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Opinião... Lucinda Riley * Beleza Oculta

Lucinda Riley escrevia romances bonitos. Infelizmente, a autora partiu demasiado cedo, pelo que nos resta a nós, leitores, usufruir de cada um dos seus romances, saboreando-o devagarinho.

Foi o que fiz com Beleza Oculta. E numa fase pessoal menos boa no que toca a leituras, terá sido a escolha acertada. Porque os livros de Lucinda Riley oferecem um quentinho sem pedir muito em troca.

Neste livro vamos acompanhar Leah, uma menina proveniente de uma família cheia de amor, mas com necessidades, o que a obriga, desde cedo, a ajudar a mãe na casa de uma família abastada. É lá que vai conhecer um jovem que a encanta, sobrinho da dona da casa, ele sim, altamente rico já que o seu pai tem um verdadeiro império. O amor destes dois jovens vai ser contrariado por conta das diferenças sociais e de vários equívocos. 

O tempo passa e Leah tem a oportunidade de se tornar numa modelo famosa. Ainda que a sua vida tenha levado uma volta de 180 graus, ela não esquece a família nem o amor. Por isso gostei tanto desta personagem, simples, humilde e com o foco certo, mesmo quando a vida a presenteou com uma realidade tão distinta da sua vida inicial.

Gostei desta leitura, mas, na minha opinião, fica um pouco aquém de outros livros da autora que tanto gostei. Sinto que lhe faltou algum elemento diferenciador. Tem todos os ingredientes certos para um bom romance e é, mas não é diferente de tantos outros...

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Opinião... Ana Teresa Pereira * Inverness

Inverness escolheu-me. Numa daquelas iniciativas pós pandemia de blind date with a book, foi o livro que me calhou em sorte. Confesso que nunca tinha ouvido falar dele e, talvez por isso, ficou nas estantes... 

Agora que me defronto com uma dificuldade de concentração inédita, procurei distraidamente pelos livros por ler algum que me chamasse a atenção. Foi Inverness! E em boa hora aconteceu, já que se revelou uma pequena, mas rica leitura, que me absorveu e soube tão bem!

A primeiro coisa que me surpreendeu e arrebatou foi a escrita. Ainda que simples, é bonita e muito cativante, prendeu-me logo às primeiras páginas. E Ana Teresa Pereira tem uma capacidade rara de dizer muito com poucas palavras. O livro tem poucas páginas mas eu sinto que conheci Kate e as restantes personagens muito bem, como se de um calhamaço se tratasse. Aprecio muito esta característica.

A história desenrola-se em torno de Kate, uma jovem atriz de teatro que, vendo a peça presente em vias de terminar, sente alguma apreensão quanto ao seu futuro. A dado dia um homem aborda-a de uma forma diferente de todos os outros admiradores. Esta abordagem acaba por despertar a curiosidade de Kate quanto às intenções. E, de facto, havia segundas intenções...

Não vou revelar mais porque é a partir daqui que a história entra num crescendo que obriga o leitor a não pousar o livro.

Não tenho a certeza de ter compreendido totalmente o final do livro, mas sei que foi uma leitura que me arredou dos pensamentos e distrações. E soube-me mesmo bem!

Não conhecia Ana Teresa Pereira, mas os seus outros livros já entraram na minha wishlist!

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Opinião... Naomi Williams * A Mulher da Ala 9

Um thriller diferente e bem desenhado? Temos! Que bom! Já sentia falta de algo assim!

A acção decorre num hospital psiquiátrico muito sinistro! Tudo é esquisito aqui, o local em si, as pessoas, os acontecimentos...

Emma é psicóloga e foi contratada para ajudar Laura a recuperar as suas memórias, depois de ter sido encontrada inanimada, coberta de sangue e sem se lembrar de nada do que aconteceu. Para isso tem 6 dias, mas os acontecimentos sucedem-se galopantes, dando-lhe uma sensação de impotência e desnorteio que passa para o leitor.

E não avanço com mais nada sobre a história porque o interessante é descobrir. Gostei bastante da escrita da autora, do ambiente que conseguiu recriar, com um propósito. E ainda que tenha idealizado o rumo dos acontecimentos, ainda fui surpreendida por um plot twist no final.

