Bruno Vieira Amaral * As Primeiras Coisas

Data Início: 31-03-2014 
Data Fim: 03-04-2014

AutorBruno Vieira Amaral
Título: As Primeiras Coisas
Editora: Quetzal
ISBN: 9789897221217
N. Páginas: 312

Sinopse:
Quem matou Joãozinho Treme-Treme no terreno perto do depósito da água? O que aconteceu à virginal Vera, desaparecida de casa dos pais a dois meses de completar os dezasseis anos? Quem foi o homem que, a exemplo do velho Abel, encontrou a paz sob o céu pacífico de Port of Spain? Porque é que os habitantes do Bairro Amélia nunca esquecerão o Carnaval de 1989? Quem é que poderá saber o nome das três crianças mortas por asfixia no interior de uma arca? Onde teria chegado Beto com o seu maravilhoso pé esquerdo se não fosse aquela noite aziaga de setembro? Quantos anos irá durar o enguiço de Laura? De que mundo vêm as sombras de Ernesto, fabuloso empregado de mesa, Fernando T., assassinado a 26 de dezembro de 1999, Jaime Lopes, fumador de SG Ventil, Hortênsia, que viveu e morreu com medo de tudo? Quando é que Roberto, anjo exterminador, chegará ao bairro para consumar a sua vingança?
Memórias, embustes, traições, homicídios, sermões de pastores evangélicos, crónicas de futebol, gastronomia, um inventário de sons, uma viagem de autocarro, as manhãs de Domingo, meteorologia, o Apocalipse, a Grande Pintura de 1990, o inferno, os pretos, os ciganos, os brancos das barracas, os retornados: a Humanidade inteira arde no Bairro Amélia. 

Comentário:
Quando li a sinopse deste livro pensei que seria um retrato de um bairro degradado, caracterizando os seus habitantes, hábitos e particularidades.
E, na verdade, não deixa de o ser, mas escrito de uma forma que eu não esperava... E de uma forma que me deixou um pouco desiludida.

Um homem destroçado regressa ao seu bairro, o Bairro Amélia. Depois de ter conseguido "fugir" daquele ambiente e de ter uma vida tranquila com mulher e emprego bons, este homem volta a perder tudo e vê-se obrigado a regressar às suas origens. Na sua procura por um rumo, decide conhecer mais a fundo o Bairro onde nasceu e é ele que nos abre as portas a uma realidade desconhecida, através de uma espécie de dicionário do Bairro, onde descreve pessoas, hábitos e lugares.

Senti acima de tudo que não havia um fio condutor da história. Gostei muito da forma como o autor nos descreve o Bairro Amélia, ao ponto de eu duvidar se era ficção ou realidade, e de alguns capítulos com histórias de vida que não me são familiares, mas que achei importante conhecer. No entanto, achei outros capítulos demasiado crus e agressivos, díficeis de digerir...

Classificação: 6/10

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