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Opinião... Tarryn Fisher * Margo

"Margo" é a personagem principal desta história tão dura!

Residente num bairro problemático, Margo tem o coração no sítio certo, mas a vida coloca-a em situações extremas que a encaminham por um destino muito questionável.

Quase uma Robin dos Bosques do tempo moderno, leva-nos pelos meandros do pior que o ser humano consegue ser, abordando a violência contras as crianças e contras as mulheres numa perspectiva um pouco diferente.

Gostei muito desta leitura, ainda que tenha sido muito dura.

Opinião completa em vídeo abaixo:



Opinião... Jesse Q. Sutanto * Conselhos Não Solicitados de Vera Wong para Assassínos

Este livro não foi a minha estreia com Jesse Q. Sutanto, e o que me ficou presente dos livros anteriores foi o quanto me diverti a lê-los. Ia, portanto, com essa expectativa para esta leitura, para mais quando temos um título como "Conselhos Não Solicitados de Vera Wong para Assassinos". É logo um bom ponto de partida!

No entanto, este livro ficou bastante aquém do que esperava. Ainda que Vera Wong seja uma personagem caricata e divertida, a história no seu todo não teve o poder de me convencer. Porque não é séria o suficiente para a considerar como um romance sério, mas também não tem situações caricatas que puxem o lado divertido o suficiente...

Vera Wong é uma senhora idosa, mãe de um adulto que ela acha que ainda deve acompanhar a cada passo. Ainda que seja ignorada constantemente, não desiste e telefone repetidamente, ora para que ele se levante, ora para que coma, ora para que arranje uma namorada, que já é tempo. 

Ela tem um salão de chá que já conheceu melhores dias e mais clientes, certo dia encontra um corpo dentro do salão. Rapidamente põe em prática o que aprendeu em séries televisivas, para desespero da policia que chega depois.

Confrontada com a realidade de que a polícia não considerou o caso um homicídio

, Vera decide investigar pelos seus próprios meios e, como é óbvio, instalar a confusão!

O livro tem os ingredientes certos para este tipo de leitura, e Vera Wong é uma personagem engraçada. Mas no computo geral, na minha opinião, não resultou. Não senti um início que me levasse logo por um caminho de comédia e que tal me acompanhasse ao longo de toda a leitura. 

O que é uma pena, já que tal foi muito bem conseguido, noutros livros da autora.

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Opinião... Jeneva Rose * O Casamento Perfeito

Imaginem uma mulher, advogada de sucesso, com um casamento estável. Certo dia, esta mulher, Sarah, recebe um telefone do marido, que se encontra preso e precisa que ela o defenda. Do quê? Da acusação de homicídio da sua amante!

De uma assentada, Sarah descobre a traição de Adam e a situação crítica em que este se encontra, já que todos os indícios apontam para ele.

Temos aqui um thriller que se fundamenta numa questão ética e moral que dá que pensar. Sarah deverá defender o seu marido, defender a sua inocência ou deverá voltar-lhe costas já que ele a traiu?

É, sem dúvida, um tema interessante e perturbador. E é igualmente perturbador perceber o desenrolar desta história, que habilmente nos encaminha numa direcção para depois percebermos a astúcia da autora. Gostei disso!

Já não apreciei tanto o final, talvez por ter lido já muitos thrillers, pareceu-me uma resolução algo batida e “fácil”, que não antevi de início, mas que, a partir de dada altura, se tornou óbvia. Este facto acabou por esmorecer um pouco o meu entusiasmo com o livro.

Ainda assim, estive sempre interessada na história, curiosa com o desenrolar e, sem dúvida, entreteve.

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Opinião... Jenny Colgan * A Livraria dos Segredos

Jenny Colgan é um dos meus guilty pleasures literários. Sempre que é editado um novo livro da autora, quero muito lê-lo de imediato.

Foi o que aconteceu com “A Livraria dos Segredos”. E, de facto, foi como regressar a um lugar de conforto, onde conheço os cantos à casa e não antecipo surpresas. Mas, ainda assim, me sabe tão bem!

Carmen não está a viver dias fáceis, perdeu o seu emprego e deixou de ter forma de se sustentar. Para complicar ainda mais a sua vida, a sua irmã Sofia aparenta ter uma vida de sonho, tornando inevitáveis as comparações dos pais... E será a irmã que lhe vai arranjar uma solução, ao propor-lhe reerguer uma livraria à beira da falência, já que o seu dono, embora amoroso, quer mais falar sobre livros do que vendê-los!

Obviamente que pelo meio teremos romance, com os devidos malentendidos, típicos deste tipo de livro. Carmen acaba por ser uma daquelas personagens de que inevitavelmente gostamos, porque não tem maldade, apenas inocência.