Se procuram uma leitura viciante e, a dada altura, impossível de largar, este é um bom livro para isso. Enervante também, atenção, dada a inércia de determinadas personagens, mas até isso contribuiu para ter gostado desta leitura, já diz o ditado, quem não sente não é filho de boa gente!

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Opinião... Jonathan Evison * É a Tua Vida, Harrret Chance!

Harriet Chance entra directamente para o lote de personagens idosas memoráveis. 

Jonathan Evison oferece-nos uma história muito bem construída, com um narrador muito peculiar. Ele fala directamente com a personagem, e ora dá conselhos ora ralha! É delicioso de acompanhar,

Harriet Chance tem 78 anos e perdeu o marido há pouco tempo. A acostumar-se a uma nova realidade, recebe uma chamada a dizer que foi vencedora de uma viagem de cruzeiro, que o seu marido tinha concorrido. Sentindo ser um sinal, Harriet decide ir, ainda que um tanto contrariada...

A viagem será também uma viagem interior, um entender de sentimentos e situações. Nós leitores, vamos fazer vários saltos temporais, conduzidos pelo narrador, para conhecer Harriet desde que nasceu e compor toda esta história.

Gosto particularmente destes vai e vem no tempo, que permitem desbravar a personagem e a ideia do narrador achei muito bem conseguida. 

Apesar de algum humor que se encontra nestas páginas, há temas fortes a ser abordados nas entrelinhas que me deixaram a pensar e que me fizeram gostar muito desta leitura.

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Opinião... Stephen King * Running Man - O Jogo de Sobrevivência

É inegável a qualidade da escrita de Stephen King. Como é que, em 1982, teve a capacidade de antevisão e escreveu uma história como esta?

Falo de "Running Man" um livro distópico, que nos retrata uma sociedade imaginada onde há claramente uma separação entre dois grupos. Os muito ricos e os muito pobres. Estes últimos, faltando-lhes trabalho e dinheiro para sobreviver, ficam sujeitos a participar nos jogos que os muito ricos idealizaram, como forma de entretenimento. A questão que se coloca é que estes jogos são de sobrevivência, acabando invariavelmente de uma maneira, já que quem manda manipula todos os acontecimentos a seu belo prazer...

Com o que não contavam era com Benjamin Richard (Ben), um homem que segue este rumo para salvar a filha bebé de uma pneumonia, e portanto, disposto a tudo.

Ben será convocado para o mais terrível dos jogos, aquele onde tem que sobreviver 30 dias pela cidade, podendo ser identificado e apanhado por qualquer cidadão, que tem uma contrapartida monetária se o identificar e outra, ainda maior, se o matar.

Começa então a caça ao homem. Mas Ben não é um homem qualquer. Vamos acompanhá-lo ao longo destes dias, às suas estratégias, ao seu desespero.

É um livro impressionante e viciante. Desde que o jogo começa, a acção é frenética e é praticamente impossível de pousar o livro. Stephen King mostra aqui, uma vez mais, porque é considerado um mestre. Que livraço! Adorei!

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Opinião... Lupano e Panaccione * Um Oceano de Amor

Pode uma novela gráfica sem palavras ser fantástica? Pode! "Um Oceano de Amor" é a prova. Um livro só de ilustrações que conta uma história de amor diferente, mas tão bonita! E reveste de sentido a máxima:  uma imagem vale mais que mil palavras!

Temos aqui um casal, diriamos, pouco convencional. Ele é pescador e começa mais um dia de labor igual a tantos outros. No entanto, o desfecho do dia será muito diferente, levando-o para outras paragens... A sua mulher, no auge da preocupação porque não o vê regressar, começa, também ela uma odisseia para o reencontro.

É uma ternura! Estas duas personagens são muito engraçadas, cada uma à sua maneira e mostram ao leitor o poder do amor, mesmo a um oceano de distância.

As ilustrações são sublimes. As expressões das personagens (vou ficar para sempre na memória com os olhos arregalados pelas lentes dos óculos de Monsieur!), os tons mais obscuros, o traço cativante. É tudo bom neste livro! Recomendo-o muito!

