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Opinião.. Anne Jacobs * A Mansão

Anne Jacobs encantou-me com a sua “A Vila dos Tecidos”, um romance de época bem construído e com personagens cativantes.

Foi em busca desta qualidade que parti para “A Mansão”. E encontrei-a, mas parcialmente. Porque embora tenha gostado do enredo desta nova série, não me cativou como a anterior. Parece-me que lhe falta alguma da grandiosidade da Vila dos Tecidos. De qualquer forma, foi uma leitura agradável ainda que, na minha opinião, ganharia com menos algumas páginas, já que a história contada não pede tantas.

Vamos conhecer três gerações de uma família que já foi abastada, na Alemanha do Leste. Franziska teve de fugir e perder tudo o que conhecia até então. A sua filha, Cornelia, é totalmente desprovida de valores e não se relaciona com a mãe. Na verdade, nem com a filha, Jenny, que é bastante revoltada e perdida na vida.

Será Jenny a procurar esta avó distante e juntas lutarão por reaver a Mansão que dá título ao livro.

Gostei particularmente da personagem de Franziska, pela sua resiliência e luta. Alguém que conheceu diferentes realidades e que sabe o que quer.

Como referi no início, não tendo tido o impacto que “A Vila dos Tecidos” teve em mim, temos aqui um romance interessante, com boas personagens, que gostei de ler.

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Opinião... Carmen Mola * A Besta

Se há leituras que me enchem as medidas, são as de livros como este, onde as descrições são tão vívidas que me sinto lá, vejo os locais, sinto os cheiros, percebo as personagens, reajo ao seu desespero até.

Aqui, os Carmen Mola, levam-nos até Madrid, em 1834, quando a cidade se encontra assolada pela cólera. Tudo é imundo, pobre, doente e, como se não bastasse, há alguém ou algo, consoante as crenças populares, a atacar meninas, deixando-as aos bocados nas ruas da cidade. Ninguém sabe quem é a Besta, mas Diego é um jornalista que não quer deixar morrer o caso e encontra na jovem Lucia o fio condutor que precisava.

A personagem de Lucia é incrível, pela forma como a sua vida se desenrola, mas também pela forma como ela reage a cada adversidade.

Temos aqui um livro que está classificado como thriller, mas que, na minha opinião é mais um romance de época, muito bem construído, com personagens fortes e com pitadas de acção, bastante bem doseadas ao longo de todo o livro, mas sem picos de adrenalina. E com isto não estou a fazer uma crítica, mas um elogio, apreciei muito mais a leitura desta forma!

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Opinião... Nelle Lamarr * A Convidada Perfeita

 


A sinopse deste thriller espicaçou, de imediato, a minha curiosidade. Ora vejam: temos uma família ensombrada pelo luto de uma filha que, passados alguns anos, decide acolher uma estudante de intercâmbio, vinda de Londres para a América.

Esta aluna, Tanya, tem semelhanças incríveis com a falecida Anabel, o que provoca na mãe enlutada uma sensação de quase substituição, enquanto nos restantes irmãos, Paige e Will, levanta muitas questões quanto às origens e intenções de Tanya. Estas dúvidas vão sendo reforçadas, perante acções inesperadas daquela estudante.

Quem é, na verdade Tanya? O que pretende ela desta família? É o que iremos descobrir ao longo da leitura. E vamos igualmente perceber que não há inocentes neste livro, todas as personagens têm os seus esqueletos no armário, todos querem, de alguma forma, ocultar algo dos restantes. É isso que faz com que tenhamos aqui um verdadeiro jogo do gato e do rato!

Uma característica que achei muito interessante neste livro, foi o espaço que a autora deu a cada personagem. Geralmente, neste género literário, pela forma compulsiva como se procura a leitura, acabamos por conhecer cada personagem de forma rasa. Tal não aconteceu aqui e apreciei muito este factor.

A contrapartida dele é que foi mais fácil antecipar o final, quebrando um pouco o efeito surpresa, já que a autora nos foi oferendo migalhas de informação aqui e ali que permitiram ir construindo a narrativa por detrás das aparências.

Ainda assim foi uma leitura que gostei bastante, pela forma como cada personagem é exposta e pela trama em si. Não sendo um thriller de cortar a respiração, foi uma leitura que me deu muito gozo fazer.