Especial... Romances Históricos


Quando a Cláudia (A Mulher Que Ama Livros) me desafiou para falar de romances históricos, neste seu especial, para além de lhe ter dito "sim" de imediato, comecei logo a pensar sobre que autores e livros gostaria de falar.
Surpreendentemente, a resposta foi fácil e imediata. A escolha recaiu em três senhoras portuguesas: Maria João Lopo de Carvalho, Isabel Stilwell e Maria João Fialho Gouveia.
São três escritoras nacionais, cuja carreira literária sigo de perto e em quem confio pela forma como as suas histórias são narradas e pela profundidade das suas pesquisas que se reflectem em livros de muita qualidade.

A definição de romance histórico poderá ser um pouco subjectiva e induzir algumas pessoas em erro. Na minha opinião, romance histórico é aquele que, baseando-se em personagens reais da história, nos contam a sua vida (ou parte dela) deixando espaço para a criatividade do autor. Sendo baseado em factos reais e, em regra, em tempos passados, obriga a um trabalho de pesquisa muito rigoroso, para que o resultado final seja coerente e credível.

Tive oportunidade de conhecer pessoalmente estas três autoras, todas elas muito acessíveis e simpáticas o que me fez gostar ainda mais das suas obras. É um gosto ouvi-las falar sobre os seus livros, sobre o resultado das suas pesquisas e sentir a forma como vivem a história (principalmente de Portugal) de forma tão apaixonada.


Maria João Lopo de Carvalho

Os seus romances históricos que tenho na minha biblioteca:

Quando li a "Padeira de Aljubarrota", uma história que sempre me intrigou, fiquei rendida à escrita de Maria João Lopo de Carvalho.  
Neste romance a autora relata, em paralelo, a vida da rainha Beatriz e a vida de D. Brites, Padeira de Aljubarrota. A história da Rainha Beatriz segue a realidade tal como chegou aos nossos dias, baseada em muita pesquisa da autora. A sua infância, o seu casamento com D. Juan de Castela, as lutas pelo reinado de Portugal.
No que toca a D. Brites, a informação disponível vive muito do mito, e por isso a autora, depois de se documentar, deu largas à sua imaginação e trouxe-nos a "sua" Brites de Almeida, Padeira de Aljubarrota. Mulher-macho, sofrida, com seis dedos em cada mão, acusada inúmeras vezes de bruxaria, iletrada mas muito forte.

Da autora, tenho ainda para ler "Marquesa de Alorna", mulher inconfundível entre as elites europeias pela sua personalidade forte e enorme devoção à cultura, desconcertou e deslumbrou o Portugal do séc. XVIII e XIX, onde ser mãe de oito filhos, católica, poetisa, política, instruída, inteligente e sedutora era uma absoluta raridade. 
Tenho igualmente para ler "Até que o Amor me Mate", o seu mais recente romance, onde retrata sete mulheres que cruzaram a vida de Luís Vaz de Camões. As sete mulheres que mais o amaram ao longo dos seus 55 anos de vida. 


Isabel Stilwell

Os seus romances históricos que tenho na minha biblioteca:
  


Filipa de Lencastre Adorei a forma como Isabel Stilwell me ensinou este pedaço da História, desde o nascimento de D. Phillipa de Lancaster em Inglaterra até à sua morte, aos 55 anos, de peste, em Portugal. Pelo caminho assistimos a alianças e conquistas, vitórias e derrotas. D. Filipa teve 8 filhos, 2 dos quais faleceram muito novos.
Isabel Stilwell retrata-nos uma mulher forte, que poucos tinham em consideração quando nova, mas que se revelou um personagem extremamente importante naquela época, na História de Portugal.

Catarina de Bragança D. Catarina de Bragança, filha de D. Luísa de Gusmão e de D. João IV, era ainda jovem quando saiu de Vila Viçosa para se casar com Charles de Inglaterra, vivendo num país onde a língua e os costumes lhe eram estranhos e se tornaram um desafio, esta rainha irá sofrer a dor de não ter filhos ao mesmo tempo que vê o marido ter filhos bastardos de outras mulheres. Uma história de perseverança que Isabel Stilwell nos conta com mestria.