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Opinião... B. A. Paris * A Hóspede

B. A. Paris já me proporcionou boas horas de leitura, com thrillers viciantes e bem construídos. Este "A Hóspede" ainda que me tenha prendido a atenção, não me encheu as medidas e nem sei explicar concretamente porquê... Julgo que me faltou um factor surpresa diferente, ainda que não tenha antevisto o desfecho.

Íris e Gabriel são um casal a passar por algumas dificuldades, devido a acontecimentos trágicos que assolaram Gabriel. Numa tentativa de espairecer, decidem fazer uma viagem e, quando regressam, têm uma hóspede inesperada em casa. Laure é uma amiga que conheceram na lua de mel, junto com o seu marido, e a amizade foi sendo fortalecida ao longo dos anos, ao ponto de terem chaves da casa um dos outros.

Agora Laure está a enfrentar uma crise conjugal e refugiou-se aqui, mas, de repente, deixou de ser um pedido de ajuda, para ser uma hóspede pouco temporária e muito incómoda. Algumas situações anómalas vêem ainda revestir a situação de uma carga dificil de digerir para este casal.

Como referi no início, ainda que tenha lido com interesse, não consigo ficar entusiasmada com o todo. Achei tudo coerente, mas faltou-me algo, a que esta autora já me habituou em livros anteriores. É pena...

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Opinião... Bea Lema * Corpo de Cristo

Descobri este livro no Festival de Banda Desenhada da Amadora deste ano, uma vez que era um dos livros representados nas exposições. E foi, sem dúvida, uma mais valia, antes da sua leitura. Porquê? Porque o livro tem várias páginas cujo desenho foi bordado, e embora sejam belíssimos, não transmitem tudo o que na verdade a obra é. Os originais estavam expostos e eram magníficos (alías, foi a minha exposição preferida deste ano!).

Bea Lema recorreu a esta arte para contar uma história pesada, relacionada com saúde mental da sua própria mãe. Ela viveu num ambiente diferente desde cedo, com as inúmeras crises que a mãe viveu e, ela, obviamente também. Recorrendo a inúmeras entidades (até exorcismos!), de tudo fizeram para que melhorasse, sem grandes sucessos.

É este dia a dia que vamos encontrar retratado nesta novela gráfica que se pauta pela originalidade na forma de desenhar. O traço é bastante simples, quando desenhado, mas tem a capacidade de transmitir todas as emoções pretendidas.

Gostei muito da história, da abordagem (sem dramatismos), do uso dos bordados (também eles diferenciados, consoante o momento da narrativa que representam) e das cores. Uma novela gráfica marcante!

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Opinião... Tatiana Salem Levy * Vista Chinesa

Tive a oportunidade de ouvir Tatiana Salem Levy falar na Feira do Livro de Coimbra, e fiquei muito interessada nos seus livros. Na altura o primeiro na lista dos que quero ler, seria "A Chave de Casa" pela temática, mas depois de ouvir Tânia Ganho sugerir a leitura deste "Vista Chinesa" acabei por o ler primeiro.

Um livro muito duro, sem dúvida, mas que trata um tema pesado de forma respeitosa, colocando aqui várias questões muito pertinentes. O tema central é uma violação de que a protagonista é alvo logo no início do livro. Segue-se todo o peso que esta tragédia acarreta para a vida dela, incluíndo as dúvidas na hora de identificar o criminoso, já que foi vivido num momento de desespero, que poderá levar a alguma falta de discernimento.

São estes os dois pontos fulcrais abordados neste livro, a violação que esta mulher sofre e o peso da responsabilidade que se segue.

A autora viveu esta situação de perto, porque terá acontecido a uma amiga próxima que quis que os acontecimentos fossem relatados em livro. Ao pesquisar sobre o assunto, Tatiana encontrou inúmeras referências a pessoas presas, mas inocentes. Tentou então explorar as duas temáticas, que resultaram num livro extremamente interessante e bem escrito.

