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Opinião... Jennette McCurdy * Ainda Bem Que a Minha Mãe Morreu

“Ainda Bem Que a Minha Mãe Morreu”, um título chocante, sem dúvida. Mas finda a leitura, e dentro do seu contexto, faz muito sentido.

Este é um livro de não ficção, que nos conta, pela voz e palavras da própria, a história de vida de Jennette McCurdy. Desde cedo, aos 8 anos, Jennette foi obrigada pela sua mãe a participar em castings para ser, primeiro figurante, e depois atriz. Esta foi sempre uma imposição da mãe que a usou como meio de subsistência (e talvez a tenha usado de outra forma, ainda que não fique claro da leitura do livro).

A mãe de Jennette era uma acumuladora, pelo que a casa onde esta criança nasceu e cresceu era tudo menos saudável, já que nem quarto tinha disponível porque estava cheio de tralhas… A acrescentar a tudo isto, aos 11 anos tornou-se anorética, muito incentivada pela mãe que a queria pequena e magrinha para continuar a fazer papéis de criança.

Toda a sua vida foi um sem fim de traumas, Jennette foi usada e abusada por todos a começar pela própria mãe. Após a sua morte, não sabendo como agir sozinha, torna-se bulímica, e a sua vida uma sucessão de más decisões que chega a ser atroz acompanhar…

Saber que estamos perante uma história verídica, que não será certamente única e que representa o outro lado do glamour da televisão e do estrelato é perturbador!

A escrita de Jennette é completamente desprovida de tabus, directa e crua, relata tudo o que foi o seu crescimento. Hoje com 32 anos, é escritora e realizadora, mas a sombra do seu passado irá acompanhá-la sempre.

Opinião mais detalhada em video: 



Opinião... Michiko Aoyama * Chocolate Quente às Quintas-Feiras

 


As light novels japonesas vieram para ficar. Têm sido inúmeros os livros editados recentemente, de autores do país do Sol Nascente e com características algo semelhantes. O mote e a mensagem, principalmente.

Gosto deste género literário e não podia deixar de ler “Chocolate Quente às Quintas-Feiras” que na minha opinião prima pela originalidade dos pormenores.

Começando pela divisão dos capítulos, cada um de sua cor, para compor uma palete de tons pastel no final. A forma subtil como a cor caracteriza cada um dos capítulos conquistou-me! Depois temos o fio condutor que une todo o livro. Cada capítulo é dedicado a uma personagem, que não terá ligação directa com outras do livro, mas que já apareceu algures no cenário. Adorei este pormenor e a forma como a história fecha este ciclo.

No que toca à mensagem, temi, nas duas primeiras histórias que fosse uma mensagem forçada em demasia, qual livro de auto-ajuda. Mas felizmente essa sensação desvaneceu-se e consegui apreciar o livro no seu todo.

Pequenino, de fácil leitura, aconchega e reconforta ao mesmo tempo que provoca um sorriso. Contém um pouco daquela leveza da escrita asiática, que mais parece que caminhamos sobre nuvens, tão agradável e surpreendente.

Opinião... Lisa Genova * O Meu Nome é Alice

Data Início: 15-06-2015 
Data Fim: 18-06-2015

AutorLisa Genova
Título: O Meu Nome é Alice
Editora: Lua de Papel
ISBN: 9789892330211
N. Páginas: 320

Sinopse:
O mundo de Alice é quase perfeito. É professora em Harvard, vive com o marido uma relação que resiste à passagem dos anos, às exigências da carreira, à partida dos filhos. E tem também uma mente brilhante, admirada por todos, uma mente que não falha…
Um dia porém, a meio de uma conferência, há uma palavra que lhe escapa. É só uma palavra, um brevíssimo lapso. Mas é também um sinal, o primeiro, de que o mundo de Alice começa a ruir. Seguem-se as idas ao médico, as perguntas, os exames e, por fim, a certeza de um diagnóstico terrível. Aos poucos, quase sem dar por isso, Alice vê a vida a fugir-lhe das mãos. Ama o marido intensamente, ama os filhos, e todos eles estão ali, à sua volta. Ela é que já não está, é ela que se afasta, suavemente embalada pelo esquecimento, levada pela doença de Alzheimer. 
"O Meu Nome é Alice" é a narrativa trágica, dolorosa, de uma descida ao abismo. É o retrato de uma mulher indomável, em luta contra as traições da mente, tenazmente agarrada à ideia de si mesma, à memória da sua vida, à memória de um amor imenso.

Comentário:
Fantástica, é a palavra que melhor descreve esta leitura! Um livro que nos fala de uma doença que apenas associamos a pessoas idosas, mas que pode afectar pessoas mais novas, a Doença de Alzheimer precoce. 

É-nos contado na primeira pessoa, por Alice, uma professora doutora universitária, com uma mente brilhante e com uma vida profissional de topo e de sucesso. As palestras sucedem-se e chegou mesmo a escrever um livro cientifico juntamente com o seu marido John. Pais de 3 filhos já crescidos, com uma vida estável e totalmente dedicada ao trabalho, estavam longe de pensar que esta doença silenciosa iria mudar radicalmente o seu dia a dia.

Alice começa a ter algumas falhas de memória que atribui a uma possível menopausa, mas à medida que estas falhas se vão intensificando Alice não consegue ignorar mais a situação e recorre à sua médica assistente. Quando a verdade lhe é revelada, Alice é incapaz de acreditar nessa possibilidade e ainda menos na possibilidade dos seus três filhos poderem padecer do mesmo mal.

E a partir daqui vamos acompanhando Alice, no seu declínio inevitável e constante. Assistimos à sua luta para criar mecanismos de defesa e alternativos para se ir lembrando das coisas, à recusa em se tornar totalmente dependente de terceiros.

É um livro que impressiona, porque embora se trate de um livro de ficção, a doença existe de facto e afecta muitas pessoas. Trata-se da perda de todas as faculdades de forma progressiva e sem recuperação possível. É doloroso para quem a vive e para quem está próximo. O papel de John, o seu marido, tem momentos em que revolta, mas pensando bem, John criou também ele uma defesa para se proteger da dor de assistir ao declinio total da sua amada e inteligente esposa.

Gostei muito da escrita da autora, que se colocou no papel de Alice e nos relata os acontecimentos de forma muito clara e muito perturbadora. É intenso e triste, mas é uma excelente leitura!

Classificação: 9,5/10