrar livros que também povoam a minha estante e já li.

Alba Donati é igualmente poetisa e isso percebe-se na forma como escreve. Este livro é de não ficção como referi, mas mais parece um romance com toques de magia perdidos por aqui e por ali. Uma leitura de conforto, que faz sonhar!