Um senão, para mim, prende-se apenas com o português do Brasil. Por motivos óbvios não houve tradução. Compreendo, mas acaba por me perturbar um pouco a leitura. Algo que preciso de ultrapassar e que em nada tira valor ao livro!

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Opinião... Alix Garin * Impenetrável

Este livro é um soco no estômago do leitor pela honestidade e frontalidade com que foi escrito. É, sem dúvida, um livro muito pessoal e, como tal, muito corajoso, que nos fala de um tema de saúde que afectou a vida da autora, o vaginismo.

Alix Garin tem um traço muito peculiar, que assenta na perfeição nesta narrativa. Embora os linhas sejam simples, tem tudo o que a história precisa para a tornar impactante.

Existem inúmeras páginas desta novela gráfica que contrariam a lógica tradicional do quadradinho e que são deliciosas de se explorar. Adorei também a escolha das cores, que completaram o desenho em tudo o que era necessário.

Quanto à narrativa, a autora sofreu desta doença, provavelmente provocada por traumas passados, mas permite-nos percorrer este caminho de descoberta com ela, de forma muito honesta. Ela fala-nos das inúmeras especialidades a que recorreu até ao diagnóstico, das fases de terapia, da relação com o namorado, muitas vezes posta à prova, dos seus desejos e vontades.

Gostei muito deste livro, e sinto que poderá ser um livro importante para quem tenha histórias semelhantes e quem sabe, de alguma forma, um apoio e um guia.

Uma nota final para as referências ao livro anterior da autora "Não me Esqueças", que eu tanto gostei e que adorei ver aqui novamente.

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Opinião... Evie Woods * A Misteriosa Padaria na Rue de Paris

Começo pelo fim, dizendo que gosto muito da escrita de Evie Woods. Depois de "A Livraria Perdida" que me deliciou, chegou a vez deste "A Misteriosa Padaria na Rue de Paris". Que continua a ter todos os ingredientes que me deliciam: boas personagens, uma história bonita e moralmente positiva e um toque de magia na quantidade perfeita.

Edith passou a sua vida com a mãe doente. Desde nova que tem consciência que a doença da mãe a irá levar cedo da sua vida, pelo que toma a decisão de estar sempre com ela, enquanto pode.

Agora que a mãe faleceu, Edith sente que precisa de ganhar asas e voar. Para tal acaba por aceitar um emprego em França, na Rue de Paris, tudo o que sempre sonhou. Viajar da Irlanda para França e cumprir um sonho.

O que ela não esperava é que a Rue de Paris não ficasse em Paris, e que a patroa fosse uma pessoa muito pouco afável... Mas Edith é resiliente e a sua persistência trarão frutos!

É um romance muito bonito, que me deliciou ler. Edith é uma personagem cativante, bonita por dentro e que queremos muito que termine bem. Toda a história em redor desta padaria é igualmente interessante e a conclusão da história, ainda que não tenha sido inesperada, foi a certa para deixar o leitor saciado.

Evie Wood é uma autora que irei certamente continuar a acompanhar. Gosto muito do estilo dela!

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Opinião... Deidra Duncan * Doentes de Amor

Chamada para os fãs de Anatomia de Grey! Aqui está um romance fofinho, com dois jovens simpáticos e amorosos, que são, nada mais nada menos, que internos de um hospital na especialidade de obstetrícia.

Um ponto fundamental neste tipo de romances é termos duas personagens que, ao primeiro impacto, se odeiam, para depois, progressivamente irem percebendo que nem sempre as primeiras impressões são as mais acertadas.

Foi o caso de Saphire Grace e de Julian, uma antipatia quase visceral, que foi dando lugar a uma interajuda bonita. Isto porque, graças ao seu nome, Grace foi alvo de rumores ainda antes de ter entrado no hospital, que lhe abalaram em muito a confiança e as possibilidades de progressão. Julian acabou por se revelar um colega incrível, apoiando-a e defendendo-a e é fácil perceber para onde segue a história...

É um romance fofo, com personagens de quem gostamos de gostar, que proporciona bons momentos de descontração. Um livro que me soube muito bem ler, numa altura em que o cérebro estava mais cansado!

