Conheci a autora Emma Donoghue através do magnífico livro "O Quarto de Jack", um livro marcante que, tantos anos depois de ter sido lido, continua na minha memória.
Entretanto já li outros livros da autora, de que gostei igualmente, pelo que avancei para esta leitura com expectativas elevadas, mais ainda quando percebi que se baseou num caso real, de um comboio que não travou a tempo e saiu estação fora, em Paris.
De facto, o Expresso de Paris é a figura central desta história, que começa quando este parte da estação de origem, levando os seus passageiros. Ao longo da narrativa, o comboio irá fazer o seu trajecto e nós iremos conhecer um vasto leque de ocupantes das várias classes, até ao derradeiro momento em que a primeira locomotiva fura a parede da estação e vai parar à rua.
Ainda que continue a gostar da escrita, não adorei este livro, principalmente porque temos uma visão muito superficial de cada passageiro, o que não me permitiu criar conexão com nenhum deles. Acho que teria preferido que o leque de personagens fosse mais reduzido, mas que conhecesse melhor o contexto e as razões para efectuarem aquela viagem.
Ainda assim, é um livro que se lê bem, e acaba por se redimir um pouco com o final que está muito bem descrito. Emma Donoghue voltou a mostrar a sua capacidade de criar impacto no leitor, descrevendo a cena sob a perspectiva de inúmeros intervenientes, criando dinâmica e entusiasmo.
Mas um final não faz um livro, pelo que, no seu cômputo geral, este "O Expresso de Paris" não foi uma leitura que me tenha enchido as medidas.
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