Mostrar mensagens com a etiqueta 99. Editora Manuscrito. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 99. Editora Manuscrito. Mostrar todas as mensagens

Opinião... Diogo Costa e Rafael Felizardo * Filha da Minha Mãe

Emília vive sufocada! Sufocada por uma mãe que não sabe querer-lhe bem, que a asfixia.

Os seus pais divorciaram-se quando ela era pequena e ficou sempre a viver com a mãe. Antes disso, Emília assistiu a algo que perturbou a sua relação com o pai, que apenas foi sendo reconstruída devagarinho anos mais tarde. A sua vontade de fazer o caminho de Santiago foi um dos elos que os voltaram a ligar.

Agora o seu pai faleceu e Emília, sente mais do que nunca, que precisa de fazer o caminho que tanto planearam juntos. Mas tem na sua mãe a barreira de sempre...

Diogo Costa e Rafael Felizardo contam-nos uma história dura, desenvolvendo a vida de Emília, com tudo o que ela conteve. Gostei particularmente que, apesar de tudo, Emília reserva uma perspectiva de vida positiva e tenta sempre compreender a mãe, até ao limite!

O livro lê-se muito rapidamente, porque a escrita é fluída e os acontecimentos sucedem-se. Foi uma boa estreia com estes autores. Apesar do final me ter deixado com algumas questões, ficarei de olho em próximas obras.

Opinião mais detalhada em vídeo:



Opinião... Rita da Nova * Apesar do Sangue

Para quem procura um romance bem construído, sobre personagens, cada uma delas brilhantemente desenvolvida, com espaço para crescer e apresentar os seus argumentos, criando uma narrativa cativante e viciante, “Apesar do Sangue” é o livro certo.

Adorei cada página deste livro e adoro assistir à evolução na escrita de Rita da Nova.

Aqui oferece-nos a história de uma família, composta pela avó Glória, a sua filha Helena e o neto Pedro. Temos ainda o pai de Pedro, David, muito pouco presente e Eduardo, um padrasto exemplar.

É em torno destas personagens que vamos conhecer o que se passa no seio desta família e como o passado as toldou. Não quero falar muito mais sobre a história, porque parte do encanto está na descoberta, digo apenas que temos aqui um livro sobre relações humanas. Sobre acções e atitudes que trazem consequências, algumas aparentemente condenáveis, mas todas, quando vistas da perspectiva de quem as vive, justificáveis.

O drama de Glória, uma avó/mãe, que se vê confrontada com uma situação limite para a qual precisa de encontrar rapidamente uma resposta é muito viva, sente-se esta sua dor.

Rita da Nova é, sem dúvida, uma autora que quero muito continuar a acompanhar!

Opinião mais detalhada em video:



Opinião... Sara Marinho * Quando o Sol Aparecer"

“Quando o Sol Aparecer” representou a minha estreia com a escritora Sara Marinho.

Começo por referir que fui à apresentação do livro, de que gostei muito, e que me deixou sensibilizada para a importância de livros como este. Isto porque, no momento de perguntas do público presente, alguém (que não conheço) fez uma intervenção muito emocionada. Fez-me entender o quanto um livro pode ser um amigo, uma ajuda, um exemplo.

E foi com esta ideia em mente que iniciei a leitura. Confesso que achei o início um pouco simples demais, mas a personagem principal, a Melissa, acabou por ganhar o seu espaço e transmitir uma história sobre duas perspectivas: a de quem foi vítima de uma relação violenta, mas também de quem conseguiu superar e voltar a ser feliz.

Por tudo o que referi antes, julgo que este tipo de livros tem uma missão muito importante, muito para além de contar uma história, de nos ensinar algo ou entreter. E diria até, muito para além da qualidade da escrita que não precisa de ser exímia para ser eficaz. Este é um daqueles livros que sei que recomendarei a jovens a passar pela mesma situação, porque a Melissa é uma personagem com quem é muito fácil criar empatia e, como tal, ser uma ajuda involuntária.

Senti que a leitura foi num crescendo de riqueza e qualidade que me acabou por cativar também. Afinal o sol acaba sempre por aparecer…

Opinião mais detalhada em video:



Opinião... Lénia Rufino * Silêncio no Coração dos Pássaros

Depois de “O Lugar das Árvores Tristes” aguardava com ansiedade o novo livro de Lénia Rufino! “Silêncio no Coração dos Pássaros” veio, finalmente, preencher esta necessidade de voltar a ler esta autora.