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Opinião... Thrity Umrigar * O Canto dos Corações Rebeldes

Que história esta... Ser mulher e ler a história de vida de Meena e de Smita impressiona e incomoda.

Toda a narrativa parte de uma notícia no jornal, de um homem que terá morrido queimado na Índia. A sua mulher sofreu graves ferimentos ao tentar salvá-lo, e esta mulher é Meena. Os causadores deste crime foram os irmãos de Meena e a razão foi única e exclusivamente porque Meena, muçulmana, ousou casar com um homem hindu.

Na opinião dos irmãos, Meena estaria a ir contra as raízes da sua cultura, ao misturar estas duas religiões e tudo culminou na perda de vida do marido e na destruição da vida da própria Meena.

Smita é jornalista e retorna à Índia a pedido de uma grande amiga que estava a fazer a cobertura deste caso, quando sofreu um grave acidente que a levou ao hospital por tempo indeterminado. Smita nasceu na Índia, mas a vida encaminhou-a para os EUA, com a sua família. Só um motivo muito forte a faria retornar e enfrentar todos os fantasmas do seu passado.

Vamos então acompanhar as duas histórias em simultâneo. Por um lado conhecer o nascimento da relação bonita de Meena e tudo o que se sucedeu, acompanhando também o julgamento e, por outro lado, vamos conhecer a história de Smita, igualmente impactante.

Este livro está muito bem escrito, num balanço equilibrado entre a devida importância dos acontecimentos, mas sem demasiado alarido. Com um testemunho de amor e outro de ódio que infelizmente conseguiu sair vitorioso...

Senti nas entranhas o quanto ser mulher vale de nada na Índia, mesmo nos dias de hoje. É realmente chocante e histórias destas nunca são demais, para que se saiba e seja possível evoluir. Infelizmente ainda estamos muito longe de uma realidade equilibrada por todo o planeta.

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Opinião... Sophie Kinsella * Como É Sentir Isto

 Que murro no estômago! Aviso desde já que este livro é pequeno, mas nada tem de leve!

Mais ainda sabendo que, embora seja um livro de ficção, tem por base a vida da própria autora, que sofreu um enorme revés no seu caminho, no dia em que descobriu um tumor no cérebro e que soube que a esperança média de vida é reduzida.

Face a este diagnóstico, o mais expectável é baixar os braços e chorar. Mas Sophie Kinsella deve ser uma força da natureza e isso reflecte-se quer na sua escrita, como na sua vida. Dois anos depois e contra as expectativas, continua a sua vida e até escreveu este livro. É impressionante!

Nesta história iremos conhecer Eve, uma mulher que se torna escritora e que alcança um sucesso inesperado, sentindo-se de bem com a vida, feliz nas suas várias vertentes, quer familiares (casada com cinco filhos), quer profissional. 

Até ao dia... em que acorda numa cama de hospital, sem saber quem é ou o que lhe aconteceu... Neste livro iremos acompanhar todo o processo de recuperação, com uma mensagem de esperança absolutamente fantástica!

Realmente a postura do ser humano face à adversidade é metade do caminho para a sua resolução!

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Opinião... Dorothy Koomson * Ele é Meu

Dorothy Koomson é um contadora de histórias, sejam elas românticas ou de acção. E isso é o que eu mais aprecio nela, a forma como cria as suas personagens, como lhes dá vida e camadas!

"Ele é Meu" é o seu último livro e oferece-nos a história de duas personagens em paralelo: por uma lado temos a Robin, a mulher que todos procuram depois de ter cometido vários crimes. O mote? O seu passado, todas estas pessoas assassinadas estiveram, de alguma forma, ligadas ao seu passado que foi tudo menos simples. 

Os investigadores sabem as razões e sabem também quem Robin procura, quando deixa um bilhete em cada corpo a dizer "Ele é Meu", mas não a conseguem encontrar. Por isso recorrem à Dra. Kez, uma psicologa especialista em comportamento humano. Mas Kez, pretende ajudar Robin e salvá-la da desgraça e do vazio que a espera se conseguir concretizar os seus intentos, entrando também ela em confronto com os investigadores.