D. Amélia D. Amélia de Orleãs e Bragança era uma mulher marcada pela tragédia quando embarcou, em Outubro de 1910, na Ericeira rumo ao exílio.
Depois de um casamento por amor com D. Carlos e de um início de vida adulta que se augurava muito feliz, D. Amélia acaba por cair em desgraça, vendo morrer uma das suas filhas e assistindo ao assassinato do seu marido D. Carlos e do seu filho D. Luís Filipe, no Terreiro do Paço.
Uma vida trágica que nos absorve ao longo das páginas deste livro muito bem escrito e documentado.

A aguardar para serem lidos:
D. Maria II Tudo por Um Reino Com apenas 7 anos, Maria da Glória torna-se rainha de um reino que não conhecia. Esta é a história de uma mãe dedicada e política de pulso forte que durante dezanove anos comandou os destinos de Portugal.

Ínclita Geração Isabel, tal como a sua mãe, D. Filipa de Lencastre, irá casar tarde. E a ideia de deixar Portugal, o pai envelhecido, os cinco irmãos em constante desacordo, e Lopo, irmão de leite e melhor amigo, para partir para um país longínquo e gelado atormentava-lhe o coração. Era a terceira mulher de Filipe, já duas vezes viúvo, esperava vir a dar-lhe o herdeiro legítimo de que Borgonha tanto precisava. A sua fama de mulherengo atravessava fronteiras…



A autora tem ainda dois outros romances históricos que estão na minha wishlist:


D. Teresa - Uma Mulher que Não Abriu Mão do Poder é um romance emocionante sobre esta personagem fundamental da nossa história - mãe de D.Afonso Henriques, amante de Fernão Trava e Rainha de Portugal. Uma mulher de armas, à frente do seu tempo, que governou num mundo de homens e de conspirações.





Entre o céu e o inferno. Assim foi a vida de Isabel de Aragão. Aos 12 anos casou com D. Dinis, rei de Portugal, e junto dele governou durante 44 anos. Praticou o bem, visitou gafarias, tocou em leprosos e lavou-lhes os pés, gastou a sua fortuna pessoal a ajudar os que mais precisavam e mandou construir o mosteiro de Santa Clara, em Coimbra. Da sua lenda fazem parte milagres, curas e feitos. Mas a melhor rosa de Aragão, que herdou o nome da Santa Isabel da Hungria, era boa para ser rei, como dizia muitas vezes o marido.






Maria João Fialho Gouveia

Os seus romances históricos que tenho na minha biblioteca:


Inês O romance de D. Pedro e Inês é uma história que sempre me encantou. Por isso mesmo, já li inúmeros livros sobre o tema, pelo que achei que sabia tudo sobre o mesmo. No entanto, tenho de confessar, que este livro me surpreendeu com factos de que nunca tinha ouvido falar. Só por isso já valeu a pena a sua leitura. Mas não foi só... Maria João Fialho Gouveia apresenta um trabalho muito cuidado, onde se evidencia a grande pesquisa que fez e que transmite nas páginas de “Inês”.
A história desta mulher não se resume ao romance com D. Pedro, nem começou no momento em que o conheceu. Foi isto mesmo que me surpreendeu neste livro. Conhecer Inês desde tenra idade, saber tudo o que foi a sua vida antes de ser aia de D. Constança. Agora que penso nisso, nos livros anteriores que li parece que Inês surge do nada como aia da primeira mulher de D. Pedro, sem que antes a sua vida tenha tido qualquer significado. Depois, existe o mito de que Inês traiu a sua amiga Constança o que não foi verdade. Embora amasse D. Pedro, manteve-o sempre à distância até ao momento da morte da princesa.

Esta história está muito bem contada e dá gosto lê-la. As descrições das vivências nos diferentes locais por onde Inês passou, as longas e duras viagens entre eles, os amores e as traições, tudo é narrado de forma intensa, que transporta o leitor para tempos idos. Foi uma “viagem” muito boa!