Posso dizer, desde já, que gostei muito desta leitura. Ainda que a escrita esteja mais madura, voltei a encontrar a Lénia nestas páginas. A forma como escreve e que tanto me encantou no livro anterior, volta a estar presente, trazendo-nos uma história completamente diferente.

Aqui temos Laura e Álvaro, um casal com uma longa relação que vamos conhecer no momento em que este casamento termina. Ao longo do livro vamos perceber o que os levou a este momento, porque as situações não acontecem por isto ou por aquilo, mas antes pelo acumular de muitas coisas…

Gostei particularmente da forma como cada personagem é real, com defeitos e virtudes, mas sem estereótipos. Não há aqui ninguém para servir de alvo à nossa revolta face à situação. Quer Laura, quer Álvaro são duas pessoas acima de tudo francas uma com a outra (apesar de um acontecimento…) e que são amigos suficientes para se tentarem ajudar no meio da sua tempestade.

Existem apenas dois apontamentos que não posso deixar de fazer, que se prendem com a forma. O uso recorrente dos parênteses que me incomodaram um pouco e a repetição da palavra silêncio no início do livro. Contudo, nenhum destes dois pontos estragou a minha leitura, que foi, de facto, muito agradável e interessante. E que deixa o leitor a reflectir no final da narrativa!

Opinião mais detalhada em video:



Opinião... Rita da Nova * Quando os Rios Se Cruzam

Estreei-me com Rita da Nova com este seu último livro “Quando os Rios se Cruzam” e foi uma excelente estreia!

Itália é um país a que associo, de imediato, sonhos. E para Leonor, ir para Erasmus em Turim não foi mais do que a concretização do sonho de se libertar da opressão da mãe. O seu pai emigrou há vários anos e, a partir dessa data, a mãe de Leonor aproveitou-se da situação para exigir da filha muito mais do que devia.

Será em Turim que Leonor irá dizer sim a tudo (mesmo ao que não deve), num quase grito de Ipiranga, ainda que com o anjinho bom a sussurrar frequentemente, porque na verdade ela é uma boa menina. Mas até às boas meninas acontecem tragédias e aqui sabemos desde o início que aconteceu uma, só não sabemos o quê...

E é neste suspense que vamos vivendo as páginas do livro, ansiando e temendo em doses iguais o que terá sucedido. E ainda que prevenida, posso dizer que me apanhou de surpresa e incomodou!

Gostei muito da escrita da Rita, fácil de acompanhar, ainda que bonita e adorei sentir Itália nestas páginas. Conheço algumas cidades deste país, mas não Turim, que, terminada a leitura, entrou na lista de locais a visitar!

Opinião mais detalhada em video:



Opinião... André Fernandes * As Sete Carruagens

 


A premissa deste livro deixou-me de imediato curiosa. Um metro, sete carruagens, e a cada novo dia, a personagem principal, René, revive uma e outra vez a mesma rotina, tendo a acção lugar em cada uma das diferentes carruagens.

E é precisamente aí que os dias variam uns dos outros, já que as pessoas com que interage em cada carruagem são diferentes e o diálogo é, também ele, distinto.

E chego aqui ao cerne da questão, já que achei estes diálogos muito forçados, com um objectivo, é certo, mas sem qualquer subtileza. Ao ponto de me parecer estar a ler um livro de ajuda e não um romance.

A temática que aborda é muito interessante e importante. Não vou revelar qual é, porque é parte do encanto da narrativa, mas acredito que possa ajudar leitores. Da mesma forma, o conteúdo dos diálogos que mencionei acima são, também eles, de extrema importância. Um alerta, uma aprendizagem, uma ajuda. Mas não são diálogos realistas, que se enquadrassem na acção em curso. E foi este o ponto que me incomodou e fez gostar menos da leitura.

A escrita é simples, fácil de ler e compreender e existe sensibilidade na mensagem. Não quero com as minhas palavras tirar valor ao livro, não seria justo. Só não concordo que lhe chamemos romance…