Temos aqui uma teia bem urdida, com duas mulheres fortes, cada uma à sua maneira, que me proporcionou bons momentos de leitura e ainda me reservou uma surpresa no final.

A escrita de Dorothy Koomson é muito apelativa, sempre que entro nos seus enredos, sinto-me de imediato sugada para a história e adoro essa sensação!

Ainda assim, continuo a gostar um bocadinho mais dos seus romances do que dos seus thrillers e, confesso, já tenho saudades deles...

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Opinião... Tânia Silva Borges * Metades de Mim

Tânia Silva Borges é uma nova autora portuguesa. A primeira coisa que me chamou a atenção no seu livro foi a qualidade da escrita. Madura e cuidada, não parece um primeiro livro...

Fiquei agradavelmente surpreendida desde a primeira página, que me cativou para as personagens e para a sua narrativa.

Aqui iremos conhecer Marta, uma mulher como tantas outras, que vive actualmente um divórcio. Um evento tão impactante coloca tudo em causa, as opções actuais e as passadas. E é isso que Marta faz constantemente. Mas não é só a relação agora terminada que a incomoda, ela vai mais atrás na sua vida e coloca em causa todas as suas escolhas.

Os eternos "e ses" da vida. Sempre que tomamos uma decisão, com ela vem a dúvida do que teria sido o percurso caso a escolha recaísse noutra opção. 

Para a ajudar a desembrulhar o cérebro, Marta conta sempre com Raquel, aquela amiga meio louca, que nunca falha e que a conhece como ninguém, tocando na ferida quando é preciso, mas sempre atenta aos sinais e pronta para ajudar (adorei esta personagem!).

Temos aqui um livro sobre escolhas, sobre reflexões e sobre o peso das decisões.

Na minha opinião o livro tem apenas um ponto que quebrou um pouco o ritmo de leitura. A Marta recorda regularmente o passado (quem não?), no entanto, a opção que a autora escolheu para estas viagens ao passado foram sempre utilizando o mesmo registo. A Marta chega a um local ou depara-se com determinada situação e relembra algo. Na verdade é assim que nos acontece, associamos locais e situações a memórias passadas, mas em termos de literatura, senti que havia aqui uma repetição do recurso que acabei por achar um pouco cansativo. 

Nada que tire qualidade à história e à escrita de que gostei muito. Espero sinceramente que seja o primeiro de muitos livros da autora! Cá estarei para os ler!

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Opinião... Samantha Hayes "A Mãe da Noiva"

Lizzie e Owen são os protagonistas deste livro. Mas quem dá título ao livro é Sylvia, a mãe de Lizzie, uma mulher controladora, que de forma subtil (ou não), tenta que tudo seja feito à sua maneira. Para agravar ainda mais a situação, Lizzie desconfia que a morte do noivo da sua irmã, no dia do próprio casamento, não foi obra do acaso...

Por isso mesmo, faz de tudo para manter a mãe afastada da sua vida, no entanto, as circunstâncias acabam por quase obrigá-la a ir para junto dela. E para agravar ainda mais a situação, Owen, que desconhece os antecedentes, parece encantado com Sylvia, fomentando a temível aproximação...

Esta é a premissa deste thriller, Lizzie quer manter a mãe longe da sua vida, já que acha que ela poderá fazer mal a Owen. As razões para tal, iremos descobrir ao longo da leitura...

Depois de ter gostado bastante do "A Governanta", que conseguiu apanhar-me de surpresa, este "A Mãe da Noiva" tornou-se bastante previsível quase desde início, o que me tirou parte do entusiasmo com a leitura. É um livro que se lê muito bem, e que, no seu género, está bem escrito, mas, na minha opinião, uma informação foi entregue cedo demais, deveria ter ficado reservada para mais tarde.

Literalmente no final, o livro ainda nos reserva uma pequena surpresa, contudo não foi suficiente para compensar o pouco impacto das revelações anteriores.

De qualquer forma, Samantha Hayes é uma autora que pretende continuar a acompanhar, porque gosto bastante das personagens que cria e dos enredos em que as envolve.