Depois de ler Inês, fiquei muito interessada na obra desta autora, por isso já tenho os seus outros dois livros editados para ler:

D. Francisca de Bragança A Princesa Boémia  É um romance apaixonante inspirado numa cuidada investigação histórica, que nos dá a conhecer a vida de uma invulgar princesa portuguesa.
Aos treze anos, a irreverente princesa conheceu D. Francisco d’Orléans, filho do rei de França, por quem se apaixonou perdidamente. Apaixonados e comungando de um ardor pela liberdade, os príncipes de Joinville entregaram-se a uma vida de boémia, numa Paris que fervilhava de arte, cultura e conhecimento, privando com intelectuais e artistas pelos Grands Boulevards e pelas salas de espetáculos.

As Lágrimas da Princesa Formosa e culta, Aldegundes de Bragança era a quinta filha do rei D. Miguel, banido de Portugal no seguimento das Guerras Liberais que o opuseram ao seu irmão D. Pedro. Casada aos 18 anos com o príncipe italiano Enrico de Bourbon-Parma, cedo descobriu o homem azedo que o seu semblante belo e distinto escondia.
Os trinta anos de matrimónio foram tecidos de momentos ora de paixão, ora de discórdia, tendo como palco o seu palácio veneziano, o castelo dos Braganças na Áustria ou os iates que os levavam frequentemente a terras distantes. A maior batalha da sua vida, porém, foi a que travou em busca do sonho de ser mãe.


A autora lançou, neste mês de Abr/17, o seu mais recente livro:



Irá a guerra separar o que o amor uniu?
Em plena Segunda Guerra Mundial, as elites europeias refugiam-se no Estoril, num ambiente de glamour e elegância. A paz garantida pelo regime de Salazar, não atrai, no entanto, apenas a alta sociedade. No meio de todas as festas e bailes, as forças de espionagem de ambos os lados do conflito vão-se movimentando. É neste ambiente que Bernardo, um bon vivant despreocupado, e Emily, uma espia aliada, se apaixonam.





Agora que revejo o resumo acima, dou-me conta que estas três autoras optaram por contar nas suas histórias sobre a História, na perspectiva de mulheres fortes e sofridas, com papéis fundamentais na sociedade. Curioso!

Para finalizar, quero agradecer à Cláudia o convite que me deu oportunidade de fazer este post sobre três autoras que me são muito queridas.

Sendo a última a fazer o post sobre este Especial, não passo a "bola" a ninguém, mas convido todos a assistirem e/ou lerem os videos/posts anteriores, nos links que se seguem:
   Cláudia - A Mulher que Ama Livros - aqui
   Elisa - A Miúda Geek - aqui
   Patricia - O Prazer das Coisas - aqui
   Isa - Jardim de Mil Histórias - aqui

6 comentários:

Claudia Oliveira disse...

Mulheres e portuguesas. Grande post e excelentes sugestões de certeza. Obrigada por teres aceite o meu convite! :)

Maria João disse...

Não foi intencional mas correu bem! #Lerosnossos #Lermaismulheres ;-)
Obrigada pelo convite
Beijinhos

A Miúda Geek disse...

Olá Maria João
Adoro todas e da Isabel Stilwell aoenas me faltam ler 2.
Da Inês, falámos na altura que o favto de termos acesso á historia dela antes de ser aia de Constança foi uma lufada de ar fresco para sabermos mais sobre ela.
Adorei o teu post cheio de boas recomendações e que quero ler o que mr falta.
Beijinhos

Isaura Pereira disse...

Olá Maria João,
Gostei muito das tuas sugestões. Especialmente a Maria João Fialho Gouveia. Estou muito curiosa com os seus livros.
Acho que vou gostar.
Beijinhos e boas leituras

Maria João disse...

Muito obrigada pelos comentários! Só gostava de ter mais tempo para ler. Este tipo de livro requer (e merece) mais dedicação para ler devidamente. Por isso alguns vão ficando para trás (injustamente...).
Elisa, precisamos de fazer mais desafios para ler roamnces históricos!
Isaura, gostei muito da escrita da autora. Foi uma excelente surpresa.

Beijinhos

Bárbara Ferreira disse...

Post interessante! Deixo a ideia de "As Luzes de Leonor", da grande Maria Teresa Horta.