Opinião... Afonso Cruz * Flores

Data Início: 20-10-2015
Data Fim: 22-10-2015

AutorAfonso Cruz
Título: Flores
Editora: Companhia das Letras
ISBN: 9789898775733
N. Páginas: 275

Sinopse:
Prémio Autores para Melhor Ficção Narrativa, atribuído pela SPA em 2014 
Um homem sofre desmesuradamente com as notícias que lê nos jornais, com todas as tragédias humanas a que assiste. Um dia depara-se com o facto de não se lembrar do seu primeiro beijo, dos jogos de bola nas ruas da aldeia ou de ver uma mulher nua. Outro homem, seu vizinho, passa bem com as desgraças do mundo, mas perde a cabeça quando vê um chapéu pousado no lugar errado. Contudo, talvez por se lembrar bem da magia do primeiro beijo – e constatar o quanto a sua vida se afastou dela – decide ajudar o vizinho a recuperar todas as memórias perdidas.
Uma história inquietante sobre a memória e o que resta de nós quando a perdemos. Um romance comovente sobre o amor e o que este precisa de ser para merecer esse nome.

«Viver não tem nada a ver com isso que as pessoas fazem todos os dias, viver é precisamente o oposto, é aquilo que não fazemos todos os dias.»

FINALISTA DO PRÉMIO APE – ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE ESCRITORES
FINALISTA DO PRÉMIO FERNANDO NAMORA

Comentário:
Aqui está um livro para saborear, sem pressas, para podermos absorver toda a mensagem nele contida.

Fui à apresentação do livro no passado dia 30 de Setembro, apresentação que ficou a cargo de José Eduardo Agualusa. Na altura, José Eduardo disse uma coisa que retive e que me faz agora todo o sentido, disse que alguém que escreve da forma como Afonso Cruz escreve, só pode ser uma pessoa muito especial. E é verdade, alguém que escreve desta forma, tem que ter um dom. As páginas 79 e 80 são claro exemplo disso, bastaram estes parágrafos, para a leitura de todo o livro já valer a pena.

O nosso protagonista é um homem maduro, casado e com uma filha pequena, que vive no seu mundo resguardado. Dando umas facadinhas no seu matrimónio, lá vai vivendo o seu dia-a-dia com tranquilidade.
Mas a sua vida actual está preste a sofrer uma reviravolta, quando a sua filha assiste à traição. Depois disso a criança fechasse ao pai, tudo se desmorona e o casamento termina. A par disto, o protagonista começa a travar conhecimento com o seu vizinho, com quem até à data não tinha trocado mais do que um simples bom dia, e descobre que, devido a um aneurisma, o passado deste vizinho, o Sr. Ulme, é uma mancha cinzenta para ele.

Como forma de dar algum sentido à sua vida, o protagonista decide então descobrir o passado do Sr. Ulme, dar-lhe informações e ferramentas que lhe permitam recuperar alguma da sua memória. Para tal, visita a terra onde ele nasceu, fala com todas as pessoas que com ele conviveram na infância e adolescência e percebe que cada pessoa tem as suas próprias vivências e experiências que refletem e são reflexo da imagem que têm do Sr. Ulme de antigamente.

É um livro que nos fala, essencialmente, de memórias. Afonso Cruz referiu isso mesmo na apresentação e a leitura do livro dá-nos que pensar. O que pensamos de nós próprios, o que os outros acham de nós, de que forma o que acham de nós condiciona a forma como agimos...

Gostei bastante do livro no seu todo, embora tenha algumas partes que, no meu entender, foram menos conseguidas, como são exemplo os "auto diálogos" que acontecem na casa de banho entre o nosso protagonista e ele próprio. Consigo entender que dentro da cabeça de cada um de nós habitam várias personalidades, mas não apreciei a concretização. Também não achei muito interessante as sátiras ao estado político actual do nosso país.
De resto, é um livro carregado de mensagens muito importantes e que dão que pensar.

Este foi o primeiro livro que li do autor, mas não será certamente o último.

Classificação8,5/10

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