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Opinião... Bonnie Garmus * Lições de Química

Como resistir a esta capa? Adoro a forma viva como chama a atenção! Mas nem só de uma capa vive um livro e este provou que o conteúdo pode acompanhar o entusiasmo inicial, porque a verdade é que gostei muito desta leitura.

Elizabeth é a personagem principal e que personagem! Numa época em que o lugar das mulheres estava circunscrito ao cuidado do lar, Elizabeth ousou ser química no meio de homens. Obviamente que teve de travar duras batalhas, muitas delas perdidas.

Os anos passam e voltamos a encontrá-la, desta feita mãe de uma menina e a enfrentar um dilema, já que a convidaram para fazer um programa televisivo, mas de culinária, porque a fama precede-a de que ela aplica a química na cozinha com resultados surpreendentes. No entanto, ela sente quase como um insulto fazer este programa, quando o que quer é falar de química… Mas a necessidade de sustento da sua filha assim a obriga.

É este caminho que vamos acompanhar, juntamente com viagens ao passado para descobrir o que aconteceu e a trouxe a esta situação.

Gostei muito da forma como este livro está escrito e da força que a autora conseguiu incutir a esta personagem, tão rica e tão à frente do seu tempo. A estrutura da narrativa também contribuiu para o entusiasmo porque tanto o passado como o presente são igualmente interessantes e com uma mensagem muito importante!

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Opinião... Fredrik Backman * Os Meus Amigos

O que eu gosto de Fredrik Backman! Este autor nunca me falha, é incrível… E sempre que pego num novo livro para ler, relembro o quanto gosto da sua escrita única, o quanto me transmite conforto e deleite.

“Os Meus Amigos” é uma ode à amizade. Uma história difícil, que desde início percebemos que não correu bem, mas que queremos muito descobrir.

Na actualidade, Louisa, uma rapariga órfã e sem abrigo, infiltra-se numa exposição de arte, porque precisa de ver ao vivo uma determinada obra. As razões desta necessidade são muito mais profundas que um capricho e o destino terá querido recompensar Louisa, oferecendo-lhe um encontro com o artista que pintou o dito quadro, de uma forma muito inesperada…

É daqui que esta história se desenvolve, e nos permite conhecer este artista e os seus amigos. O que cada um representou para o outro e de que forma esta amizade os definiu como pessoas.

Que grande história, tão bem contada. Que livro bonito este. Não consigo comparar o estilo de escrita de Fredrik Backman a mais nenhum escritor, pelo seu sentido de humor, pela forma como brinca com as palavras, como constrói cada frase de forma intencional e cativante. A quem ainda não o leu, fica aqui a minha recomendação!

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Opinião... Rita da Nova * As Coisas Que Faltam

Esta é a terceira viagem que faço com Rita da Nova, ainda que tenha sido o primeiro livro que a autora publicou. E veio reforçar a minha opinião sobre a sua escrita, a Rita sabe contar uma história, de forma cativante e com impacto imediato.

Em “As Coisas Que Faltam” apresenta-nos Ana Luís, uma jovem mulher marcada pela vida. Desde sempre viveu com a mãe, que nunca lhe deixou faltar nada, mas que, no entanto, nunca lhe deu carinho. Não conhece o pai e, cada vez que perguntou por ele, a conversa foi de imediato interrompida. Há ainda o padrasto Fernando, que sempre a tratou bem, mas que nunca conseguiu substituir a ausência paterna.

Ao longo da narrativa, que se vai desenrolando em momentos diferentes da vida de Ana Luís, vamos percebendo quem é esta mãe, bem como o quanto a vida a moldou a ser o que é. No fundo, percebemos o que é esta forma de amor baseada no sofrimento, que acaba por se repetir em movimentos cíclicos.

Trata-se de uma história sofrida, bastante dura, contada com uma delicadeza bonita, sem entrar em sentimentalismos. Ana Luís é alguém com quem é fácil o leitor se identificar, já que vive tudo à flor da pele, os sentimentos são claros e genuínos, o que me fez gostar muito dela.

Rita da Nova é, sem dúvida, uma autora que vou continuar a acompanhar, com livros de temáticas tão diferentes, mas todos eles tão bem escritos e cativantes.

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