Jenny Colgan volta ao seu registo, com a cereja no topo do bolo de envolver uma livraria, o que torna qualquer livro logo mais especial, oferecendo aqui um romance bonito e quentinho.

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Opinião... Florbela Melhorado * O Escravo que se Tornou Fidalgo

 


“O Escravo que se Tornou Fidalgo”, logo à partida, o título desperta a curiosidade, pelo inusitado. Qual foi o escravo que chegou a fidalgo? Será real? Um trocadilho?

A verdade é que é real e João de Sá existiu e veio contrariar a norma. Nasceu escravo, e morreu fidalgo, cavaleiro da Ordem de Santiago. Ao longo deste livro, escrito pela mão de Florbela Melhorado, vamos conhecer todo o seu percurso, passando pelos principais acontecimentos da época que atravessa.

Tive a oportunidade de ouvir a autora, na apresentação ocorrida na Feira do Livro, e saber o que deu origem a este livro, tornou-o ainda mais interessante. Tudo partiu de um quadro, que se encontra na capa do livro, na parte superior, a vermelho. A autora detectou que havia neste quadro um cavaleiro negro, o que a intrigou. Partiu então em busca de quem era este homem, para descobrir que dava pela alcunha de Panasco, tinha sido escravo, e chegado a cavaleiro.

Toda esta obra resulta de uma pesquisa cuidada, que se percebe durante a leitura, rica em pormenores e detalhes. E é precisamente aqui que gostaria de ressalvar algo que gostei menos neste livro. As notas de rodapé, que são várias e algumas longas. Ao ler no seguimento da narrativa, provocaram-me uma quebra de ritmo de leitura que não apreciei. Tanto que, a dada altura, optei por ler cada capítulo seguido, para depois voltar atrás e ler as notas de rodapé.

Temos aqui um romance histórico bem construído, que intercala momentos diferentes do tempo, dando-lhe dinâmica e, um pormenor que gostei muito, a autora deu voz a João de Sá, em alguns capítulos, permitindo entrar na sua cabeça e conhecer as suas preocupações, alegrias e tristezas. Gostei muito desta característica, pouco comum neste género literário.

Para quem procura um livro com uma parte da História de Portugal, bem contado e documentado, com episódios pouco conhecidos, encontrará aqui uma boa leitura!

Opinião... Lara Fresco * Por Amor a Madalena"

 


Lara Fresco estreia-se como escritora neste “Por Amor A Madalena”. Nele, leva-nos a conhecer Madalena e Bernardo, um jovem casal que, como tantos outros começou a sua relação na escola secundária. E se nos reportarmos aos primeiros anos, tratou-se de uma relação normal, saudável e amorosa, ainda que se tenham notado os primeiros indícios de isolamento social.

Mas o Bernardo começou a sentir ciúmes desmedidos de Madalena, a qual só queria para si. Tudo se agravou quando ambos entraram na faculdade em Coimbra (eles são do Porto), o que os obrigou a mudar de cidade e a alargar o leque de amigos/conhecidos.

Madalena tem sede de viver a vida estudantil que aquela cidade oferece. Bernardo não deixa. E a partir daí tudo começa a ruir. Primeiro um empurrão, depois palavras agressivas, numa escalada de violência física e verbal…

Embora não seja um livro autobiográfico, a experiência pessoal da autora levou-a a escrever esta história. Acaba por ser um grito de alerta para os sinais, evidentes para quem observa de fora, não tanto para quem os vive! E, embora as consequências sejam variáveis, casos extremos fazem parte das tristes estatísticas nacionais.

Apenas por este facto, este livro já seria necessário e importante. Que muitos jovens leiam e percebam que o respeito dentro de uma relação é o pilar base. Sem ele não há relação, nem há amor. Não vale tudo, por amor!

O livro está escrito intercalando passado e presente. Gostei muito disso, já que não me permitiu nunca sentir empatia pelas atitudes deste casal. Sabia, desde o início, onde aquela linha ia parar. Caso contrário poderia ter caído na armadilha do “oh, que amorosos”.

Em termos de escrita, esta é simples e directa, com muitos diálogos, sem medo de chamar as coisas pelos nomes. Um livro real e directo. Apenas achei que por vezes poderia ter um vocabulário mais diversificado, mas trata-se de uma primeira obra e acredito que Lara Fresco tem ainda um longo e bonito caminho a percorrer!

Uma nota final para a presença marcante da cidade de Coimbra. Uma cidade que entrou na minha vida há poucos anos, mas onde me vou sentindo em casa. As inúmeras referências do livro à cidade e à cultura universitária tocaram-me particularmente.