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Opinião... Zidrou e Merveille * Amore

Zidrou faz magia com a novelas gráficas. Gosto muito da forma como conta uma história e tenho acompanhado o seu trabalho, traduzido para português.

"Amore" é o seu mais recente livro traduzido e faz-se acompanhar do ilustrador Merveille, que, na minha opinião, foge um pouco ao género de desenho de, por exemplo, Lafebre. 

Ainda que num registo completamente diferente, este desenho acaba por se adaptar muito bem à história, ou melhor, às histórias, que o livro conta. Todas elas com um tema em comum, o amor, ainda que abordado das mais variadas (e inesperadas) maneiras. E todas elas com um fio condutor invisível

que só se revelará no final.

Ainda que não seja o meu Zidrou preferido, foi uma leitura muito interessante, principalmente por esta vertente das diferentes abordagens ao amor e a surpresa reservada no final.

Opinião mais detalhada em vídeo:



Opinião... Misaki Yazuki e Hyaku Takara * O Meu Marido Dorme no Congelador

Comecemos pelo título: “O Meu Marido Dorme no Congelador”. Muito sugestivo, não? Para além de despertar logo a curiosidade, remete-nos para algo inesperado e, quem sabe, mórbido.

Pois bem, Nana é a protagonista deste mangá e percebemos de imediato que é vitima de violência doméstica. O seu marido agride-a e desrespeita-a desde sempre. Ainda que para os outros pareça o marido perfeito, já que vive sob uma camada de bem parecer, ele é tudo o que não se procura num companheiro. Nana chega ao seu limite e decide matá-lo, para o esconder de seguida num congelador dentro de um anexo da casa.

É com alívio e satisfação que Nana cumpre a sua missão, mas o que ela não espera são todos os acontecimentos que se seguem... Para descobrir quais são, é preciso ler esta história que, num dado momento, me pareceu ter escolhido o caminho mais fácil para a resolução da teia que criou em seu redor, mas que soube contornar muito bem a situação a partir daí, chegando a um final muito satisfatório.

Em termos gráficos, este mangá, a preto e branco, é bastante expressivo e adequado à narrativa que o acompanha. Tem ainda a grande vantagem de, em Portugal, ter sido editado como um livro único, composto pelos dois volumes, pelo que podemos ler a história completa de uma assentada.

Para quem, como eu, não é um fã entusiasta deste género, aqui fica a prova que há livros para todos os gostos. Não podemos remeter os mangás apenas ao seu estilo mais conhecido. “O Meu Marido Dorme no Congelador” será para todos aqueles que gostam de uma boa história de suspense, com pitadas de horror e muitos nervos à flor da pele! 


Opinião... Zidrou e Oriol * Naturezas Mortas


Fui enganada! Até ao momento em que escrevo esta opinião, acreditei piamente que Vidal Balaguer existiu! Um comentário nas redes sociais fez-me levantar a suspeita que poderia ser ficção e uma busca na internet não me esclareceu totalmente. Que teia bem urdida! Palmas para o brilhantismo de Zidrou!

“Naturezas Mortas” apresentou-me, então Vidal Balaguer, um pintor espanhol de quem se sabe a data de nascimento, mas não a de morte, sendo a sua vida revestida de uma certa aura de mistério que foi captada de forma brilhante por Zidrou e Oriol.

Através de um traço algo diferente, mas que me pareceu totalmente adequado ao tema, numa aproximação à pintura do próprio artista, vamos desbravando a sua vida e a peculiaridade por detrás daquilo que pinta.

O final é brilhante, a construção da narrativa igualmente, ao jeito do que Zidrou já nos habituou. É um livro que se lê e desfruta relativamente rápido, mas que depois fica a viver na cabeça do leitor, em background.

No final da história, temos um dossier que complementa a informação fornecida pelo desenho de Oriol e a escrita de Zidrou e que mais complementa esta ideia de que Vidal foi uma personalidade real.

Gostei muito deste livro, ainda que num género completamente diferente de outros “Zidrous” que li. A parceria com Oriol é uma aposta ganha e perfeita para contar esta história. Deixem-se enganar, garanto-vos que vale a pena!

Cyril Lieron e Benoit Dahan * Na Cabeça de Sherlock Homes


Confesso… a capa deste livro arrebatou-me! Nem precisei de o folhear para saber que o queria muito ler. Mas, ainda assim, folheei, e fiquei de imediato maravilhada com as ilustrações e as cores de “Na Cabeça de Sherlock Holmes”!

Restava-me ler e perceber se a história e a sua construção, faziam jus ao primeiro impacto que o livro me provocou. Será que é possível dizer que, não só fez jus, como ainda o superou?

Pois é, temos aqui tudo de bom! Uma história para os fãs de Arthur Conan Doyle, com o espírito livre e até presunçoso de Sherlock Holmes e a sagacidade de Mr. Watson. Uma recriação brilhante, quer no que se refere à adaptação, quer à forma como a mesma foi ilustrada.

Para já não falar sobre os pormenores, merecedores de um óscar para o melhor livro de banda desenhada do ano! Que maravilha é ler este livro. Um deleite para os olhos da primeira à última página, um piscar de olhos constante ao leitor, repleto de interação que me deixou sempre com um sorriso no rosto.

Há que ter muita atenção aos detalhes, porque é nos detalhes que este livro é vencedor! Tem ideias muito originais e muito bem conseguidas. Há ali uma pequena brincadeira com uma determinada linha, o fio condutor da história, que me elevaram o entusiasmo com esta leitura para lá do esperado!

Esta novela gráfica tem tudo o que se quer, uma boa história, muita inteligência na forma como é contada, ilustrações soberbas, com um nível de detalhe absurdo, o uso da cor totalmente adequado à época que retrata e um humor refinado. Em suma, uma novela gráfica que entra directamente para o top das minhas preferidas e que irei sugerir muitas vezes. Como agora. Leiam-na e desfrutem, por favor!